Sábado, 17 de novembro de 2018
Ano XXX - Edição 1533
(55) 3535-1033
jsemanal@jsemanal.com.br
diagramacao@jsemanal.com.br

A cegueira dos fanáticos

17/10/2014 - Por Jornal Semanal
Tweet Compartilhar
Paulo Vitor Daniel*

A afirmação de que política, futebol e religião não se discutem ganhou novo combustível com as redes sociais. O que antes era confirmado individualmente ou em pequenos grupos, agora está publicizado no facebook, twitter ou qualquer ambiente virtual: a cegueira dos fanáticos. Chega a soar de forma triste que tantas pessoas não tenham o discernimento para compreender questões, entender contextos, checar informações, avaliar com profundidade e, só então, posicionar-se e emitir opinião. Infelizmente, cheios de falsa razão, os fanáticos gritam - e digitam - aos quatro ventos suas opiniões, sem fazer uso da imensa capacidade cerebral que lhes foi concebida nesta vida.

Ser fanático está além de defender uma ideia, um ideal, uma causa, um partido, um clube de futebol ou qualquer outra coisa. Fanáticos são radicais, pois aderem ao culto excessivo de alguém ou de alguma coisa com intolerância; sectarismo, exaltação exagerada e dedicação excessiva. Se os próprios sentem-se idealistas e estufam o peito com orgulho após cada discurso, pelos que dedicam algum tempo ao discernimento, são vistos apenas como simples iludidos, dotados de discursos tendenciosos, sem embasamento e nenhuma razão.

Esquecem-se os fanáticos que não basta gritar, é preciso gritar com inteligência, conhecimento e sabedoria. Caso contrário, seus argumentos serão rapidamente desconstruídos por quem é analítico. O mais preocupante é que, os fanáticos, ao terem suas afirmações confrontadas pela verdade, só visualizam saídas ainda menos inteligentes, como o ataque pessoal através de violência moral e física. É uma pena que estas paixões levem tantas pessoas a cometerem ações insensatas, muitas vezes criminosas.

Geralmente prisioneiros de suas obsessões, sejam elas um líder político, uma causa utópica, um time ou uma fé inquestionável, os fanáticos são quase sempre motivados por uma natureza irracional. O mais difícil é que as pessoas que alimentam crenças deste teor acham realmente que estão imbuídas de uma missão messiânica, que devem salvar as pessoas do mal, pois somente o que defendem é correto. Reflita você mesmo o quão tênue é a linha entre quem protesta e quem vandaliza, entre quem torce com amor por um clube de futebol e quem usa este esporte para outros fins, entre quem ataca uma sigla partidária com unhas e dentes e, meses depois, dela faz parte ou nela está coligado.

Se no mundo há homens homens-bombas que se suicidam por uma causa política ou religiosa, no cotidiano há muitas pessoas fazendo o mesmo; vendam o próprio discernimento, cegam a capacidade analítica e suicidam a verdade.

Felizmente, o mundo virtual permite que visualizemos com clareza os fanáticos, basta vê-los compartilhando inverdades absurdas que, com apenas um clique e a inteligência necessária para ser justo, poderiam ser esclarecidas. Cada um traça suas estratégias para não ser bombardeado pelo fanatismo. Nas redes sociais, basta optar por parar de receber atualizações - ou excluir a pessoa. No cotidiano, a alternativa é mudar de assunto ou evitar o contato. Se bem que está cada dia mais difícil ficar imune ao fanatismo, pois a cegueira só aumenta! Exercite seu pensamento e seja alguém que enxerga além!


*Jornalista, Mestre em Letras, Coordenador da Assessoria
de Comunicação da SETREM





Indicar a
um Amigo

Comentários

Deixe a sua opinião

Veja Também

09/11/2018   |
19/10/2018   |
11/10/2018   |
05/10/2018   |
28/09/2018   |
21/09/2018   |




Todos os direitos reservados - Jornal Semanal - Três de Maio - RS