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"É de família"

12/12/2014 - Por Arlete Salante
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Herdamos uma carga genética necessária para a nossa constituição biológica. A genética familiar é um limite de natureza que inscreve algumas probabilidades. Há um campo propício para potencialidades, mas também,  para uma ou outra doença se manifestar. Porém, o que de fato determina a manifestação de talentos ou doenças, que são apenas probabilidades, é o somatório de fatores individuais e genéticos.

"Herdamos" também a forma de lidar com as emoções e o modo de administrar os conflitos. Em cada família formam-se redes discursivas e nelas, uma força mobilizadora que favorece o quadro saudável ou de adoecimento. O campo familiar dá a forma. Cada família tem um jeito de lidar com os conflitos e com os problemas que surgem ao longo da vida. Seguir atuando a partir da forma recebida é seguir um script, um roteiro já estabelecido. Resta questionar se traz saúde, conquistas e crescimento ou adoecimento, frustrações e fracassos.

Ouvi algumas vezes esta frase: 'o problema da vesícula é de família' (dita também para qualquer outra doença que se manifesta em várias pessoas da família). Nas sabedorias antigas, a vesícula biliar já era compreendida como a sede do discernimento. Doenças do fígado ou da vesícula eram consideradas uma recusa para ver alguma situação conflituosa. Forma que pode ter sido aprendida na família.

Esta psicossomática aponta para a dificuldade em compreender o desafio posto no caminho do indivíduo, e nem sempre há clareza de como resolver, inclusive quando envolve relações de afeto familiares, amorosas ou de amizade. Assim, é criada uma indisposição com a dificuldade. Pode ser instantâneo o "reagir com o fígado" e o indivíduo perde a oportunidade de desenvolver capacidade de enfrentamento e resolução. Os impulsos agressivos podem levar a formação de cálculos nessa região, ou seja, a agressividade é calcificada. O bloqueio com o contato emocional gera contrariedade ou lentidão frente às mudanças.
 
São as situações de resistências, muitas vezes inconscientes. O indivíduo em resistência ao novo tem sentimentos confusos, desconhecidos e até radicais. São comportamentos de oposição que expressam a insegurança diante do desconhecido, do que não domina ou não controla.

"É preciso saber viver" como diz a letra da música dos Titãs. Aprender a conviver e beneficiar-se do novo. Isso acontece quando se deixa de querer controlar tudo e todos. Quando a ansiedade e a angústia do desconhecido são superadas a mente e as emoções ficam em paz.

Compreender o fenômeno da resistência frente ao novo significa conhecer uma parte de si mesmo, talvez uma parte percebida pelos que estão a sua volta, mas que você não quer ver. É mais fácil convencer-se que "é de família".




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