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Psicologia na Prática

12/09/2014 - Por Arlete Salante
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O medo de falar em público

O que será que o medo inexplicável de falar em público tem ver com própria autoestima? Quem assistiu ao filme de 2011 - O discurso do rei - talvez já tenha alguma noção do quanto fatos vividos na infância marcados por repressão aos instintos,  geram baixa estima e se manifestam como medo interior.

Para quem não assistiu e gostaria de compreender um pouco, fica a dica. Mas gostaria de lembrar que nos filmes as situações tem uma dose maior de apelo emocional. Por isso romances nos filmes são bem mais empolgantes que a vida como ela é. Faz parte da sétima arte tocar o público, especialmente nos hollywoodianos, quanto mais toca emocionalmente, mais sucesso de bilheteria. É arte, porém antes, é business. Neste caso, o protagonista sofre de grave gagueira. 

Voltando ao medo de falar em público, pode-se dizer que é algo que reduz o sujeito e o faz menor que ele é. Algumas pessoas não identificam o medo, mas a fobia ou a ânsia. Outras podem identificar as três juntas e o aperto é ainda maior. A fobia é um medo que se manifesta somente em determinadas situações ou em referência a particulares objetos e lugares. A ânsia refere-se a qualquer coisa ou situação que não há "ponto de fuga". Dependendo da intensidade da manifestação da emoção, o sofrimento pode ser muito grande e trazer como consequência prejuízo na vida escolar, acadêmica e depois profissional.

As manifestações de medo inexplicáveis são decorrentes de instintos reprimidos na infância. Os instintos mais reprimidos são erotismo e a agressividade. Inicialmente o medo, a fobia e a ânsia são defesas do instinto, uma ordem da vida.  Embora causem sofrimento, também acabam sendo uma estratégia para o sujeito ser protegido, um modo de ter a "assistência" dos demais. Por não conseguir resolver o limite de si mesmo muitas pessoas utilizam-se desta assistência, porém é um modo de inferiorizar-se, é uma conveniência aparente, porque torna o sujeito débil, frágil quando muitas vezes ele não é. Outro modo de lidar com a dificuldade de falar em público é pela agressão ao outros, quando se responsabiliza os outros pelas próprias dificuldades.

Outras origens...

Incapacidade objetiva: a pessoa não sabe o que falar ou não domina o assunto.

Hábito escolhido (na infância): inferiorizar-se ou agredir. Neste ponto sempre há distorção da realidade, a pessoa não compreende a realidade e assim permanece em erro.

Hipersensibilidade: quando a pessoa capta o medo da plateia ou do grupo de apoio como colegas, amigos ou familiares e não compreende que o medo não é seu;

Há ainda outros pontos críticos que são barreiras à comunicação como alguma situação de vergonha em público como a timidez e o egocentrismo - quando a pessoa torna-se o centro e por consequência esquece o conteúdo.

No filme, que é pautado em história verídica, o príncipe é obrigado a ser humilde e aceitar ajuda de um terapeuta da fala, sob pena de deixar seus súditos desacreditados da sua força como rei. A analogia serve para vida dos plebeus também, ou se supera a paura, como dizem os italianos, ou se perde oportunidade real. Aproveitando o trocadilho... este real não tenha nada a ver com realeza dos príncipes e princesas, mas sim, com a realidade da vida.  



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