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Nosso sotaque e nossa escrita

19/09/2014 - Por Jornal Semanal
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Gustavo Griebler*

Incrível como quando saímos um pouco de nosso local de origem já começamos a pedir que repitam as coisas, pois não entendemos. Fala rápida, baixa, palavras desconhecidas fazem com que a compreensão fique bem dificultada. Este ano, em Sergipe, não conseguia entender o português deles. Pedia para repetirem uma, duas vezes. Quando não entendo na segunda, largo de mão e troco de assunto. Um telefone de código 31 ligou-me um tempo atrás. Mesmo falando pausadamente, tive dificuldades em entender algumas palavras. Os catarinenses têm um português bonito. Uma fala rápida mas tranquila e que consigo entender perfeitamente. Encanta-me ver um catarina falando e reconheço na hora sua procedência quando inicia a falar.

Aqui no Estado e inclusive fora dele, em Santa Catarina e Paraná, andamos diversos quilômetros e continuamos ouvindo leitE quentE. Particularidades fronteiriças, mas que se espalham pelo centro e regiões metropolitanas paranaenses também. Muito legal isso. Parece que continuamos em casa.

E o português agora? Um novo acordo ortográfico está em discussão. Letrados estão participando. Querem aproximar a língua escrita da falada. Acho estranho homem sem "h". Como fica a expressão homem com "h" maiúsculo? Homem com "o" maiúsculo não é a mesma coisa. Não quero que mude a escrita. Sou egoísta. Aprendi a língua nos anos 1990. Acho bonito exame com x, casa com s. Não precisamos facilitar tudo. Algumas coisas são complexas mesmo.

Ergui a bandeira da contrariedade com o acordo ortográfico que tirou o trema de cinquenta. A onça da nota de 50 perdeu o charme. Da mesma forma, tirar o acento de plateia me desconcertou e deixou-me mais cansado. Minhas ideias (sem acento) ficaram debilitadas em muitas ocasiões. Mas vou ser obrigado a me readequar. É difícil escrever linguiça sem trema, mas estou conseguindo sem maiores traumas. Sei que a língua passa por atualizações, mas aproximar a língua falada da escrita tira o charme e o requinte, em minha opinião. Escrever vc em vez de você parece-me feio, por mais que eu saiba que você é uma abreviação de vossa mercê, que nos dias de hoje soaria estranho mesmo. Mas quero continuar com o português que aprendi, por mais que os alunos de hoje errem muito nos ditados escolares por não saberem se é com "x" ou "ch", com "s" ou "z" ou "x". Que estudem e se não conseguirem que vão para o exame. Com "x".

* Mestre em Educação nas Ciências. Professor de Ensino Básico,
Técnico e Tecnológico do
Instituto Federal Farroupilha -
Campus Avançado de Uruguaiana





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