Quarta-feira, 28 de junho de 2017
Ano XXIX - Edição 1462
(55) 3535-1033
jsemanal@jsemanal.com.br
diagramacao@jsemanal.com.br

Confusão e tensão no centro de Três de Maio

28/08/2014 - Por Jornal Semanal
Tweet Compartilhar
Três jovens ao serem abordados por policiais militares investiram contra eles

Por volta da uma hora da madrugada de domingo, um veículo Gol, tripulado pelo motorista e dois passageiros, em uma manobra perigosa, quase atropelou alguns jovens que estavam parados com seus carros na lateral da Avenida Uruguai, próximos a uma casa noturna.

Ao flagrar essa situação, a guarnição da Brigada Militar, que estava fazendo seu patrulhamento de rotina, tentou abordar o veículo, num primeiro momento com uso da sirene. Sem conseguir parar o Gol, a viatura fez o fechamento do veículo em frente a praça da igreja matriz católica. Neste instante, os três policiais desceram da viatura em direção ao Gol, e, de imediato, foram surpreendidos pelo comportamento agressivo dos três ocupantes do veículo.

Na sequência da abordagem, os policiais e os indivíduos entraram em luta corporal. O condutor do Gol tentou sacar a arma de um policial, inclusive, rasgando o coldre do revólver. O policial militar reagiu, sacou a arma e fez um disparo que atingiu a parte inferior da perna de raspão do condutor do Gol. Um outro envolvido, totalmente alterado, só foi contido quando os policiais desferiram alguns tiros em direção ao chão. O terceiro elemento conseguiu fugir, mas depois foi capturado.
Depois dos jovens serem contidos, foram levados ao hospital e, posteriormente, apresentados na DP local. O automóvel foi recolhido ao depósito do guincho. Os três policiais envolvidos tiveram ferimentos.

A ação da Brigada Militar foi criticada por algumas pessoas que estavam no local e ganhou ainda mais repercussão depois que um vídeo (com parte da abordagem policial) foi parar nas redes sociais. Desde então, se tornou um dos principais assuntos da comunidade local e regional.

Uns criticam a forma que os policiais militares agiram, outros defendem a atitude, enfim, a abordagem continua gerando muita polêmica.

O que diz a Brigada Militar

A reportagem do jornal Semanal entrou em contato com o tenente Gilmar Daniel Feistel, comandante da Brigada Militar de Três de Maio, que falou sobre a abordagem dos policiais militares. "Naquele momento, a nossa guarnição se deparou com uma total e absurda falta de respeito com as autoridades que estavam no trânsito. Não houve, em momento algum, o acatamento das pessoas quando a nossa guarnição tentou fazer a abordagem. A primeira reação do condutor foi partir pra cima de um dos policiais no intuito de arrancar a arma".

Conforme o tenente Daniel, a Brigada Militar sempre pautou suas instruções quanto a técnica de abordagem, de qualquer tipo de ocorrência, no uso moderado dos meios. "A guarnição tentou conter como manda a técnica policial. Primeira tentativa, o diálogo, não houve;  a segunda tentativa, conter através de bastões, não foi possível; então se partiu para o uso da arma de fogo, porque naquele momento não se tinha mais outra alternativa. Temos que esgotar todos os meios, pois a última consequência que se pode chegar numa ocorrência é tirar a vida de alguém".

Taser não foi utilizada

O tenente Daniel explica que a BM toda vez que há uma ocorrência de vulto, com disparo de arma de fogo, também instaura um inquérito policial militar. A conduta destes indivíduos será analisada no inquérito da polícia civil e a conduta dos policiais militares será analisada no inquérito policial militar já instaurado na BM. "Se houve algum exagero por parte de algum policial militar, se houve falha, isto será alvo neste inquérito e servirá para correção em futuras abordagens", avalia.
Segundo o comandante, muitos questionaram porque não foi utilizada a "taser", que é uma arma de eletrochoque, que emite uma descarga elétrica para imobilizar momentaneamente uma pessoa. "Se falou muito nas armas não letais, como uso da arma taser. Na BM local, apenas um policial está treinado para utilizá-la. Por isso, estamos buscando a instrução, a habilitação de mais policiais militares para o uso da arma não letal. Também estamos buscando recursos para aquisição de mais armas não letais e etilômetro".

Para Daniel, assim como mostram os vídeos, a ocorrência poderia ter outro andamento se ali tivesse uma arma não letal, como a taser. "Mas no nosso entendimento, apesar de todas as críticas, e nós aceitamos as críticas, estamos satisfeitos com o desfecho porque não tivemos nenhum óbito. Teve uma grande repercussão, mas entendemos que o desfecho final foi positivo". 

O comandante revela ainda, que as agressões por parte dos indivíduos não pararam mesmo quando eles foram conduzidos ao hospital. "Continuaram agressivos, e ameaçaram todos de morte. Eles estavam num estado de alteração total".

Na avaliação do tenente Daniel, esse tipo de ocorrência não é comum em Três de Maio, que é uma comunidade pacífica.
Para ele, o início de toda essa ação se deu em virtude de uma manobra brusca, inadequada, feita por um condutor e, posterior, um total desrespeito com os policiais militares. "Se esse condutor não tivesse agido e reagido da forma que foi, não teria dado toda essa repercussão". 

O tenente ressalta ainda que um fato como este, deve servir para reflexão por parte de todos os envolvidos, inclusive por parte daqueles que criticaram e por parte daqueles que incitaram.


FOTO: PAULO MARQUES NOTÍCIAS




Indicar a
um Amigo

Comentários

Deixe a sua opinião

Veja Também

03/02/2017   |
24/06/2016   |
27/05/2016   |
12/02/2016   |
12/02/2016   |
22/01/2016   |




Todos os direitos reservados - Jornal Semanal - Três de Maio - RS