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Grandes tecnologias para pequenos agricultores

25/07/2014 - Por Jornal Semanal
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O  grande esforço em pesquisa para o fortalecimento da agricultura passa diretamente pela tecnologia. Se há décadas esta palavra soava como possível apenas ao grande produtor, atualmente ela mudou de parâmetro e está muito presente na vida do pequeno agricultor. A baixa produtividade ficou no passado para quem permitiu que a tecnologia fizesse parte do cotidiano da propriedade. Ciência e tecnologia focadas na realidade deste segmento, sem grandes custos e com amplas possibilidades de retorno, permitem que o agricultor vislumbre um leque de possibilidades para que sua propriedade seja - ainda mais - rentável. 

Participação em eventos e palestras, consultorias de empresas privadas e instituições públicas, incentivos e financiamentos, trabalho cooperativo e informação afastaram o pequeno produtor do isolamento tecnológico, o colocando em condições de alavancar produtividade e lucratividade, consolidando-se na atividade rural. O desafio atual é fazer com que ele consiga avaliar o que melhor se aplica à sua propriedade e, fazer das diversas opções de tecnologias disponíveis uma constante em seu crescimento, modernizando equipamentos e, principalmente, processos.

Tecnologia em processos
Marcos Caraffa, coordenador do Bacharelado em Agronomia da Setrem, ressalta que há muito destaque para os produtos, mas que o produtor deixa de lado uma questão que precisa ser lembrada e valorizada: os processos. "A tecnologia em processos não tem espetacularização e não pode ser vendida, pois isso não ganha os holofotes. Mas é através dela que o produtor pode fechar o ciclo para produzir mais e com maior qualidade, independentemente de sua área de produção", destaca.

Um exemplo é o sistema de rotação de culturas, muito falado mas pouco efetivado, mesmo representando altos ganhos ao produtor, solo e ambiente. "Temos o plantio direto e o sistema de semeadura direta. Fizemos o plantio direto, mas não o sistema, que é um processo que envolve uma série de coisas, com observação da solução química necessária, mas dando a mesma atenção às condições físicas e biológicas do solo, permitindo que a planta consiga melhor utilizar os nutrientes aplicados. Tenho que ter um processo todo. Se eu não cuidar, vou gerar doenças, por isso a rotação é importante", complementa.

Na prática
Observar questões simples, mas importantes, é outro desafio. "O controle biológico na lagarta do cartucho, principal problema do milho, em termos de avanço tecnológico gerou o milho transgênico, com a colocação de proteínas no DNA do produto para a lagarta comer e morrer. Para ter continuidade, recomenda-se que ao menos 10% da área plantada seja de milho convencional, porque se uma lagarta consegue se reproduzir no milho transgênico, ela fica resistente, mas se cruzar com uma lagarta do convencional, vai perder esta resistência. Na prática, o pessoal não faz a área de refúgio e, assim, está se perdendo uma tecnologia, pois já existem lagartas com resistência às proteínas", explica Caraffa.

Um trabalho desenvolvido pela Setrem foi o controle biológico com vespas, que avaliado em comparação com demais alternativas e suas combinações - biológico, biológico mais inseticida, biológico mais biotecnologia e biotecnologia mais inseticida - deu a melhor relação custo-benefício.

Sem espetacularidade
"As condições de raízes com profundidades diferentes para extração de nutrientes dá equilíbrio maior. Quanto mais raiz, mais vida no solo, mais matéria orgânica, mais biologia, mais ganhos para a cultura e para a agricultura. Tudo isso não passa de observar os processos. Muitos batem nesta tecla, mas a dificuldade é botar a tecnologia de processos em voga, pois ela não tem espetacularidade", complementa Caraffa.

Segundo ele, pouco adianta ter material de alto potencial genético se não existem condições para que ele expresse este potencial. Uma vaca que pode produzir 40 litros de leite ao dia, se tiver problemas de alimentação, não manterá esta produtividade. Na planta, não basta só adubar. Há uma série de questões que devem ser consideradas e isso tudo faz parte do processo. O produto só se maximiza dentro de uma condição ideal para ele expressar os potenciais. O conjunto todo tem que funcionar: planta, solo e água", conclui o coordenador.

Confira a matéria completa no jornal impresso


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