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Pai: Ele não é a mamãe, mas você também deve sua vida a ele (Parte II)

08/08/2014 - Por Jornal Semanal
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Marcos Domanski, um pai multiplicado

Marcos Domanski, 43 anos, pode-se dizer que é um pai com "P" maiúsculo e, como tal, tem feito o melhor possível para que a vida de sua filha Eshley Zawatski Domanski, 8 anos, seja boa e feliz. Em janeiro de 2011, foram surpreendidos com a notícia repentina de que um trágico acidente de carro havia ceifado a vida da esposa, companheira e mãe, Elidiane Zawatski Domanski. Na época, a filha contava com a idade de quatro anos e Marcos precisou ser mais pai do que nunca.
Desde então, assumiu funções antes realizadas por Elidiane, e discorda quando houve que exerce também o papel de mãe. "Eu não consigo aceitar essa forma de dizer que eu sou pai e mãe, porque, para mim, nada substitui mãe. Eu sou um pai multiplicado com algumas tarefas que cabe a algumas mães realizar, do cotidiano, como ver a roupa, levar a escola, mas isso também outra pessoa pode fazer".
Marcos acredita ainda que o papel de mãe é diferente do de pai. "Mãe é única. Eu sinto isso nos momentos em que eu e Eshley estamos juntos, quando ela vem e me diz: pai eu tô com saudade da mãe. Ela vem pro meu colo, mas ela não encontra o colo da mãe. Ela encontra um carinho, um aconchego, mas não a mãe."
Pai presente, Marcos conta que não abre mão, em nenhum momento, de seu papel de pai. "Eshley sempre permaneceu comigo, porque ela perdeu a mãe, mas não o pai. O pai tem a obrigação de dar a sustentação emocional necessária, marcar presença no dia a dia. Mas sempre conto com ajuda dos avós, eles são fundamentais, principalmente nesses momentos de recordação, de opinião. Acho que isso reforçou mais ainda o elo, a questão da família".
Marcos confessa que no início não foi  fácil, e que teve que abrir mão de muita coisa. "Existem várias situações em que você precisa modificar a sua vida, porque tem que tocar o trabalho, precisa sobreviver, e não tem como abandonar algumas coisas da tua rotina. Aí você se adapta a isso e precisa buscar pessoas que te auxiliem no teu cotidiano, como a minha auxiliar Teresinha (Têre), que está a alguns anos conosco". Têre foi tata da mãe da Eshley e, conforme Marcos, desempenha um papel fundamental na casa.
Marcos revela que procura manter o lar estruturado para que a filha tenha sempre a referência. "A fatalidade aconteceu e muita coisa mudou emocionalmente. Se mudar tudo fisicamente, a criança perde seu lar, sua casa, suas coisas, a sua referência, e isso não dá. A gente passa a refazer, reorganizar, é difícil, mas está funcionando".


Marcos e Eshley em uma das viagens realizadas pela dupla

Dupla função
Marcos avalia que está sendo cada vez mais convencional ver pessoas exercendo dupla função de tarefas, por várias situações. "Com o nível de informação que as pessoas tem hoje, e se querem abrir mão de algumas coisinhas pessoais em prol de outro, ainda mais sendo um filho, conseguem sem dificuldade nenhuma, porque tudo o que você faz com dedicação e amor, mesmo que exija alguns sacrifícios agora, talvez o futuro compense depois". Ele comenta ainda que cada um tem uma característica, cada um tem um jeito de encarar, de pensar e de fazer, e não existe uma fórmula pronta. "Talvez eu enxergue de uma maneira, e não sei se é correto ou não, mas à princípio nós temos uma vida que a gente consegue conduzir com tranquilidade. Temos nossos altos e baixos, nossos momentos de tristeza e ausência, que são os mais difíceis, quando fazemos alguma coisa e falta a essência da mãe em si. Algumas pessoas levam mais tempo pra superar, outras menos, ou às vezes conseguem logo estar em outro relacionamento mas, mesmo assim, acho que a parte mais atingida emocionalmente, que jamais ninguém consegue suprir, é a criança. Talvez essa seja a parte mais difícil de se administrar", conclui.

Rotina familiar a dois
Marcos e Eshley se tornaram grandes parceiros e fazem do lar um lugar de cumplicidade. "Nós somos bastante caseiros, eu procuro manter o conforto em casa. Não sou muito de sair. Aqui em casa eu diria que é uma vida cotidiana normal, eu assisto praticamente todos os programinhas dela, e ela brinca muito como toda e qualquer criança, monta casinha, pede pro pai ajudar a montar. Acho que aí tem mais um diferencial entre pai e mãe. A mãe tem alguns detalhes a mais de ter mais paciência, por mais tempo. O pai também se dedica, mas tem um momento em que vai fazer outra coisa", diz Marcos, que lembra também que Eshley vai na casa das amiguinhas, recebe-as em casa, além de fazer programas com o pai,  desde assistir TV, os temas, passeio na casa dos avós, viagens nas férias, entre outros. Uma vida normal, afirma.
Marcos acrescenta que muitas decisões são tomadas baseadas na opinião de ambos. "No nosso dia a dia, muita coisa desenvolvemos juntos, como nas compras por exemplo, situações nas quais ela participa, desde roupa, dizendo: pai essa não ficou legal. Eu também dou opinião sobre as coisinhas dela, mas procurando refinar esta forma, este contato. A gente troca muitas informações, nosso cotidiano é de muita observação de um com o outro, carinho. Alguns programas que a gente faz são também compromissos, ela vai na aula de dança e eu acompanho no CTG, o almoço sempre, nós procuramos manter uma rotina familiar a dois".

O que o pai significa para Eshley 
Perguntada sobre o pai, Eshley se emociona, compartilhando que gosta muito quando Marcos ajuda a arrumar as coisas, apesar de ser bem exigente. "Às vezes ele arruma o meu cabelo, pras apresentações,  eu eu gosto", conta, reforçando que o que importa é que o pai esteja presente. A menina revela ainda que o pai é cozinheiro. "Ele faz churrasco e é bom, entre outras coisas que cozinha pra mim".
Sobre o Dia dos Pais, Eshley falou que achava que ia dar um presente ou um abraço, e Marcos acrescentou "O pai sempre diz que o maior presente é ela, um presentão de Deus". E nessa troca de carinhos, abraços, elogios e lágrimas, a filha confidencia: "meu pai significa muito e é muito bom ele estar na minha vida."


FOTOS: ARQUIVO  PESSOAL



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