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E a banana foi mordida!

02/05/2014 - Por Jornal Semanal
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Gustavo Griebler*

     Pra quem já maliciou pelo título pode não se animar. O assunto é sério. Muito sério. A mordida na banana que o jogador do Barcelona Daniel Alves deu quando esta lhe foi lançada em um jogo do campeonato espanhol em um dito país desenvolvido, caracterizando um claro ato de racismo do torcedor para com o jogador, repercutiu mundo afora e serviu para baquear aqueles que pensam que o racismo pode passar impune sempre. O torcedor que atirou a banana já foi identificado, teve seu carnê de sócio retirado e banido dos jogos para sempre.

    O clube espanhol, assim como diversas pessoas, se solidarizou com o jogador brasileiro. Creio que atuou em uma das frentes mais doloridas para com o torcedor, que é retirá-lo para sempre do estádio de futebol. Para muitos, o seu clube de futebol do coração é uma das coisas mais representativas. Sendo banido para sempre dos jogos do seu clube, creio que é como uma prisão perpétua para este dito torcedor, que em nada auxilia seu clube, na realidade, com atitudes como essa, pois este também pode ser prejudicado como interdição e outras penas.

     Temos uma dívida histórica com os negros em nosso País, assim como com os índios. Os negros foram trazidos à força de seus territórios para cá, para serem escravizados pelo homem branco dito civilizado. Homem branco este o europeu, de onde surgiu no último fim de semana o ato racista para com o jogador Daniel Alves. Da mesma forma, os índios foram forçados a ceder seu território para civilizados que cobriam suas vergonhas. Vergonha foi o que foi feito com essas duas etnias: negros e índios. Nem trato como raça, pois todos pertencemos a uma mesma raça: a humana.

    A cor da minha pele, seja ela branca, parda, negra, não define e não definirá meu caráter. Conheço brilhantes pessoas e com um coração enorme cujo tom de pele é muito mais escuro que o do jogador Daniel Alves e de muitas outras pessoas. Para ficarmos somente em um exemplo, vejamos o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. Com vasta quantidade de provas, o ministro teve a coragem de colocar na cadeia políticos que ocuparam cargos de suma importância em nosso País. Algo impensável em um País que tem aceitado sem contestações corrupções e corrupções. Ele lutou e tem lutado até o fim defendendo o correto. Sua história de vida é um exemplo para muitos.

    Termino este texto mas jamais a discussão com a frase de outro negro, Martin Luther King, dando um recado aos negros em especial para que não se aquietem diante de atos como o do jogador do Barcelona: "O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética. O que me preocupa é o silêncio dos bons".

* Mestre em Educação nas Ciências. Professor de Ensino Básico,
Técnico e Tecnológico do Instituto Federal Farroupilha - Campus Panambi.
Professor de Ensino Superior da Faculdade Três de Maio.





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