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Existe guerra justificada?

04/07/2014 - Por Jornal Semanal
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Rafaela Conz da Costa e
Carolina Beatriz Sipp*
 

Se podemos afirmar que multidões enfurecidas são irracionais, então o que dizer dos líderes que provocam essas massas? "Nossa teoria é que guerras são iniciadas por pessoas, não por  ideologias. E pessoas frequentemente tomam decisões apressadas e estúpidas", escreve o jornalista norte-americano Michael Prince, coautor de Guerras Estúpidas - Um Guia Sobre Golpes Fracassados, Ações Sem Sentido e Revoluções Ridículas, escrito em parceria com Ed Strosser.

Uma guerra deveria ser o último recurso utilizado pelos governos, quando todas as formas de negociações não tivessem mais resultados, pois trata com a destruição de vidas e lares. Porém o que se vê, nos estudos de história são exemplos de ações impulsivas, mal planejadas, iniciadas por pura ganância de governantes e total ignorância dos governados.

Há cem  anos, no dia 28 de junho de 1914, um jovem sérvio com alguns tiros condenou 10 milhões de pessoas à morte (nas estimativas mais conservadoras). Como ele fez isto? Criando o pretexto ideal que as potências capitalistas europeias queriam na época: uma justificativa para o início de uma guerra total, ou seja, o prelúdio da 1ª Guerra Mundial.

Belle Époque, assim que é conhecido o período que antecedeu a Primeira Guerra Mundial. Época de grandes avanços tecnológicos e invenções que fizeram os europeus acreditarem que o mundo nunca mais voltaria à barbárie das guerras.

 Tivemos o invento do primeiro meio de comunicação à longa distância - o telégrafo, que foi o precursor do telefone, a energia elétrica, o automóvel, o avião, nem mesmo o céu era o limite. O clima de euforia fez a humanidade esquecer que escondido dos olhos do mundo havia uma guerra silenciosa, uma guerra de mercado, países explorando continentes inteiros, povos sendo massacrados, torturados, escravizados, em nome da liberdade de mercado e do consumo burguês. Porém, não foram os tiros do garoto sérvio a verdadeira causa do início da primeira grande guerra, mas sim, a disputa das potências europeias pelo controle do mundo.

 A maior ironia da primeira guerra era o pensamento das pessoas comuns que foram à guerra. Patriotismo, heroísmo, glórias!

Tudo isso levava a crer que ambos as lados venceriam fácil seu adversário, pois a crença em superioridade racial era uma verdade inegável para a época. Essa ignorância científica, aliada a propaganda de guerra, com apelo aos valorosos, aos corajosos, tudo isso levou milhões de jovens à morte e mutilação nos campos lamacentos ou nas sujas trincheiras da Europa do início do século 20, enquanto bancos e empresas de armas ficavam "podres" de ricos. Como a velha máxima: os velhos declaram guerras, mas são os jovens que nelas morrem!

Valeu a pena tudo isso, todo esse sacrifico? A guerra foi justificada? Houve vencedores? A única certeza é que com o fim da primeira guerra, abriu-se uma desculpa para os derrotados buscarem uma vingança, o que aconteceu vinte anos depois com a segunda guerra mundial, onde houve mais mortes, mutilações, massacres e o pior de tudo: o Holocausto judeu.
  
Cem anos depois, parece que o mundo não aprendeu as lições do passado. Guerras civis violentas (Síria, Iraque), intolerância religiosa (Afeganistão, Irã), ódio ao diferente (judeus e palestinos) e as velhas disputas de poder entre potências (Rússia e Estados Unidos) nos deixam incertezas e questionamentos: o que leva o ser humano a justificar a guerra e a morte? Quando se passa a olhar os adversários como se não fossem serem humanos, eles "não provocam mais compaixão e respostas morais, e devem sofrer de violência como resultado", escreveu o sociólogo Herbert C. Kelman, da Universidade de Harvard.

Em um mundo onde a banalização da violência tornou-se algo "engraçado", que se deve "Curtir", o que nos impede de governos mal intencionados usar a massa desinformada para conseguir seus interesses? Apenas a educação, o conhecimento, o real entendimento do passado e o bom senso podem nos livrar daquilo que aquelas pessoas há cem anos não puderam evitar: a própria ignorância!

*Alunas do terceiro ano do Ensino Médio da escola Castelo Branco,
sob orientação do professor de História Edivã Faoro.



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