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Gerações unidas pela estrada

25/07/2014 - Por Jornal Semanal
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Quando o gosto pela profissão está no sangue, não adianta buscar outro caminho. No caso da família Bandeira, essa frase é bem apropriada. Residente em Três de Maio, eles têm a estrada como seu segundo lar, com passagem por diversos estados brasileiros, onde fazem amigos e conhecem novos lugares.
No dia do Colono e Motorista, nada melhor do que apresentar uma família proveniente desses dois estilos de vida: filha de agricultores do Km 13, Maria Angela se casou com Luis, filho de motorista e que seguiu a profissão do pai. Os dois filhos do casal, Felipe e Eduardo, praticamente criados na estrada, hoje também são motoristas de caminhão, seguindo os passos do avô e do pai, dando assim continuidade a essa profissão que, há décadas, faz parte da família Bandeira, também conhecida como "Bandeirinha" pelos lugares por onde passam.


Primeira geração
Segundo Luis, o pai Silvio, foi quem iniciou a linhagem de motoristas da família Bandeira. Falecido há onze anos, Silvio Bandeira nasceu em Ijuí, mas se criou no interior de Três de Maio, localidade de Consolata. "Quando faleceu, ele tinha 71 anos de idade e 52 de estrada e ainda estava na ativa como motorista", lembra Luis. As grandes distâncias sempre fizeram parte da rotina dos motoristas da família Bandeira que, desde o tempo do avô, Silvio, tem seu trabalho concentrado majoritariamente em outros estados, fora do Rio Grande do Sul.

De pai para fillho
Luis Bandeira conta que seu início como motorista profissional se deu no ano de 1982, quando tinha 22 anos. Quando criança, algumas vezes ele dividiu a cabine do caminhão com o pai nas viagens, mas maior ainda foi o número de vezes que Luis dividiu a cabine com seus filhos, Felipe e Eduardo. "Nas férias do colégio era certo que, já na primeira semana, íamos viajar com o pai e a mãe", conta Felipe.

Segundo Maria Angela, esposa de Luis e mãe de Felipe e Eduardo, com o tempo, as viagens pra longe acabaram fazendo parte não apenas do trabalho, mas também do lazer da família. "A gente viajava muito para o Mato Grosso e para a praia com as crianças", diz Angela, ressaltando que, hoje, os postos já não têm mais aquele aspecto acolhedor, com estacionamento para as famílias que paravam para passar as férias, como acontecia  anos atrás. 

Filho mais velho de Angela e Luis, Felipe, 27 anos, diz que até chegou a trabalhar por três anos em uma metalúrgica, enquanto fazia o curso de técnico em Informática na Setrem, mas a vocação falou mais alto e, após nove meses de treinamento, ele estava pronto para viajar sozinho como motorista. Para a mãe foi difícil aceitar essa situação, até porque, logo depois que Felipe anunciou sua decisão, o irmão Eduardo, hoje com 20 anos, fez o mesmo. "A única coisa que pedi pra ele (Eduardo), na época, foi para que terminasse o ensino médio antes de ir pra estrada", conta Angela, acrescentando que chegou a chorar muito pela decisão dos filhos, por saber das dificuldades da profissão.

Trabalho
A família Bandeira confirma a importância dos agricultores para o desenvolvimento do seu serviço, já que as cargas que eles costumam "puxar" (flocos de aveia, linhaça, chia, sementes de girassol, canola etc.), são todas provenientes da atividade agrícola, sendo que a maior parte das cargas é destinada ao estado de São Paulo.
Sobre as mudanças ocorridas na profissão com o passar dos anos, Luis comenta que, hoje em dia, está mais difícil trafegar devido à situação das  rodovias do país, definidas pelo motorista como sucateadas e esburacadas. "Para sair do nosso Estado, temos que ver por onde estamos passando e o maior problema está sendo os roubos, mas, em 31 anos na estrada, nunca me aconteceu nada".    
Quando questionado sobre a situação das rodovias do Rio Grande do Sul, Luis ressalta que o território gaúcho apresenta uma das piores condições de tráfego do país.  Apesar dos percalços, o trabalho na estrada proporciona muitos e bons momentos e amizades,  feitas no decorrer dos anos e que dificilmente são esquecidas. "Já faz onze anos que eu perdi meu pai e hoje ainda tem gente que pergunta por ele", revela Luis.  

A nova geração
No dia 25, celebra-se também o dia de São Cristóvão, padroeiro dos viajantes e motoristas. Eduardo,  há um ano e meio na profissão,  é o mais jovem motorista da família. Ele revela que sempre antes de ir para a estrada pede pela proteção, firmeza e vigilância de São Cristovão,  para que chegue ao seu destino.   Os jovens irmãos representam o amor pela estrada que há três gerações guia a família e, quem sabe, daqui a alguns anos, o recém-nascido Fabrício Silvio, filho de Felipe, seja o primeiro Bandeirinha motorista da quarta geração.

ESPECIAL COLONO E MOTORISTA - 25 DE JULHO DE 2014




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