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Doação de órgãos: solidariedade que salva

03/10/2014 - Por Jornal Semanal
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Nos últimos seis anos o número de doadores no Brasil subiu cerca de 90%. Mas ainda existem 37.736 mil pacientes na fila de espera.
A maior lista de espera é por um rim, com cerca de 18 mil pessoas.

Os números divulgados pelo Ministério da Saúde no final de setembro, mês no qual se comemora o Dia Nacional de Doadores de Órgãos e Tecidos (27), representam uma esperança para aqueles que dependem deste ato solidário para sobreviverem. O número de doadores de órgãos no Brasil aumentou 89,7% nos últimos seis anos. Passou de 1.350, em 2008, para 2.562, em 2013. No mesmo período, o indicador nacional de doadores por milhão de habitante subiu de 5,8 para 13,4, enquanto a fila de espera para transplante caiu de 64.774 mil para 37.736 mil (41,7%). A meta é atingir  14 doadores por milhão de habitante até o fim do ano.

Atualmente, 56% das famílias entrevistadas em situações de morte encefálica aceitam e autorizam a retirada de órgãos para a doação. Em 2013, das 7.767 entrevistas realizadas com potenciais doadores 4.318 resultaram em uma resposta positiva da família. Por região, o percentual de aceitação das famílias foi de 68,7% no Norte, 55,9% no Centro-Oeste, 58,2% no Sul, 54,3% no Sudeste e 52,2% no Nordeste.

No primeiro semestre de 2014, o país já realizou 11,4 mil transplantes. Desse total, foram 6,6 mil cirurgias de córnea, 3,7 mil de órgãos sólidos (coração, fígado, rim, pâncreas, rim/pâncreas e pulmão) e 965 de medula óssea. Em 2013, o Brasil fechou o ano com 23.457 realizados, 11,5% a mais do que em 2010 (21.040).

Laços ainda mais fortes

Luciane doou  um rim para o irmão Jacson que, depois de sofrer um acidente de trânsito, foi diagnosticado com insuficiência renal

Quando Jacson Carlos Dick sofreu um acidente automobilístico em 24 de fevereiro de 2009 não suspeitava que, além de sobreviver a este episódio, teria que vencer outra intempérie, possivelmente a maior de sua vida. À época, aos 20 anos, foi diagnosticado com insuficiência renal e iniciou o tratamento de hemodiálise no mesmo dia do acidente, no Hospital Vida e Saúde, em Santa Rosa. "No começo não foi fácil aceitar, mas com o tempo aprendi que poderia ter sido pior, talvez pudesse ter acontecido algo ainda mais grave", confessa.

Confome Jacson, a equipe médica do Hospital Santa Clara, da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, o acompanhou em todo o processo, inclusive para entrar na fila de espera de orgãos. Ele teria as mesmas chances que qualquer pessoa, mas foi abençoado com a compatibilidade de sua irmã mais velha, Luciane Andriela Cardoso. "Eu nem esperava por essa notícia, foi uma surpresa quando me contaram que minha irmã estava com todos os exames realizados e iria doar um rim pra mim. Nos preparamos realizando todos os cuidados e procedimentos solicitados, e o transplante foi realizado no dia 14 de maio do ano passado, no Hospital Dom Vicente Scherer, também na Santa Casa", conta.

Jacson revela que o fato mais marcante foi quando a enfermeira buscou ele e Luciane para ir para a cirurgia. "Foi um sentimento muito forte, coração foi a mil, eu chorei de tanta felicidade e emoção e também muito feliz pelo enorme gesto da minha irmã", relembra.

Do dia que foi diagnosticado ao momento que ouviu que havia ocorrido tudo bem e que ficaria curado, Jacson compartilha que lhe passou pela cabeça que não precisaria mais ir a Santa Rosa três vezes por semana fazer hemodiálise, e o começo de uma nova vida. "A recuperação durou em torno de três meses e continuo fazendo acompanhamento médico na capital. Sinto-me grato. Agradeço a Deus por esta nova oportunidade, pela coragem da Luciane e pelo apoio dos familiares".

Atualmente, com 26 anos, Jacson afirma que sua vida após a cirurgia é boa. "Levo uma vida normal como qualquer outra pessoa. Hoje em dia é só cuidar pra tomar imunossupressores nos horários certos e pronto", afirma ele, que declara: "Tenho a dizer às pessoas que aguardam por um transplante que tenham fé e coragem, não desistam nunca, aprendam a ver que existem outras pessoas com os mesmos problemas e algumas vezes até pior e são felizes".

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

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