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Profissionalismo feminino em universo masculino

25/07/2014 - Por Jornal Semanal
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Luciana da Rocha abandonou a carreira de colorista em uma gráfica e partiu para uma nova área: mecânica. Prática que exerce com excelência, afinal, mesmo sendo considerada tipicamente masculina, a profissão requer mais técnica do que força, nada que uma mulher não consiga fazer.

Mais de uma década e meia se passou desde um fatídico e histórico 'oito de março' em que operárias americanas de uma fábrica de tecidos fizeram uma greve para reivindicar melhores condições de trabalho e tratamento digno. Reprimida de forma violenta, a manifestação culminou na morte de 130 mulheres. Mal sabiam essas precursoras que nesta data passar-se-ia a celebrar o Dia Internacional da Mulher e que muitos aspectos mudariam a favor do sexo feminino.
 
A desigualdade entre os gêneros foi amenizada e mulheres conquistaram muitos direitos. Ainda assim, indicadores deixam claro que o preconceito existe. Segundo o IBGE, no Brasil a média de escolaridade das mulheres é maior que a dos homens, porém eles ainda ganham mais. Isso não interrompeu o processo evolutivo delas, que seguem rompendo a barreira do universo deles e exercendo profissões consideradas tipicamente masculinas.



Precursora na região
Luciana da Rocha, 40 anos, que o diga. Formada em Educação Artística, com habilitação em Desenho, desde 1995, a gaúcha natural de Guaporé e residente em Santa Rosa, trabalhou muitos anos como colorista em uma gráfica até que resolveu se qualificar em uma área totalmente diferente. "Tudo começou em dezembro de 2008 quando fiz o curso de 'Motores Ciclo Otto' no SENAI Santa Rosa e recebi proposta de trabalho. Abandonei a profissão e parti para esse novo campo. Trabalhei em oficina multimarcas de 2008 a 2010. Larguei um currículo em uma Concessionária da Chevrolet, de Santa Rosa, onde estou até hoje, quatro anos de trabalho com muito amor, dedicação e empenho".
A primeira mecânica contratada da Concessionária Chevrolet, há apenas outra trabalhando na mesma rede, porém na cidade de Santiago/RS, Luciana foi também a única mulher a se formar em abril deste ano no Curso Técnico em Manutenção Automotiva (CTMA) da Setrem, oferecido pela Instituição desde janeiro de 2012, e que atualmente conta com mais uma mulher cursando o CTMA.

A primeira formanda no CTMA 
 Segundo o coordenador do curso, Ocimar Arnemann (Nego), Luciana quebrou um tabu em relação a esta profissão exercida até então só por homens em oficinas do interior do Estado. "Hoje o mercado está absorvendo e inclusive pedindo profissionais femininas para o setor. Esta já é uma realidade nas grandes empresas de cidades maiores. A maioria dos carros fabricados atualmente são detentores de excelentes tecnologias e a sua manutenção não interfere na feminilidade da mulher. Este mercado de trabalho está em ascensão, tornando-se uma excelente alternativa".
Questionada sobre sua representatividade no curso, Luciana respondeu que compreende que a maioria das mulheres até gostam do assunto, mas deixam para os homens a parte prática. "Eu estou neste ramo por acreditar e gostar do meu trabalho, tratando muito bem dos carros, indiferente de modelos, e clientes que atendo", compartilha a técnica que diz que o preconceito e machismo ainda existem, mas o que vale mesmo é trabalhar no que se gosta sendo bom profissional e buscando a excelência. "Se passei por algo desagradável, não foi nada que me abalasse e sim motivo de ter força e crer naquilo que faço e gosto".

Competência confirmada na teoria e na prática
Quanto a preferências da área, Luciana comenta que a parte mecânica não sofreu muitas modificações desde seu surgimento. "O que muda diariamente é a parte eletrônica, esta evolui crescentemente e me fascina pelo seu funcionamento", esclarece, afirmando ainda que pretende continuar os estudos, pois nesta área é fundamental a atualização para ser um bom profissional.

Luciana destaca que o apoio da família, principalmente dos pais, tem papel fundamental em sua vida. "Importante também salientar o apoio que recebo da Equipe Nicola Veículos por apostar, acreditar e incentivar sempre meu trabalho. Mês passado fiquei classificada na Olimpíada Chevrolet em segundo lugar entre os três melhores técnicos da Chevrolet do RS, e participarei em setembro na final estadual em Porto Alegre, sendo que o melhor de cada Estado passa para a final nacional em dezembro na fábrica da GM, em São Paulo", conclui a mecânica, dizendo ser uma mulher muito feliz e realizada, agradecida a Deus todos os dias, por tudo.






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