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Crise = cri(s)e = crie

26/09/2014 - Por Arlete Salante
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As crises, angústias, inseguranças e incertezas são oportunidades de crescimento pessoal e profissional em todas as idades. Por medo de enfrentá-las é comum às pessoas optarem por banalizar os próprios sentimentos. Além disso, desconsideram sonhos e fantasias que são fenômenos do psiquismo inconsciente ou mesmo consciente. São linguagens aparentemente desconhecidas, mas claras na realidade da alma. Quanto mais o sujeito se conhece, mais fácil para ele perceber os filmes que rodam na sua mente, seja dormindo ou acordado.

   Também os adolescentes e jovens muitas vezes camuflam-se entre os grupos de amigos, embora em aparente descontração, mas dentro cada um vivendo seu drama, que é banalizado e "suspenso" pelas festas, baladas, baseados, cerveja, etc. A agressividade interna que está retida e totalmente incompreendida aparece nas garrafas atiradas para fora de carros que se quebram em ruas e calçadas próximos aos locais que deveriam ser aproveitados para  diversão, alegria e prazer. Ao contrário, são espaços que servem aos comportamentos marginais.

   Os que hoje estão exorcizando seus instintos com violência, quebrando, buzinando e gritando para extravasar o acúmulo de energia em conflito são os adultos de amanhã, são os pais e as mães de amanhã, se é que já não são hoje. Mas não só eles, também outros jovens ou não tão jovens, que preferem uma camisa de força psíquica, através de um ansiolítico, antidepressivo ou algo que lhes faça dormir, para não encarar que as escolhas do passado não servem para o presente.

   Quem evita dar-se conta que está em crise e não admite enfrentá-la, prossegue alienado de si mesmo e subtraído da própria interioridade, logo da própria força de vida. E amanhã, o que será? E depois, quando não há mais tempo ou condições de compreender e mudar a realidade?

   Os estereótipos, as máscaras e os papéis desempenhados jamais podem sobrepor ao que cada um é.  Esse dilema da humanidade é dito por diversas linguagens artísticas, do cinema à poesia, como se pode ler no fragmento abaixo de "Tabacaria" por Fernando Pessoa.

...Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, me perdi.
Quando quis tirar a máscara, estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho, já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência, por ser inofensivo.
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.


Bom final de semana!




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