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Faltam 1.471 dias para a Copa

04/08/2014 - Por Jornal Semanal
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Gustavo Griebler*

Uma propaganda da agência Escala de 2 de junho no jornal Zero Hora chamou-me a atenção. Em letras garrafais anunciava-se que faltavam 1.471 dias para a Copa. Da Rússia.

O brasileiro é visto pelo mundo como o atrasado. Demonstramos isso pela Copa do Mundo. Chegamos depois, terminamos depois. O que é natural em nosso País: "Eu esperava ele às 11h. Chegou às 11h20min. Nem atrasou tanto". Estava olhando um seminário por videoconferência. O palestrante inglês, pontual por natureza, olhou no relógio. O mediador brasileiro prontamente disse que estavam no horário, mostrando despreocupação.  Outro exemplo que me vem: Paul McCartney entra pontualmente nos shows, nem um minuto antes nem um depois. Se o show é às 21h, às 21h Paul entrará no palco. Pontualidade britânica.

Eu tenho muitas dificuldades em seguir a maioria dos brasileiros. Quando não chego antes e consequentemente termino antes me sinto mal. Não gosto de começar depois e terminar depois. Certa feita, tinha uma reunião antes da aula e a mesma demorou. A aula começava às 19h20min e cheguei à sala às 19h40min, com vergonha. Os alunos, todos lá, olhavam-me espantados. Não estavam acostumados àquilo, já que sou eu que abro a sala e fecho-a. Pedi mil desculpas, mas para mim eles continuavam a não entender como eu me atrasara.

Ainda sobre a Copa no Brasil, é um evento importante sim, mas não essencial. Essencial é hospital, é escola, é remédio. Em um dos jogos do Brasil, contra o México, olhei o primeiro tempo e no segundo fui à rua. Não em Três de Maio. Nas ruas, pessoas em bares concentradas, no mercado funcionários parados olhando o jogo. Mas fui fazer um lanche no mercado onde poucas pessoas estavam e incrivelmente não tinha televisão. As pessoas que lá estavam não pareciam se importar, mas logo a meu lado veio se sentar uma família com camisas da seleção, sinal de que estavam no clima, ao contrário de mim. No mercado comprei algumas coisas com as caixas somente indo atender quando aparecia cliente. Saí e fui dar uma volta na cidade. Algumas pessoas nas ruas sem ver o jogo. Ou seja, o futebol faz diferença sim, mas não é tão essencial assim.

Na semifinal, saí para caminhar às 16h. Em outra cidade, não estava em Três de Maio. Antes do horário do jogo, muita movimentação. Talvez as pessoas estivessem se preparando para fechar o comércio para ir para casa e fazendo as últimas coisas na rua. Novamente um lanche no mercado. Algumas pessoas e pouco antes do jogo. No mercado, já na hora do jogo, muitas pessoas comprando. Saí do mercado e pessoas nas ruas, um guri na praça sentado, carros circulando, pessoas caminhando, mas em muitos locais que eu passava, casas, comércio aberto, que era pouco, a televisão ligada no jogo. O País não para para a Copa, mas é um negócio lucrativo. Quase dois mil reais para a final é um valor muito acima para a grande maioria dos brasileiros.

Não ganhamos a Copa. Entressafra de jogadores? Talvez! Esquema tático ultrapassado? Talvez! Falta de planejamento? Muito possivelmente! Fato é que faltam pouco mais de 1.400 dias para a Copa e estamos nos preparando para ela? Pouco mais? Sim, 2018 é logo ali e ganhar uma Copa não se faz de uma hora para outra, necessita-se de planejamento e trabalho, muito trabalho.

* Mestre em Educação nas Ciências. Professor de Ensino Básico,
Técnico e Tecnológico do Instituto Federal Farroupilha - Câmpus Panambi.
Professor de Ensino Técnico e Superior da Faculdade Três de Maio.





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