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Minha amiga cerejeira japonesa - uma história real.

25/07/2014 - Por Jornal Semanal
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Por Juliana Dummel*

Dedico estas palavras à minha rosa Angelina.


Os livros e suas histórias vêm me encantando ao longo dos anos. E me apresentaram ótimos amigos. Dois deles são Pollyanna e Pequeno Príncipe. Os dois têm muito em comum: escolhem a simplicidade e a alegria.  A Pollyanna, com espontaneidade e carisma, nos ensina através do seu jogo que em todas as experiências, mesmo nas mais dolorosas, encontramos algo para ficar contente. O Principezinho nos apresenta fórmulas para trazermos a doçura e a pureza da criança para a nossa rotina de adulto. E nos revela um segredo, que se posto em prática, soluciona tudo isto que chamamos de problema: "O essencial é invisível para os olhos". E, além disto, nos emociona com a dedicação aos seus amigos: uma rosa e uma raposa. Ele nos perguntaria: Por que não a amizade com uma rosa?

E eu lhes pergunto: Por que não a amizade com uma árvore?  Com um bom livro? Com uma criança?

Pois é sobre amizade que quero falar... Venho compartilhar com vocês a minha tristeza pelo  ocorrido com uma bela amiga: a cerejeira japonesa da Praça da Bandeira de Três de Maio.

Nas primeiras duas semanas de julho, frequentei a praça com meus três pequenos filhos, -  Angelina, Mateus e Miguel - e conheci esta pequena árvore vivendo seu auge de beleza. Era ainda muito jovem, pequenina, menor que eu, 1, 60 de altura talvez. No entanto, centenas de flores rosa pink a enfeitavam. A exuberância da pequena cerejeira embelezava aquele ambiente de brincadeira. Fotografei-a,  mostrei-a às crianças, elogiei o vigia da praça pelo cuidado com as árvores, convidei os parentes a irem conhecer e admirar minha "amiguinha" florida. E ela retribuía... cada dia se apresentava mais linda e exibida. Ela me cativou e a amizade foi inevitável...

No sábado, dia 19, fui à praça, outra vez, com os dois meninos... e me deparei com um tronco sem vida entre quatro estacas de madeira. A arvorezinha havia sido totalmente destruída. Mataram-na, aparentemente, com um único golpe.

Chorei. Ela não estava mais ali, ela não fará mais parte das minhas horas de lazer com os meus filhos na praça.

Precisei da ajuda de Pollyanna para jogar o jogo e encontrar algo de bom naquela triste cena. Fechei os olhos e vi Pollyanna falando: "Eu queria uma boneca, mas na bolsa de doações veio um par de muletinhas... aí meu pai disse que eu deveria ficar contente porque eu não precisaria usá-las!"

Sim, Pollyanna, é verdade. É sempre possível. Vou ficar feliz porque eu conheci aquela árvore. Por duas semanas,  eu a admirei e ela fez meus dias mais felizes. Eu a amei. E ela me deu mais certeza de que estou escolhendo bem minhas amizades.

Minha pequena Angelina, de 6 anos, tem medo de crescer porque  já percebeu que o mundo dos adultos é sério, chato, carrancudo. Então, peço a ela que fique tranquila e explico que todas as noites, ao dormir, eu visito o planetinha do Pequeno Príncipe e ele me dá ótimas dicas para que nós possamos ser crianças para sempre.  É ele que me ensina que devemos dar mais tempo para a música, para os livros, para as flores, para as crianças... e menos tempo para os números.

Eu acredito que somos aquilo que amamos.  Por isso, no final das contas, encontrei outro excelente motivo para estar contente: devo ficar contente do motivo que me entristeceu. Eu fiquei triste porque minha amiga cerejeira se foi, e não fiquei triste porque as ações caíram, porque ninguém "curtiu" a foto que postei no Facebook ou porque não tenho dinheiro para comprar uma bolsa Victor Hugo.

*Odontóloga



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