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O Perdão da Talidomida...

06/09/2012 - Por Marcos Salomão
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    Já escrevi sobre Talidomida duas vezes. E sempre que escrevo recebo algum e-mail ou alguma visita de pessoas ou familiares vítimas do medicamento.
    Para os que não lembram, ou não participaram da história, o medicamento Talidomida foi lançada no mercado alemão em 1957, como um sedativo, pelo laboratório Grunenthal. A substância foi recomendada para combater enjoos matinais de mulheres grávidas e para ajudá-las a dormir. Nos anos seguintes o medicamento foi distribuído em 46 países com diferentes nomes. Nos Estados Unidos a sua comercialização nunca foi autorizada. Em 1961, após a constatação de que o medicamento causava sérias deformações em fetos, causando encurtamento de braços e pernas, seu uso em mulheres gravidas foi proibido.
    Pois bem... Nesta semana, depois de 50 anos de silêncio, o laboratório alemão resolveu romper o silêncio e pedir "perdão público" às vítimas do remédio. O ato aconteceu durante a inauguração de um monumento em homenagem às vítimas na cidade de Stolberg, sede do laboratório. Uma escultura em bronze, do artista Bonifatius Stirnberg, representa uma menina sem braços e com uma malformação nos pés, sentada em uma cadeira e junto a outra vazia.
     A frase emblemática ficará marcada na história como a primeira manifestação oficial do laboratório desde a tragédia: "Pedimos perdão por não ter encontrado uma maneira de chegar até vocês ao longo dos últimos 50 anos. Pedimos que encarem o nosso silêncio como um sinal do choque que o destino de vocês causou em nós"- afirmou o chefe executivo do laboratório.
    O pedido de desculpas não foi bem recebido pelas associações das vítimas do medicamento em todo o mundo, que enxergam a atitude tardia como uma campanha para tentar limpar a imagem da empresa. A dor das famílias atingidas pelo medicamento nunca será suprida.
    Na Alemanha, uma fundação foi criada para dar apoio às vítimas. No Brasil desde 1982 o governo paga uma pensão de um a quatro salários mínimos para os atingidos e em 2010 uma nova lei federal garantiu o direito a indenização para as vítimas pelos danos morais sofridos.
    Apesar de tudo que aconteceu, o medicamento continua sendo fabricado e distribuído no Brasil, mas com outras indicações (hanseníase, aids, etc). Como o medicamento é distribuído em postos de saúde, ao invés de ser aplicado em hospitais, ainda existem casos de gestantes desinformadas que usam. O último caso foi em 2010, no Maranhão. Somente o Brasil registrou uma segunda e uma terceira gerações de bebês com a síndrome, em razão da falta de controle. Lamentável...

Das minhas leituras da madrugada:
"Perdoe seus inimigos, mas jamais esqueça seus nomes"
John Kennedy

Um ótimo fim de semana a todos...



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