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O cheese requintado

25/04/2014 - Por Jornal Semanal
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Gustavo Griebler*

Cheguei ao restaurante do hotel. Sozinho. Creio que a única refeição sozinho na viagem. Um piano de cauda ao canto. Poucas pessoas. Sentei-me. Talheres simetricamente dispostos. Os garçons com gravata. Eu, em férias, de bermuda, Havaianas e camiseta do Inter. O cardápio veio. Queria lanche, não comida. Decepção para o chef, na certa, pois talvez ele espera ser desafiado com o prato mais requintado do cardápio. Mas como não quis errar, nem comer algo tão extravagante para meu estômago não acostumado com extravagâncias, pedi um cheese filé. Nem cheese burger era. Era filé, tamanho o requinte do lugar. Senti-me importante estando ali. Sabia que a conta viria salgada depois, mas estava aproveitando. Pensei em sair comprar um smoking e voltar ao local, mas como não havia muita gente no local a comida viria rápido.

Demorou alguns poucos minutos e veio o prato. Nunca havia visto um cheese daquela maneira, e olhem que já virei um quase especialista neste assunto pela vasta quilometragem que meu paladar já trilhou com cheese burgers. Como estava em um restaurante requintado em um hotel também requintado, pensei que no máximo viria uma quantidade ínfima de comida. Mas não. O prato era enorme e o conteúdo do cheese totalmente distribuído por ele, ou seja, alface e tomate em um canto, batata palha em outro, pão com queijo em outro e uma carne suculenta em outro. Prato deliciosíssimo. Acompanhei o requintado cheese com um suco de laranja, talvez outra decepção para o chef ou bartender, que esperava quem sabe o mais sofisticado e caro drink do estabelecimento. Mas sou uma pessoa simples e assim pretendo continuar.

Demorei para terminar a refeição, pois não estava tão faminto, mas era a hora do jantar e o café da manhã, obviamente, demoraria até o dia seguinte. E como não estávamos em Três de Maio, não iria sair sozinho pela capital federal durante a noite para comer alguma coisa. Então a escolha do restaurante do hotel, que antecipadamente já sabia que custaria a mais. Mas concluí a refeição, muito saborosa e diferente, e dirigi-me para a saída do restaurante com a elegância de um lorde no caminhar de Havaianas, bermuda e camiseta do Inter.

No dia seguinte, no check out do hotel, paguei a conta que para a quantidade, sabor e nível de criatividade não representaram em nada algo acima do valor tradicional de mercado para meu completo espanto. Imaginei antes até que teria de parcelar a conta no hotel em razão do alto valor que teria de pagar por aquele luxo da noite anterior, mas não, não seria necessário isso. "Crédito à vista" foi o que solicitei ao entregar o cartão para o recepcionista. No entanto, nada como voltar para casa e comer os cheeses tradicionais de nossa cidade, em pão de cheese, com todos os ingredientes dentro e o fato de segurar na mão o mesmo.

* Mestre em Educação nas Ciências.
Professor de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico
do Instituto Federal Farroupilha - Campus Panambi.
 Professor de Ensino Superior da Faculdade Três de Maio.





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