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Qual é a sua música?

23/01/2015 - Por Arlete Salante
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Após uma madrugada ouvindo o som da balada do vizinho clube, com os estilos musicais que fazem a cabeça da galera, é impossível não questionar:

Que identificação acontece com as letras musicais?  Estamos constantemente em dinâmicas de identificação, inclusive com letras musicais que refletem nosso pensar, agir e ser na vida. Assim, as identificações conscientes ou inconscientes nos determinam.

Quando a identificação é autêntica leva o indivíduo à maturidade, promovendo vida, expansão natural da própria personalidade e capacidade de ação social.

Mas, quando não autêntica leva a alienação e falsificação do próprio indivíduo.
  Correspondendo, assim, aos complexos de infância e também aos memes que são clones mentais. Os vírus psíquicos se hospedam na mente humana. Eles estão espalhados pela televisão e internet. A saída é a permanente atenção ao corpo e suas variações internas, a cada letra de música que cola na mente, notícia ou imagem que não sai da cabeça, aos ambientes que desviam o indivíduo da sua autenticidade.

O caminho para liberdade é a própria autenticidade e ser autêntico é colocar-se conforme se é de verdade, não em condicionamentos externos motivados por necessidade de aceitação, mas conforme o próprio projeto de origem. Qual é o seu?

Quem determina o sucesso de certas músicas e não de outras? -
As músicas seguras comercialmente ressoam na economia, assim funciona a chamada "indústria cultural" que a massa sustenta sem posicionamento crítico. A responsabilidade é de cada indivíduo que escolhe consumir e depois, ser consumido ao que lhe é proposto, sem margem para crescimento como pessoa. Esta falta de posicionamento crítico é resultado da alienação de cada um que "copia e cola", que se submete para pertencer ou aparecer a qualquer custo.

A necessidade de pertencimento constitui o ser humano desde seu nascimento e não se pode fugir a isso, mas é fundamental não descuidar da autenticidade. Logo, a escolha de espaços de pertencimento deve ser pautada no critério da vitalidade, na ampliação de identidades autênticas.  Não se trata de moralismo, mas de esclarecer que a exaltação da sexualidade como fim é a mais pura negação da inteligência humana em detrimento de fixações sexuais. Em especial, porque reduz a condição feminina a fêmeas exibicionistas obcecadas por sexo. Além disso, reforça elos de dependência infantil em nome do amor, toda patologia é mascarada em nome de amar, ser amado, traído e por aí vai.

Os valores que formam uma pessoa promovem responsabilização sobre a vida e, claro, dão certo trabalho porque apontam para o aprimoramento. Formar-se pessoa significa ser para si, não seguir a massa escravizada em condicionamentos comerciais alienantes. Onde está a boa música? Aquela que posiciona o indivíduo na própria sensibilidade, inteligência e prazer?




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