Quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
Ano XXX - Edição 1538
(55) 3535-1033
jsemanal@jsemanal.com.br
diagramacao@jsemanal.com.br

Bela, rentável e saudável

24/08/2012 - Por Jornal Semanal
Tweet Compartilhar
As lavouras reluzem o novo ouro da agricultura. A canola é aposta do produtor Jair Carnelutti que plantou 45 hectares este ano, sendo 16 hectares em Flor de Maio, interior de Três de Maio. O cultivo desta oleaginosa ainda não é expressivo na região, no entanto, o Estado é considerado o maior produtor do pequeno grão com 35 mil hectares cultivados este ano. E prevê maior crescimento da área cultivada nos próximos anos.
A época é de floração que atrai, não só olhares e muitas abelhas, mas uma nova perspectiva para a safra de inverno. Isso porque é uma opção de diversificação de culturas que agrega mais renda. Este ano os produtores gaúchos vivem a expectativa de ter um dos melhores preços já pagos pelo grão. Com o valor delimitado pelo preço da soja a oleaginosa de inverno está sendo negociada por R$ 70,00 a saca de 60 quilos, segundo a Emater/Ascar RS. Conforme Jair o preço da canola sempre fica em torno de R$ 1,50 a mais  que a saca de soja.
Carnelutti  investiu aproximadamente 12 sacas/ha e pretende colher, em setembro, entre 20 a 30 sacas/ha.
Segundo o engenheiro agrônomo da Câmera Agroalimentos - Casa Independência, Renato Bertoldi, que presta assistência ao produtor, o rendimento por hectare pode chegar a 45 sacas. Em parceria com a empresa, o produtor recebe a semente, os insumos para adubação, assistência técnica, seguro e tem a venda garantida. "No que colher já irei receber o pagamento, ao contrário do trigo que temos que ficar esperando", destaca Jair.
Ele começou o plantio no final de abril, dentro do período recomendado - entre 15 de abril a 15 de maio -, mas enfrentou um período seco, com chuvas somente em junho e ainda teve a geada no mês seguinte que atrasou o desenvolvimento das plantas. "Esse clima agora é ideal: umidade e pouco frio. Essas condições climáticas são importantes durante todo o ciclo dela, resultando numa planta saudável e stand (nº de grãos por planta) parelho", explica o agrônomo.


Diversificação de cultura no inverno


É a primeira vez que o produtor planta canola, tendo em vista  a rotação de cultura com o trigo. "Só trigo todo ano causa muitas doenças e intercalando com a canola é como se limpasse o solo. Até é possível produzir cerca de 10 sacas/ha a mais na safra de trigo do próximo ano. Mas plantar canola todo ano na mesma lavoura deixa um resíduo prejudicial no solo, então tem que intercalar", conta o produtor.
O agrônomo confirma que a oleaginosa é excelente no sistema de rotação de culturas, pois acaba favorecendo as outras produções, além de ser rentável. "Diminui muito em termos de doença, fungos ou outros patógenos do solo. Há também um controle muito eficiente sobre gramíneas. Outro fator é que são várias culturas em um ano na mesma lavoura.  O plantio da canola é feita logo após a colheita da soja,  em setembro pode fazer uma safrinha de painço, e em dezembro plantar soja novamente".

Planta sensível exige cuidados


O cuidado para uma boa produtividade vem desde o plantio. No início da plantação até o fim do ciclo as condições climáticas como umidade e temperaturas amenas devem estar presentes para que todas as plantas cresçam de forma uniforme e na época de maturação estejam ideais para colheita. "Se ela nascer desuniforme, a floração e a maturação também serão, por isso que 70% da cultura depende de um bom nascimento", assegura Renato.
Neste caso para se obter uma maturação uniforme é utilizado um herbicida para dessecar a plantação, evitando perda de grãos antes da colheita, devido a sensibilidade da síliqua (vagem). "A canola não seca como a soja e o milho. Se esperar ela secar conforme essas culturas; chove e estoura a síliqua, perdendo produção. Quando a síliqua está seca, com qualquer força ela estala e os grãos caem", explica.
Durante o crescimento os cuidados são com as doenças que podem atingir a plantação, mas nesta propriedade o agrônomo esclarece que a semente é um híbrido que se adapta bem na região noroeste, sendo resistente a maioria das pragas. Só foi necessário aplicação de veneno para prevenir a lagarta, assim a cultura utiliza menos agrotóxicos, se comparada às outras.
A desvantagem apontada pelo agrônomo, e o motivo para poucos adeptos ao cultivo da canola é em relação às perdas de grãos antes e durante a colheita. "Se chove muito na época de floração pode ocorrer a doença chamada mancha de alternaria, o que acarreta queda das folhas e de grãos".




Grãos que alimentam e geram energia

Óleo de cozinha, farelo para alimentação animal e biodiesel são algumas das finalidades da canola. A produção de Carnelutti tem venda garantida para uma empresa de Giruá  que produz óleo de cozinha.
Segundo o agrônomo a canola tem potencial de produção de 40% de óleo, sendo cada vez mais incentivado o plantio devido ao aumento da demanda pelo óleo, considerado mais saudável. Pois quando empregado para a alimentação humana, apresenta boa qualidade, substituindo o de soja e possibilitando reduzir o mau colesterol e o risco de doenças coronárias.


Produção de poucos adeptos
O cultivo de canola no Brasil iniciou em 1974, no Rio Grande do Sul, e nos anos 1980, no Paraná, sendo os estados do Sul os maiores produtores. Na região administrativa de abrangência da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, que inclui 45 municípios do noroeste missões, a área total cultivada é de 4,9 mil hectares. Um número baixo se comparado às outras culturas.
O rendimento médio previsto é de em torno de 22 sacas/ha, o que totalizará aproximadamente 107 mil sacas. A área cultivada na região já foi maior em anos anteriores, informou a Emater Regional.
Em Três de Maio, segundo o engenheiro agrônomo Fábio Karlec, no município tem poucos produtores de canola. "A cultura já foi mais expressiva em anos anteriores, principalmente no início da década de 80 (1981 e 1982, quando se iniciou o plantio comercial no município", explica. No entanto, pelas dificuldades apontadas a produção foi diminuindo gradativamente. Conforme informação da Emater local, nesta safra, existe em torno de três produtores cultivando a planta no município.
Fotos: Deisi Fabrim



Indicar a
um Amigo

Comentários

Deixe a sua opinião

Veja Também

14/12/2018   |
28/09/2018   |
27/07/2018   |
18/05/2018   |
27/04/2018   |
02/03/2018   |




Todos os direitos reservados - Jornal Semanal - Três de Maio - RS