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CÉLULAS-TRONCO: HSVP realiza coleta de sangue do cordão umbilical

24/08/2012 - Por Jornal Semanal
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O Hospital São Vicente de Paulo de Três de Maio (HSVP) oferece, desde o ano de 2010, o serviço de coleta de sangue do cordão umbilical, para posterior armazenamento de células-tronco. Conforme a enfermeira responsável pelo serviço, Taísa Adriana Schneider, até o momento foram realizadas cinco coletas no HSVP. O valor do serviço é em torno de R$ 4 mil, além de uma taxa que é paga por ano para deixar o material armazenado.
A enfermeira explica que o serviço é disponibilizado através da parceria entre HSVP e Hemocord Banco de Células-Tronco de Porto Alegre, um banco de cordão umbilical que atua desde 2004 no Estado.
Taísa ressalta que segundo estudos recentes, a quantidade de células-tronco presentes no sangue de cordão umbilical é suficiente para transplantar e recuperar completamente a medula óssea de um adulto. "As células-tronco presentes no cordão umbilical são mais imaturas imunologicamente, causando menos rejeição pós-transplante quando comparado a células de medula óssea".
Outro fator relevante é que o número de células-tronco de cordão umbilical necessária para transplante para uma total recuperação da medula óssea é significativamente menor quando comparado à quantidade necessária retirada da medula óssea. "Em caso de necessidade de uso, o sangue de cordão umbilical que foi armazenado, está imediatamente disponível. Entretanto, se for necessário recorrer a um banco de medula óssea, o tempo entre o contato com o doador e o transplante, poderá levar meses", justifica.
De acordo com a enfermeira, diante dos resultados de pesquisas para tratamento de doenças degenerativas e incapacitantes como a insuficiência cardíaca, o infarto agudo do miocárdio, doença de Chagas, o diabetes, as paralisias por traumatismos raqui-medulares, a esclerose múltipla, a probabilidade de uso dessas células no futuro é crescente. "É importante ressaltar que estas pesquisas são realizadas com as células-tronco do próprio indivíduo, e não de doadores, evitando assim a rejeição. Atualmente inúmeras doenças podem ser tratadas com transplante autólogo de células-tronco".
Neste sentido, Taísa reforça que um dos principais motivos para o armazenamento do sangue seria porque a chance de achar um doador de medula óssea ou e de sangue de cordão compatível, em caso de necessidade de transplante para doenças como a leucemia e outros tumores infantis, é de 1 em 1 milhão, ao passo que entre parentes de primeiro grau é de 1 em 4. "Por isso, torna-se interessante manter o sangue disponível para a família. Sem falar que, dependendo da doença, o sangue do cordão poderá ser utilizado pela própria criança, com risco nulo de rejeição".


Enfermeira do HSVP, Taísa Adriana Schneider


Como funciona a coleta
A coleta do sangue a partir do cordão umbilical acontece durante o parto com duração média de 3 a 5 minutos.
O material é transportado, acondicionado em bolsas térmicas com monitoramento digital de temperatura e identificação detalhada até a central de armazenamento.
O obstetra deve ser comunicado sobre o desejo de armazenar as células-tronco do bebê.
Em caso de agendamento do parto, informar local e horário para programação da equipe do Hemocord com antecedência.

A importância de armazenar
É uma alternativa aos bancos de medula óssea em caso de necessidade de transplante, pois a chance de compatibilidade entre familiares é muito maior em relação a um doador sem parentesco.

Processo é indolor e não apresenta riscos
O procedimento é indolor e sem riscos para a gestante e para o bebê. O material biológico do cordão contém células mais jovens e com maior potencial regenerativo.
As células-tronco do próprio bebê (autólogas) são 100% compatíveis com o organismo em caso de futuros transplantes.

O que é Hemocord
É um banco privado de cordão umbilical fundado por médicos obstetras e criobiologistas que atua desde 2004. Atende com ênfase nos estados Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
No laboratório ficam os tanques de nitrogênio líquido que armazenam o material coletado. O Hemocord oferece estrutura para armazenar e disponibilizar as células-tronco do cordão umbilical para qualquer centro de transplante do mundo.
O Hemocord está localizado na Av.Carlos Gomes, 1610, em Porto Alegre, fone (51) 3019-3450 / 0800-600-3450. O site é www.hemocord.com.br.

Casal de Três de Maio opta pela preservação do cordão umbilical
A exemplo de vários casais que optam pela preservação do sangue de cordão umbilical como alternativa para o tratamento de futuras doenças, Roselaine  Cristina dos Santos e Tiago Benedetti optaram pela conservação do importante material biológico em laboratório. Para o casal, o acontecimento teve uma emoção a mais, já que tratava-se do nascimento da primeira filha, Helena Luisa Benedetti.
A coleta foi realizada no momento do parto de Helena, no último dia 30 de julho, pela enfermeira responsável Taísa Adriana Schneider, no HSVP.
Segundo Tiago, a iniciativa de armazenar as células-tronco do cordão umbilical da filha partiu do casal "Buscamos informações no hospital, com o médico ginecologista e obstetra Danilo Motta, que nos indicou a enfermeira Taísa. Depois, ela entrou em contato com o Hemocord e realizou o procedimento".
Para o pai de primeira viagem, a coleta funciona como se fosse um "seguro". "Fizemos a coleta mas torcemos para que nunca seja preciso utilizar. Na verdade é uma opção que temos para um tratamento futuro. Achamos importante e considerando o valor, até não é tão alto tendo em vista o benefício que virá a ter, caso necessário. Além do custo, tem uma taxa que pagaremos por ano para deixar o material armazenado".
Outro fator que influenciou na decisão do casal foi o fato do método ser indolor e não oferecer riscos para a mãe e para o bebê. "São coletadas células-tronco que na verdade seriam descartadas. Uma coisa é certa, se tivermos mais filhos, vamos fazer a coleta também".
De acordo com a doutora em Ciências e especialista em reprodução humana, Karolyn Sassi Ogliari, as células-tronco de cordão umbilical constituem uma alternativa para futuros transplantes no tratamento de mais de 80 doenças do sangue e a preservação desse material representa uma importante prevenção. "O momento do parto é a única forma de coletar as células-tronco sem riscos de complicações anestésicas ou cirúrgicas", explica.


Tiago e a esposa Roselaine, com a primeira filha,
Helena Luisa Benedetti

Fotos: Divulgação/JS




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