Quinta-feira, 19 de outubro de 2017
Ano XXIX - Edição 1479
(55) 3535-1033
jsemanal@jsemanal.com.br
diagramacao@jsemanal.com.br

Thiago Minú Meller se destaca no MMA

06/09/2012 - Por Jornal Semanal
Tweet Compartilhar
Maximiliano Thiago Bitencorte Meller, 33 anos, é natural de Independência. Casado, pai de um filho, ele é sargento de carreira do Exército, e mora em Porto Alegre há mais de dez anos. Até aí, nada de mais. Isso se ele não fosse popularmente conhecido como Thiago Minú, representante gaúcho nas lutas de MMA, sigla em inglês da modalidade chamada de Artes Marciais Mistas.
Em entrevista ao Semanal, Thiago conta como foi o início da carreira. "Desde criança sempre gostei de artes marciais, porém em Independência não existia academia. Em 1994, um vizinho meu, que trabalhava em Três de Maio, ficou sabendo que abriria uma academia de Karatê na cidade. Eu e meu amigo fomos na primeira aula (me lembro exatamente da data - 6 de setembro de 1994), gostei demais e nunca mais parei. Comecei praticar Karatê de Contato, da escola Kyokushin Oyama".
O sargento saiu de Independência em 1998 para servir a Força Aérea. No ano 2000 serviu na ESA (Escola de Sargentos das Armas) em Três Corações (Minas Gerais), e no início de 2001, foi para Porto Alegre, onde está até hoje.

O começo
A estreia dele no MMA profissional ocorreu em 2003. Ele explica que o MMA é uma modalidade de combate onde qualquer estilo de arte marcial pode ser utilizado, como Karatê, Boxe, Judô, Muay Thai, Jiu Jitsu, Wrestling, entre outras. "Enfim, como o próprio nome diz (Mixed Martial Arts) é um mix do que existe de melhor em cada modalidade de arte marcial".
Na primeira luta de MMA profissional, contra um lutador de Florianópolis (SC), Thiago venceu no segundo round por finalização, através de uma guilhotina.

Prestígio e reconhecimento
No Brasil, o MMA se popularizou devido a carreira de sucesso do lutador Anderson Silva, o campeão da categoria peso médio.
Para Thiago, este tipo de arte marcial ganha prestígio no mundo todo porque o esporte é realmente apaixonante. "Acompanho MMA desde 1996, quando era chamado de Vale-tudo. Luto há nove anos e sabia que isso seria uma questão de tempo. Em 2005, lutei na Coreia do Sul e lá já éramos tratados como ídolos. Estourou agora no Brasil, por causa que grandes emissoras de televisão transmitem as lutas, mas já é febre mundial há bastante tempo".
Embora já conhecido nacionalmente, o lutador não se considera famoso. "Sei que o reconhecimento da mídia é fruto do meu trabalho na arte marcial, e esse reconhecimento é realmente gratificante. Eu sempre digo aos meus alunos que a plantação é livre, mas a colheita é obrigatória".

Treinos, lutas e lesões
Para ser lutador é preciso muito treino. Ele conta que dedica cerca de cinco horas por dia aos treinamentos, de segundas aos sábados.
Além dos treinos, nas lutas o risco de lesões sempre existe. A lesão mais grave que ele teve, foi quebrar a mão quando nocauteou o adversário em uma luta realizada em 2009, em Curitiba. "Fiquei com a mão machucada durante quatro ou cinco meses. Olho roxo, nariz quebrado, cortes no supercílio, isso acontece com mais frequência, dependendo da luta. Normalmente lutas contra adversários duros, que duram os três rounds, os dois lutadores saem machucados com este tipo de lesão, mas em uns 10 dias está todo mundo bem".  

Conquistas x sacrifícios
Thiago revela que o melhor nesta carreira é o prazer quando o juiz levanta o braço do lutador por ter vencido. Além disto, a possibilidade de conhecer o mundo sem gastar nada, através das lutas.
No MMA, o independeciense contabiliza 25 lutas e 20 vitórias. "Já lutei nos EUA, Finlândia, Austrália, Israel, Canadá, Coréia do Sul, etc".  Mas, falando de competições de outras modalidades que treina e são a base do MMA, ele já perdeu as contas. "São quase 20 anos competindo, Jiu Jitsu, Muay Thai, Karatê, Judô e Submission, modalidades estas que fui diversas vezes campeão estadual e em algumas delas campeão brasileiro também". O maior ídolo dele no MMA é um lutador Russo chamado Emilianenko Fedor, campeão do extinto PRIDE.
Porém, o lado negativo é a dieta. "A dieta pré-luta é uma barra. Eu luto na categoria leve (até 70 quilos), e agora vou descer para a pena (até 66 quilos), e peso normalmente 80 quilos com 11% de gordura. Tenho que perder 14 quilos para lutar. Isso é muito ruim".

Conselhos
O sargento dá dicas para quem quer ingressar no MMA. "Procure uma academia de Jiu Jitsu, Wrestling ou Judô, e outra de Muay Thai, Boxe, Kick ou até Karatê. De início tem que treinar e competir muito nessas modalidades, durante alguns anos, para assim adquirir experiência, para então começar os treinos de MMA, para somente depois competir profissionalmente. Pois para lutar MMA temos que ter lutas de base, uma técnica especialista na luta no solo, e outra especialista na luta em pé, de troca de golpes".

Próximas lutas
Neste feriadão, Thiago estará na região visitando a família. "Normalmente viajo de  quatro em quatro meses para a região, afim de visitar meus pais, que vivem em Santa Rosa, e minha irmã. Também pretendo visitar os demais familiares e meus amigos de infância que moram em Independência".
Em outubro, ele disputa lutas internacionais. "Vou competir no dia 19 de outubro em Los Angeles e no final de novembro em Las Vegas. Ainda, estou esperando a confirmação do UFC na Arena do Grêmio entre dezembro ou janeiro, que deve programar uma luta para mim".

A luta mais difícil
Thiago conta que já lutou com diversos atletas que estão no UFC (Ultimate Fighting Championship). "Ganhei de um lutador australiano e de um brasileiro. Já lutei também contra o José Aldo, que é o atual campeão mundial. Fizemos uma luta duríssima,que eu perdi na decisão dividida dos juízes, luta esta que o próprio José Aldo reconhece em entrevistas que foi a mais difícil da sua carreira. E, para muitos, eu fui garfado naquela luta. Até no final da disputa, o resultado foi recebido com vaias pela plateia".
Quem quiser conferir essa luta, pode consultar no Youtube todos os três rounds.

Patrocínios e faturamento
Ele tem vários patrocionadores que auxiliam na carreira (Odor Free, Nutrisport, Opere Futuros, Loja MMA, Preventiva Fisioterapia e Iron Star). Além disto, como o MMA é profissional, o lutador ganha por competição. "Todas as despesas de viagem, hotel, estadia e alimentação são por conta dos promotores do evento. Além da bolsa para lutar, independente de vitória ou derrota, a gente sempre ganha para lutar".
Sobre a possibilidade de faturar alto no MMA, Thiago ressalta que existem diversos milionários, como o Anderson Silva. "Por exemplo, ele deve ganhar em torno de três milhões de dólares por luta. Então, com certeza tem a possibilidade de enriquecer com as lutas sim".
Thiago faz parte da maior equipe de MMA do mundo, a Black House, da qual fazem parte também os lutadores Anderson Silva, Minotauro, Minotouro, Lyoto Machida, entre outros.
Para finalizar, ele enfatiza que quanto mais o lutador fica conhecido, mais patrocinadores surgem. Por isso, ele agradece em especial todos que apostam na sua carreira.
Legenda da foto: Maximiliano Thiago Bitencorte Meller, 33 anos, é natural de Independência, filho de Adir Palharim Meller e Cléria Bitencorte Meller. É casado com Cláudia Luciana da Costa, com tem o filho Arthur da Costa Meller, de dois anos



No MMA, das 25 lutas disputadas, Thiago Minú sagrou-se campeão de 20

Fotos: Arquivo Pessoal



Indicar a
um Amigo

Comentários

Deixe a sua opinião

Veja Também

29/09/2017   |
29/09/2017   |
15/09/2017   |
08/09/2017   |
01/09/2017   |
01/09/2017   |




Todos os direitos reservados - Jornal Semanal - Três de Maio - RS