Segunda-feira, 12 de novembro de 2018
Ano XXX - Edição 1533
(55) 3535-1033
jsemanal@jsemanal.com.br
diagramacao@jsemanal.com.br

Eu ainda confio no ser humano

13/06/2014 - Por Jornal Semanal
Tweet Compartilhar
Gustavo Griebler*

Estava na fila do laboratório para retirar alguns exames. Pedi para um guri passar na frente, pois estava aguardando a atendente localizar os meus. Ele estava com a calça embarrada e a bota da mesma forma. Um sujeito muito simples. Talvez passara a noite trabalhando, ou recém começado. Ou talvez estava usando a mesma roupa há dias. Ele solicitou os exames da esposa. A moça prontamente lhe alcançou, no que, ao mesmo instante, ele disse que faltavam 17 reais, pois somente havia pago 50 e eram 67. A moça não sabia, não havia nada anotado. Fui embora, não vi o fim da história. Mas tenho a plena certeza que ele não deve ter arredado o pé de lá enquanto não entregara os 17 reais restantes.

Paralela a esta história, me deparei recentemente com uma postagem no Facebook contando de um costume muito bonito de uma tribo africana, na qual se alguém faz algo prejudicial ou errado esta pessoa é levada ao centro da aldeia, com a tribo o rodeando e por dois dias lhe proferindo todas as coisas boas que já fez. A tribo pensa no ser humano como alguém bom, que almeja somente coisas boas e, quando alguém comete algo de errado, na verdade isso é encarado como um pequeno desvio de rota que tem de ser corrigido imediatamente.

Lembrei-me também de um filme que olhei há um tempo atrás, intitulado "O primeiro mentiroso", que contava a história de uma sociedade em que a mentira não existia, até o dia em que um homem necessitou de dinheiro e, no seu banco, mentiu que o que havia na conta era mais do que lá estava, no que o atendente prontamente lhe atendeu, depositando mais dinheiro, já que devia ser um problema do sistema. O sistema estaria errado, a pessoa não. Naquela sociedade, aquele homem foi o primeiro mentiroso.

Por tudo e apesar disso, eu, talvez contra muita gente, ainda acredito e confio no ser humano. Somos bons, talvez nos corrompamos e sejamos corrompidos pelo sistema que nos cerca e do qual fazemos parte, mas por natureza somos bons. É do instinto humano nosso aspecto bondoso e de afeto para com nosso semelhante. O roubo, o sofrimento do outro e outras coisas maléficas não deveriam nos trazer prazer, pelo contrário. Se isso foi desvirtuado pode e deve ser recuperado. Façamos o bem, não custa nada.

* Mestre em Educação nas Ciências.
Professor de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Instituto Federal Farroupilha - Câmpus Panambi.
Professor de Ensino Superior da Faculdade Três de Maio.




Indicar a
um Amigo

Comentários

Deixe a sua opinião

Veja Também

09/11/2018   |
19/10/2018   |
11/10/2018   |
05/10/2018   |
28/09/2018   |
21/09/2018   |




Todos os direitos reservados - Jornal Semanal - Três de Maio - RS