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União para produção eficiente e contínua

25/07/2014 - Por Jornal Semanal
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22 agricultores se uniram em cooperativa, a Coopernoroeste, para viabilizar de forma mais eficiente a entrega dos produtos  da agricultura familiar para a merenda escolar da rede municipal 

No dia dedicado àqueles que movimentam diversos setores da economia de sua cidade, estado e país, o Jornal Semanal procurou não apenas entrevistar produtores, mas também saber o que de melhor está sendo feito em Três de Maio para estimular a produção dos agricultores e desenvolver a economia local. Nessa busca, encontramos um bom exemplo nas palavras dos membors da Coopernoroeste, cooperativa que surgiu recentemente em Três de Maio e, junto com apoio dos produtores e de todas as entidades locais, planeja estabelecer um novo sistema de trabalho em prol não apenas da geração de renda para a agricultura familiar como também para oferecer uma alimentação mais saudável às crianças e jovens.  

Uma nova iniciativa
Por ser uma cidade onde a presença da atividade rural é muito forte, Três de Maio apresenta uma grande demanda por gêneros provenientes da agricultura familiar. Um exemplo disso é a presença de produtos provenientes da agricultura familiar na merenda das escolas públicas, presença que ganhou força há alguns anos, após a entrada em  vigor da lei nº 11.947, a qual determina que no mínimo 30% do que os municípios brasileiros consomem na merenda escolar nas escolas públicas seja adquirido de agricultores familiares.

Essa lei, que veio como uma ótima notícia para a agricultura familiar, trouxe também uma nova situação para os municípios e entidades relacionadas ao setor. Em Três de Maio, esta necessidade resultou na elaboração de uma nova cooperativa, como explica o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Três de Maio e São José do Inhacorá, Pedrinho Signori, em entrevista ao Jornal Semanal: "Como alguns municípios têm dificuldade de adquirir esses produtos para alimentar os alunos, criamos a Coopernoroeste, que vem justamente com esse foco".

Organização
Conforme o gerente geral da nova cooperativa, Nelson Hammes,  a entidade quer, uma vez organizada, que os agricultores produzam de forma eficiente e contínua, entregando seus produtos na cooperativa, que, por sua vez, faz a separação baseada na quantidade necessária para cada escola e creche, ficando a cargo da Administração Municipal a retirada dos alimentos e transporte até seu destino (escolas ou creches).

Constituída no mês de maio, a cooperativa três-maienese foi criada para facilitar o acesso aos produtos da agricultura familiar, organizando a produção dos agricultores locais. As atividades ainda não foram iniciadas, mas Pedrinho, que também é presidente da Coopernoroeste, informou que as atividades da cooperativa já estão bem definidas. Segundo o presidente, os produtores associados vão levar  sua produção à cooperativa, que fará a distribuição para as escolas, que podem ser tanto de Três de Maio como dos municípios vizinhos.    
      
Segundo o presidente da Coopernoroeste, em conversas com a Administração Municipal, a cooperativa teve a confirmação de que, tendo demanda, a prefeitura garante a compra de 100% dos produtos da Coopernoroeste, que já tem toda a sua documentação interna organizada, contendo o registro dos 22 sócios-fundadores. É possível que, em agosto, tudo esteja em ordem para que a entidade inicie as atividades, tendo como sede o local anteriormente ocupado pelo Departamento de Agricultura Familiar (DAF) da Cotrimaio. 

Pedrinho também ressalta a importância da organização, não apenas para as escolas, como para os produtores. "O produtor tem dificuldade para levar, por exemplo, cinco quilos de bolacha para uma escola e, no outro dia, mais cinco para outra, mas a demanda é muito grande. Além das escolas, também há a possibilidade de destinar os produtos para entidades como o Exército e presídios, a médio e longo prazo".

Cooperativa conta com 22 sócios
Os 22 sócios-fundadores da Coopernoroeste são de Três de Maio, porém, a entidade pretende ter abrangência em toda a região Noroeste, abrindo portas para agricultores de outras cidades se associarem.

Intenção é aumentar o investimento
Nutricionista responsável por organizar a demanda das creches e escolas municipais pela merenda escolar, Daniela da Rosa Baraldi, ressalta a importância da organização dos agricultores em torno de uma entidade, para que a Administração Municipal possa comprar os produtos de forma mais rápida e eficiente.

Neste ano, o Programa Nacional da Alimentação Escolar (PNAE) destinou o valor R$ 220 mil para Três de Maio, lembrando que o município tem a obrigação de comprar 30% desse valor em produtos da agricultura familiar, o que corresponderia a cerca de R$ 70 mil, mas a nutricionista destaca que, se existe produção suficiente, a Prefeitura compra mais do que os 30%.
Segundo Daniela, com a instituição da Coopernoroeste, o objetivo da Prefeitura é fazer com que 100% de sua demanda para a merenda escolar seja proveniente da agricultura familiar a partir de 2015. Neste ano, a expectativa é que 50% da merenda seja adquirida da agricultura familiar, o que já é bem acima dos 30% estabelecidos pela lei nº 11.947. "Além dos panificados e verduras, queremos incluir carne, outros tipos de fruta da nossa região, alimentos mais variados, desde que seja tudo local", diz a nutricionista.

Daniela espera que a nova cooperativa represente algo parecido com a relação que existia entre a Prefeitura e o Departamento de Agricultura Familiar (DAF) da Cotrimaio: "No tempo do DAF, conseguimos atingir 70% na compra dos produtos da agricultura familiar, mas depois ficou difícil, porque é um processo muito burocrático", informa a nutricionista, acrescentando que, após a extinção do DAF, os produtos passaram a ser adquiridos de forma individual, mas, com uma entidade organizadora, certamente tudo fica mais fácil.

 Hammes ressalta que a cooperativa quer definir, junto com a nutricionista, os melhores caminhos para que os itens da agricultura familiar sejam inseridos na merenda escolar.

Quanto a produtos como carne, a intenção é buscar convênios com entidades como a Cotrimaio, que tem frigorífico próprio e participa do setor de leite na CCGL, além de buscar o desenvolvimento de projetos de viabilidade técnica e econômica de agroindústrias de origem animal e vegetal, sempre com propósito de agregação de renda ao produto de seus associados.
 
Apesar de algumas carências, Nelson se mostra otimista com o projeto da Coopernoroeste. "Falta em nosso Município um abatedouro de peixes devidamente legalizado, pois existe uma demanda grande por peixes e os agricultores não conseguem vender por não ter um abatedouro para esse serviço. O mesmo vale para as aves. Estamos confiantes em conseguir buscar alternativas viáveis aos agricultores familiares e com certeza quem ganhará com isso é o consumidor, pois estará adquirindo e consumindo alimentos sem adulterações ou contaminantes prejudiciais a saúde e, o mais importante, as nossas crianças que frequentam as escolas estarão tendo uma alimentação saudável e de melhor qualidade".


Investimento e perseverança  garantem sucesso.
Agricultor iniciou produção de morangos com apenas 200 pés, hoje já são 17 mil

As palavras investimento e perseverança caracterizam bem a trajetória do agricultor Airton Goettems, 37 anos, que mora na localidade de Consolata junto com sua esposa e mais dois filhos, em propriedade rural onde o cultivo de morangos passou de atividade complementar para principal fonte de renda da família.


Trabalhando na produção de morangos há cerca de 12 anos, Airton, e  sua família, iniciou o cultivo como uma simples alternativa para diversificar a produção, onde antes predominavam área de lavouras e pecuária leiteira. Por não ter uma grande extensão de terras em sua propriedade, Airton viu na horticultura uma oportunidade para apostar em algo novo.

O agricultor lembra que, no início, o trabalho com o cultivo dos morangos foi difícil, principalmente por causa do clima, mas, com o tempo e a prática, os 200 pés de morango plantados no início da experiência hoje se converteram em 17mil pés, por causa da persistência e do investimento, principalmente na parte de estufas, que exigem monitoramento constante, mas dão o retorno no aumento da produção. Cursos de capacitação promovidos por entidades locais também são aproveitados pelo agricultor como ferramentas para incrementar seu conhecimento na área.   

Membro-fundador da Coopernoroeste, Airton planeja inserir a sua produção na lista da cooperativa, que organizará os agricultores de Três de Maio para atender a demanda pela merenda escolar no município. Hoje ele vende a produção em estabelecimentos em Três de Maio, como mercados,  padarias, mas principalmente na venda direta ao consumidor.

Entre os meses de junho e dezembro, período de produção dos morangos, Airton trabalha continuamente na colheita. No auge da produção, Airton colhe cerca de 100 quilos por semana, mas, conforme o tempo avança, essa quantidade poderá passar para 100 quilos a cada dois dias, resultados que só podem ser obtidos através de muito trabalho e investimentos do produtor.

ESPECIAL COLONO E MOTORISTA - 25 DE JULHO DE 2014






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