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INSÔNIA II

14/11/2014 - Por Arlete Salante
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"Quem possui a noite, possui também o dia, porque de noite se acentuam os aspectos diurnos" (A. Meneghetti)

Possuir o dia é estar inteiro e presente em tudo que se faz. Parece óbvio que seja assim, mas na verdade não é. Encontramos ao longo de nossos dias muitas pessoas apenas de "corpo presente", representando papéis e modelos sociais fixos, sem clareza e consciência dos seus atos e escolhas. Encontramos pessoas condicionadas ao passado. Adultos ainda vivendo a adolescência ou adultos seguindo cegamente os condicionamentos recebidos na primeira infância. Isso revela o uso de mecanismos de defesas que deram certo há muito tempo, porém não foram atualizadas às necessidades atuais da vida adulta. Consequentemente a existência perde seu curso natural, o existir traz dor e não prazer, então começam os distúrbios, um deles pode ser a insônia.

Para muitas mulheres as fases pré ou pós-menstruais, o climatério ou menopausa manifestam-se com insônias ou outros desconfortos. São os períodos de maior sensibilidade e maior riqueza interior que muitas vezes, pela própria incompreensão, servem para encobrir problemáticas da existência como frustrações pessoais, sexuais, afetivas, econômicas, familiares e de liderança.

Se a vida proveu a mulher de potencialidades muito maiores que aquelas usualmente reforçadas pela sociedade, e se estas potencialidades não são desenvolvidas, há uma cobrança interna da própria natureza que provoca indesejados sintomas secundários. Os anos estão passando, a vida está pulsando e é tempo de amadurecer as competências, ainda é tempo de ser melhor para você mesma!

Não é inteligente que a mulher exaspere a questão biológica, o papel de mulher-fêmea ou vítima gera desvantagem. Não compreender que além do biológico existe um ser de inteligência faz perder a força que gratuitamente a natureza lhe contemplou, perder a personalidade e a alegria de viver. Logo, é necessário reação e não vitimização. A vida não "perdoa" os fracos, embora a sociedade releve. A insônia pode parecer incômoda quando dela não se tira o devido proveito.

Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo, e o meu sentimento é um pensamento vazio. Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam - Todas aquelas de que me arrependo e me culpo -;Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam -Todas aquelas de que me arrependo e me culpo -;  Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada, e até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.    
     
Fragmento do Poema Insônia
de Álvaro de Campo-Heterônimo de Fernando Pessoa





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Comentários

Helena Masetto
17/11/2014
Digite sua mensagem Adorei fragmento do poema Insônia. Vi com outros olhos o passado e confiante nas novas histórias que posso realizar.
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