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Dissertação de mestrado: uma companheira indigesta

08/06/2012 - Por Jornal Semanal
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O Manual de Sobrevivência do Mestrando publicado há alguns dias não contemplou muito uma das partes mais importantes do mestrado: a dissertação. Assim sendo, dedico este texto a esta indigesta companheira. Estou sendo extremamente leve ao chamá-la por tão singela característica. Na verdade, ela merece algo pior, muito pior. Mas às vezes dá pena, porque ela não faz jus a tudo isso. Como o filho que reclama para os pais que não pediu para nascer, a dissertação também não pediu para ser escrita.
Mas então vamos ao texto. Quando alguém resolve fazer um mestrado, ganha já antes do ingresso uma companheira: a dissertação. No começo ela é só projeto, mas com o tempo transforma-se em uma criatura robusta, que cola em você e não larga mais. Passa a lhe acompanhar em tudo que é lugar dizendo para não se esquecer dela. Banheiro, cama, até nos sonhos a maldita dá o ar da graça. É uma relação de amor e ódio. Você não precisa dar flores ou presentes a ela, nem levá-la para jantar. Ela o faz, pelo contrário, ficar mais caseiro, pedindo a sua atenção. Você lê, pesquisa e tem de escrever para ela a fim de aquietá-la. O teu sogrão na verdade é o teu orientador, que a toda hora pergunta como estão as coisas e quando vai rolar o casamento (banca final).
Em alguns casos, especialmente quando as escritas começam a atrasar e o prazo de conclusão do curso começa a chegar ao final você poderá pensar em dar parte na polícia por perseguição, assédio, ou qualquer coisa do tipo, tamanho é o grude dela em você. Mas desistirá porque ela poderá te denunciar por xingamentos, já que você proferiu palavras do mais baixo calão para ela em situações de estresse grande.
Além do mais, você passa a acumular papeizinhos por tudo o que é lado. Está sempre escrevendo alguma coisa nova para colocar na dissertação depois. Guardanapo do restaurante, papel higiênico, lenço, pedaço de jornal, tudo vira papel para você registrar uma ideia que para você é brilhante, mas que de repente o orientador irá achar uma porcaria. O problema é se você esquece o papel no bolso da calça e ela vai para a máquina de lavar. Aí já era a ideia. Um conselho: deixe um bloco de papel e uma caneta próximos da cama. Naquele período antes de dormir podem surgir ideias fantásticas ou ainda você pode acordar durante a noite com a resolução daquele problema que o consumiu o dia inteiro. Aí terá onde anotar.
Termino este texto deixando algumas frases - inacabadas, até porque, como uma professora falou durante o curso, dissertação a gente abandona e não termina - que elaborei e que serviriam para a epígrafe da dissertação, mas que acabei preterindo por outra frase: A escrita da dissertação passou por diversos momentos. Apesar de ser um trabalho sozinho, nunca estive solitário na sua elaboração. Sempre estiveram presentes pessoas próximas a mim. Nas madrugadas, cachorros e gatos faziam seus ruídos característicos atrapalhando-me ou somente lembrando-me que eu não era o único a estar acordado. Em alguns momentos, ao olhar pela janela para buscar alguma inspiração, via folhas secas caindo. Muitos dias não conseguia abrir a janela, tamanho era o frio que lá fora fazia. Algumas vezes, peguei-me parado olhando um ponto fixo refletindo sobre a vida.



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