Sexta-feira, 18 de agosto de 2017
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De Portugal para Três de Maio

30/05/2014 - Por Yara Lampert
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A paixão pelas guloseimas portuguesas, pelo pastel de Belém e pelas queijadas está mais perto dos três-maienses e da região. Falo do português Miguel José Alverca Matos, que há um ano reside aqui em Três de Maio. Trazido para cá pelo amor de sua vida, a três-maiense Angélica Schubert, Miguel vem encantando a todos pelos variados e saborosos pães, bolos, doces e salgados. O gosto e dom para a confeitaria foi herdado da avó paterna. Vivendo entre tantas guloseimas, quando lhe perguntei qual a sua preferida, logo respondeu, pelos doces, claro. Tão agradável quanto os produtos oferecidos, foi  ver o amor e a sintonia entre o português e a três-maiense.

Como você chegou ao Brasil e como está sendo o processo para abrir uma confeitaria nos dias de hoje?
Vim para o Brasil porque quis tentar minha sorte aqui,  mostrar meus produtos, mas, minha principal decisão de vir foi para ficar do lado da mulher que amo (Angélica Schubert ), casamos e, como ela morava aqui, decidi juntar o útil ao agradável.
Quanto ao meu processo, fiz toda a minha escolaridade e tirei um curso de três anos de cozinha/pastelaria (pastelaria pois em Portugal se chama assim) e depois desse curso tirei outros de aperfeiçoamento. Depois a experiência veio com o próprio trabalho. Trabalhei em várias confeitarias e com cada uma aprendi algo e ganhei muita experiência.

Como você descobriu a paixão por confeitaria?

Eu descobri a paixão pela confeitaria bem cedo, acho que já nasceu comigo, mas também acho que puxei essa mesma paixão pela minha avó paterna, pois durante muitos anos foi essa a sua paixão também. Também comecei bem cedo a fazer meus bolos e minhas receitas e tudo junto me levou a paixão que sinto hoje quando realizo meu trabalho.

Qual o diferencial dos seus doces e salgados?
O diferencial dos meus doces e salgados é que sempre tento usar os mesmos ingredientes e sempre procuro os melhores, acho que é isso que os diferenciam, além de fazê-los com maior carinho e paixão.

Quanto aos ingredientes, tem algum segredo para um doce ficar melhor?
Na verdade não acredito muito em segredos nas receitas, o segredo se assim se pode chamar, está na maneira de confeccioná-lo, pois cada receita é diferente, cada ingrediente é diferente, basta saber usar cada um na altura certa da receita para o resultado ser o melhor. Claro que cada um poderá usar um ingrediente extra em cada receita e talvez esse se possa considerar o segredo  mas, para tal, será necessário saber usá-lo para o produto final não ficar prejudicado.

Existem alguns pratos que muitas pessoas não conhecem por nome, você pode falar um pouquinho sobre as massas, sobremesas e tortas 3D?
Trabalho com várias massas; desde massas folhadas, massas levedas, massa de brioche, massas doces. Todas elas são a massa mãe e a partir de cada uma, elaboramos vários doces diferentes, juntando sabores e formas de manusear. Quanto as tortas 3D, são tortas alusivas a algo, vamos supor que o cliente gosta de carros, então a torta seria no formato de carro, ou seja, o formato da torta será em relação ao gosto do cliente, engraçado se falar torta, pois em Portugal esse nome seria como rocambole, aqui pois chamamos de bolo.

Quais as especialidades da casa?
As especialidades da casa são os Pasteis de Nata, que na verdade são os Pasteis de Belém.  São chamados de Pasteis de Nata, pois esse mesmo nome de Pasteis de Belém é uma marca registrada em Portugal, dai se usa o nome de Pastel de Nata, que é a mesma coisa. Também  temos como especialidade nossas broas de especiarias e as queijadas de requeijão.

Alguns doces como: Pastel de Belém ou Pastel de Nata, queijada e folhados, são famosos e típicos de Portugal. Como manter a qualidade e o sabor estando tão longe da sua terra?
Bem, não foi fácil manter o mesmo sabor e a mesma qualidade dos produtos que fazia em Portugal, digo isto porque tem muitos ingredientes diferentes na sua textura e sabor, mas tento a cada dia procurar os melhores ingredientes e que se assemelham mais aos de Portugal, onde notei maior diferença  foi nas farinhas, sua textura é bem diferente das que usava em Portugal, mas mesmo assim consegui equilibrar os sabores dos bolos e doces.

O que difere as confeitarias de Portugal das brasileiras?
Na verdade, do que eu conheço das confeitarias do Brasil e de Portugal, não vejo muitas diferenças, acho que cada país tem sua cultura, suas raízes, mas nós somos muito reconhecidos mundialmente pela nossa gastronomia e doceria, talvez por usarmos bastante ovos e gemas nos nossos doces e por muitos virem do tempo dos conventos, onde as freiras realizavam doces, muito hoje apreciados, pois cada região de Portugal tem o seu doce tradicional.

Ter sucesso como confeiteiro é dom, prática ou como você define?
Acho que para qualquer profissão a gente tem que gostar do que faz, e na verdade eu amo minha profissão e ao fazermos o que gostamos, isso se torna um dom, esse mesmo dom, acho que também já nasce com a gente, quanto a prática, ela também ajuda em qualquer profissão, mas acho que o gosto pelo que fazemos é que nos torna diferentes em qualquer setor.



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Comentários

Roberto Antônio Hermes
03/06/2014
Pelo que tenho acompanhado os trabalhos do Miguel, tenho certeza que o sucesso o aguarda.
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