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Amor incondicional: Mãe se dedica a filha especial há meio século

30/06/2014 - Por Jornal Semanal
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O que dizer de uma mãe que há  50 anos se dedica a filha especial, completamente dependente para absolutamente tudo? Ela é Lúcia Dalcin Telka, 74 anos, natural e residente de Rocinha, Três de Maio,  mãe de seis filhos, frutos do casamento com Francisco Telka (em memória).
A filha Maristela que neste sábado, dia 28, completa 50 anos, foi acometida de convulsões desde o seu segundo mês de vida e, segundo a mãe,  não há diagnóstico preciso sobre o que ocorreu com ela.  
O que se sabe é que Lúcia nunca hesitou em dar carinho para a  filha e que sua vida passou a  girar em função de Maristela, já que necessita de cuidados constantes.
A redação do Jornal Semanal decidiu contar essa história sob a perspectiva que mais se destaca: dedicação e amor.

Sem diagnóstico até hoje
Aos 18 anos, quando se casou com Francisco, Lúcia se imaginava matriarca de uma família numerosa, natural para uma mulher naquela época e procedente de um lar de  nove irmãos. Da união nasceram Bernardete, Mário, Irineu, Maristela, Marinês e Gilmar. Porém, o destino quis que Lúcia e Francisco tivessem uma missão especial. Cuidar da filha Maristela,  portadora de necessidades especiais. "Ela nasceu no HSVP, tudo normal, e em quatro dias voltamos pra casa. Com quase quarenta dias começou a sofrer convulsões, mas diziam que era o tal de "pasmo" que dava nas crianças. Se passaram alguns dias e as crises eram mais seguidas, amolecia todo o corpinho, ela não segurava a cabeça, tipo um desmaio", explica Lúcia.
A progenitora, percebendo que havia algo de errado, falou ao marido para procurarem um médico, recurso que utilizavam apenas quando estritamente necessário. "Consultamos o primeiro médico e, na época, ele não realizou exames, mas receitou o medicamente Gardenal".
Como as convulsões não pararam, os pais buscaram uma segunda opinião e, apesar das crises continuarem, a mãe diz que a filha apresentou melhora, na época com quase três anos. "Neste período um especialista em doença de criança mudou-se para Três de Maio e a levamos até ele, que fez muitos exames e constatou que ela tinha uma mancha de sangue no cérebro e recomendou que a levássemos para Porto Alegre. Eu e Francisco nos "desacorçoamos", pois eu já estava esperando outro bebê, não tínhamos muitos recursos financeiros, por fim, não fomos", recorda Lúcia, dizendo que as convulsões pararam quando a filha tinha oito anos.
Lúcia rememora que antes das convulsões  Maristela se desenvolvia bem, era gordinha, um bebê muito bonito. "Mesmo depois, quando era "molinha", e tínhamos que carregá-la no colo, quando  chegávamos na comunidade, todos queriam ajudar a cuidar, principalmente as 'meninotas grandes', amigas da Bernardete, que corriam para tirar ela dos meus braços,   e ela ia com todo mundo", conta
.

Tentativa na APAE
Procurada por profissionais da APAE, Lúcia tentou levar a filha na escola, mas a frequência de Maristela não durou muito. "Quando chegávamos lá ela começava a gritar, se assustava , estranhava as pessoas.... Era muito sofrido e decidimos por cuidá-la em casa", conta a matriarca, que tem na terra o sustento familiar, e acrescenta que não conta com nenhuma ajuda do governo ou aposentadoria para a filha, apesar de várias tentativas.

Saúde Forte
Apesar da condição, Maristela nunca apresentou outro problema de saúde, tendo em 50 anos,  internado no hospital uma única vez, por problemas dentários. "Às vezes ela toma calmante para dormir, porque fica muito nervosa, agitada", diz a mãe,  que na maioria das vezes entende quando a filha está com alguma dor.
 
Dia e Noite
Nestes últimos 50 anos, dia e noite, Lúcia vive em função da filha e a rotina não é fácil: é trocar a fralda, dar banho, vestir, dar de comer, todos os cuidados que ela exige. A mãe revela que conhece quase todos as manifestações da filha.   "Com o tempo aprendi  a lidar com ela, sei se ela gosta das coisas ou não. Nem todos entendem, mas eu que lido com ela todos os dias percebo e, se por acaso me atraso, quando ela tem fome, por exemplo, grita. Quando eu lido com as panelas e começo a ajeitar o prato dela, se ela está em outra peça da casa que não na cozinha, ela ouve e tenta se comunicar comigo fazendo ah, ah, e quando me vê fica feliz da vida", conta a mãe emocionada, que diz ainda que quando precisa se ausentar tem a ajuda da filha Bernardete para cuidar de Maristela.

Quanto menos barulho, melhor
Para Maristela, quanto mais silêncio melhor. Não gosta de assistir TV ou escutar música, mas gosta muito quando o cachorro e os gatinhos estão por perto, acha graça e dá risada. "Ela gosta quando os sobrinhos empurraram a cadeira de rodas, passeiam e correm com ela,  se larga numa risada, se diverte muito".

Vizinhas solidárias
Maristela usa fralda desde sempre e os gastos são muitos. "Tenho vizinhas muito boas, que me ajudam. Seguidamente ganho pacotes de fraldas, porque elas querem fazer um bem pra ela e isso me deixa muito feliz", revela Lúcia.

Renúncia
Algo que entristece um pouco a família e que Lúcia lamenta, é o fato de não poderem sair todos juntos. "Quando temos uma festa, por exemplo, alguém tem que ficar em casa, porque a Maristela não gosta de sair. Quase sempre vou à missa pela manhã e, à tarde, fico em casa. Renunciamos muita coisa, mas nunca deixamos ela sozinha", confessa. Além disso, é uma companhia, ainda mais depois que o esposo de Lúcia faleceu, há 21 anos, no mesmo dia em que a Maristela faz aniversário. "Tenho nela uma razão de vida, somos nós duas sempre, e isso me mantém forte".

FOTO: ALINE WINTER



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