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O perigo da paixão

16/01/2015 - Por Jornal Semanal
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Gustavo Griebler*

Paixão é algo perigoso. Mexemos com áreas perigosas. Tanto nossas quanto do que ou quem amamos. Sou colorado. Mas não extrapolo meu "coloradismo". Perdeu, perdeu, e pronto. Tristeza momentânea, mas bola pra frente. Ganhou, que ótimo. Oportunidade de vestir minha camisa vermelha para festejar e mostrar meu amor.

Falo isso em vista dos fatos que aconteceram no programa Sala de Redação da Rádio Gaúcha após o último Gre-Nal de 2014, em novembro, em que o Grêmio, com muita justiça, goleou o Internacional. Dois fanáticos por seus clubes, Kenny Braga, do lado colorado, e Paulo Sant'Ana, do lado gremista, extrapolaram o limite do aceitável na defesa de seus pontos de vista, partindo para ofensas pessoais. Com muita correção, o grupo RBS agiu corretamente na punição aos dois.

Mas temos de pensar na motivação de tudo isso. Futebol é uma das maiores paixões do brasileiro. Aqui no Rio Grande então, ou você é colorado ou você é gremista. Não tem essa de não ter clube. Se você disser que torce por Corinthians, São Paulo, Flamengo, ou qualquer outro clube fora daqui as pessoas no mínimo vão te olhar torto.

Eu vejo que a situação já foi pior. Hoje parece-me que está mais tranquilo com relação a gozações de um lado a outro, que fazem parte naturalmente de todo este cenário que envolve a disputa entre ambos. As crianças podem naturalmente ir à aula no dia seguinte à derrota de seu time em um clássico. Elas podem inclusive usar a camisa do seu time após este fato, sofrendo um pouco de gozações, mas tão somente isso.

Lembro-me de um bonito texto que o então presidente do Inter, Fernando Carvalho, escreveu por ocasião do centenário do Grêmio, em 2003. Ele foi muito feliz em homenagear o rival, por mais que um tenta ser mais que outro. Tanto é que o sofrimento dos colorados foi muito grande até que ele conseguiu ganhar a Libertadores duas vezes e o mundial uma vez para se equiparar ao rival. Um faz um estádio novo, o outro reforma o seu. Qual é o mais bonito? Cada lado defenderá o seu, obviamente.

Para terminar e lembrando novamente do texto de Fernando Carvalho, vejo que no fundo Kenny Braga e Paulo Sant'Ana, assim como seus clubes, querem mostrar-se para o Brasil, mostrar como bem representamos nosso Estado, mostrar nossa paixão por este lado do País. Mostrar que aqui temos dois campeões mundiais, mas que respeitam e valorizam o velho e bom Campeonato Gaúcho.

* Mestre em Educação nas Ciências. Professor de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Instituto Federal Farroupilha - Câmpus Avançado Uruguaiana




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