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Um enterro tumultuado em Santa Rosa...

08/06/2012 - Por Jornal Semanal
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Este caso, que trago hoje para vocês, meus leitores, é no mínimo curioso, para não dizer trágico ou infeliz.    Demonstra a total falta de sensibilidade de algumas pessoas e servirá de exemplo para que situações parecidas não ocorram mais no nosso meio.
Mas, em janeiro de 2008, na Comunidade Nossa Senhora Imaculada Conceição, mais precisamente na porta do cemitério de Vila Bela União, por volta das 19 horas de um domingo, uma família preparava-se para enterrar um de seus entes queridos. Foi então, que a surpresa, absurda, foi anunciada: O falecido não poderia ser enterrado.
Sem entender o porquê de tal situação, a família foi informada que, conforme uma determinação redigida em ata, a Comunidade autorizaria somente o enterro de familiares de sócios até primeiro grau e de esposas de sócios da Comunidade. Caso contrário, se o falecido não se enquadrasse nas hipóteses da referida ata, a família teria que pagar quinze (15) salários mínimos para enterrá-lo. Daí começou a discussão...
Indignados, os familiares então resolveram pagar os quinze salários mínimos, através de cheque, mas o responsável, irredutível, disse que somente aceitaria o pagamento à vista. Ora, isso era domingo, 19h, dia de velório, e a família parada em frente ao cemitério com o caixão. O que fazer?
Fazer o que todo cidadão de bem, quando é lesado faz: Procurar a Justiça!
Enquanto o caixão aguardava a entrada pelos portões fúnebres do cemitério de Vila Bela União, advogados pediam na Justiça o direito de enterrar o falecido. Algumas horas depois, o juiz determinou o enterro, que ocorreu com auxílio da polícia. Algo quase inacreditável, para uma pequena comunidade no interior de Santa Rosa/RS.
Ahh, mas a família não deixaria a história acabar assim. Resolveram processar a Comunidade pedindo uma reparação por danos morais, alegando constrangimento, sofrimento e humilhação por  tudo que ocorreu.
Nesta semana a 10ª. Câmara Cível do Tribunal de Justiça, em Porto Alegre, confirmou a decisão do juiz de Santa Rosa e condenou a Comunidade Nossa Senhora Imaculada Conceição a pagar aproximadamente dez mil reais (R$10.000,00) de indenização pelo ocorrido.
Para o Desembargador Relator do processo apesar de existir discussão sobre quem possa ou não ser enterrado no cemitério da comunidade, tal fato não exclui o agir indevido dos réus. Para o magistrado a taxa poderia ter sido exigida depois do sepultamento. Nas suas palavras: "O que se mostra discrepante é que, uma vez encontrando-se o caixão em frente ao cemitério, se impedisse a concretização do enterro por questões que poderiam ser resolvidas pacificamente em momento posterior."
E continuou o desembargador: "O agir destoou daquilo que se espera de uma Comunidade interiorana, em que se preza pelo convívio em harmonia e trato pacífico entre pessoas. Não custaria ao réu respeitar o momento de luto em que se encontravam os familiares do falecido". (Processo: Apelação 70040140956)
É... eu também acho. Não me parece a hora mais apropriada para discutir valores, quando o caixão está na porta do cemitério e a família triste pelo momento que está passando. Agora a diretoria da Comunidade deverá repensar sobre o modo de agir naquela tarde de domingo...

Das minhas leituras da madrugada:
Faça aos outros, o que você gostaria que fizessem por você...





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