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Psicologia na Prática

10/10/2014 - Por Arlete Salante
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"A vida é um sopro"
Oscar Niemeyer

O PACTO DE SUICÍDIO DOS JOVENS É UM ALERTA
Alguns jovens da Serra Gaúcha envolvidos no pacto de morte pertenciam ao mesmo time de futebol, os "REJEITADOS". Uma forma de expressão do que os identifica e ao mesmo tempo em que brinca, banaliza pela ironia a dor das crises existenciais vividas na adolescência.  Mas não apenas por pertencer ao time, à análise não pode ser isolada, pois se corre o risco de inferir que todos que pertencem ao time ou algum bloco carnavalesco com este nome cometerão suicídio, não é o caso. Conforme um dos delegados do caso dos jovens envolvidos com o pacto "são meninas com autoestima baixa e com relatos de histórico de depressão...Elas possuem grande vazio existencial que vem a ser suprido por outros aspectos como religioso".
As crises dos adolescentes e jovens apontam para muitos aspectos conflituosos característicos da fase de vida, entre elas, as relações. Por mais ciência e tecnologia que exista, sem haver autoconhecimento que fortalece a identidade individual, é pelas relações familiares, afetivas, sociais é que se dá a construção da estima da pessoa. A questão é: que relações estão sendo estabelecidas?

AS CRISES QUE LEVAM A MORTE
Quando crianças e jovens manifestam  distúrbios de comportamento, o menos provável é que a causa esteja neles. É dever dos responsáveis o questionamento honesto sobre meio que o menor vive, a começar pelo modo como se estabelecem as relações familiares, afetivas e escolares. Pelo critério de natureza os organismos mais fortes influenciam os organismos em formação. O perigo de "adaptar" crianças, adolescentes e jovens através de psicotrópicos sem oferecer ambiente saudável pode causar danos irreversíveis. Mas não só a medicalização que coloca uma camisa de força psíquica para mostrar que está "resolvido", mas também a forma de buscar ajuda: o hábito de buscar orientações em sites, redes sociais e grupos de WhatsApp . Estes foram os espaços utilizados pelos adolescentes da Serra Gaúcha que fizeram o pacto de morte. Nestas redes eles compartilharam suas frustrações pessoais e decidiram pelo fim usando-se de antidepressivos, automutilação e outros.

A MORTE ENSINA A VIDA
A experiência de morte próxima, suicídio ou morte de alguma pessoa querida, alerta para condução da vida. Experiências permeadas pela dor, quando compreendidas, ensinam e provocam transformações. O luto serve para reelaborar a perda, dos rumos que a vida tomou e das mudanças necessárias, não para paralisar a vida ou se esconder do mundo. A dor traz reflexão sobre o que é essencial, a morte é uma senhora sábia, que traz a verdade com exatidão. A verdade só é relativa quando negligencia o critério de natureza. Não pelo critério da fé, da moral ou da sociedade. O critério de natureza revela o que é sem enfeites, nem choro, nem vela. 





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