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Confiança no Judiciário gaúcho

02/05/2014 - Por Marcos Salomão
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    Eu confio no Judiciário gaúcho. Confio nos juízes e nos servidores que trabalham no Poder Judiciário. Nosso Judiciário sempre foi um dos melhores do País. Íntegro, inovador, trabalhador, correto! As estatísticas provam que o nosso Judiciário julga mais, concilia mais, atende com presteza e poucos são os casos desabonatórios.

    Faltam juízes? Sim, precisamos de mais magistrados e existe um concurso em andamento. Faltam servidores? Sim, a demanda só aumenta e cada vez precisamos de mais pessoas para servir a comunidade gaúcha. Mas sempre tivemos uma imagem de integridade, de respeito. A comunidade gaúcha sempre teve orgulho dos seus juízes e dos servidores que trabalham nos foros. Procura-se fazer o melhor, mesmo diante de uma crise de Estado onde diversos órgãos públicos apresentam dificuldades.

    Mas, nesta semana, uma notícia gerou tristeza e desconfiança ao povo gaúcho. Quando todos os olhos e mentes estão voltados para o município de Três Passos, em  razão do "caso Bernardo", simplesmente, do nada, aparece um deputado estadual na cidade, representando a ouvidoria da Assembléia Legislativa do Estado e resolve roubar a cena das investigações...

    Enquanto todos estão preocupados com a forma que ocorreu a morte do menino Bernardo, o deputado estadual Marlon Santos (PDT), após conversar com algumas pessoas da comunidade, redigiu um relatório afirmando que o juiz do caso Bernardo era parente por afinidade do irmão do pai de Bernardo. Afirmou ainda que a esposa do juiz é escrivã na mesma Vara Judicial e que também era suspeita. Afirmou mais uma série de bobagens sem o menor  fundamento e disse que encaminharia o caso a Corregedoria de Justiça para que os fatos fossem investigados. Chamou a imprensa para falar e buscou a atenção do povo gaúcho. Nada mais normal em um ano de eleições...

     O juiz, ao tomar ciência das acusações, acionou o serviço de inteligência da Polícia Militar e pediu que fossem analisadas as declarações do Deputado. Ao final da tarde, a verdade, finalmente, apareceu.

    Conforme o serviço de inteligência da Polícia Militar o juiz de Três Passos, responsável pelo "caso Bernardo", não possui parentesco algum com a família do médico. Nem sua esposa. Nada ! As acusações do deputado não possuíam fundamento algum. Eram baseadas no achismo ("eu acho que..."), desprovidas de qualquer fundamento jurídico e moral. Uma afronta ao Judiciário gaúcho, em um momento tão delicado que se investiga a morte de um menino...

    E agora deputado? Um pedido de desculpas ao juiz? Uma declaração de humildade dizendo que se enganou? Um pedido de desculpas a todo o povo gaúcho?

    Ou apenas achar graça que, durante uma investigação séria da polícia civil, surgiram seus 15 minutos de fama em meio a dor e a indignação das pessoas?

    Temos que tomar cuidado com os linchamentos generalizados. Não se pode falar mal de todos e de tudo, simplesmente porque alguém levanta uma bandeira da mentira, como se fosse uma verdade. Antes de falar, temos que analisar o quanto é verdade uma afirmação.

    A impressão que se tem é que existem milhares de culpados e qualquer pessoa que questione qualquer coisa, já é culpada também. Cuidado com o linchamento generalizado. Cuidado com as palavras. Em nada ajudará nas investigações do  caso, acusar enlouquecidamente todos e tudo  que aparecer pela frente...

    Eu confio no Judiciário gaúcho...



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