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Carnaval, embriaguez e suas máscaras

13/02/2015 - Por Arlete Salante
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O Carnaval é uma festa linda de alegria e descontração. O prazer da festa e a necessidade humana em ser feliz colocam muitas pessoas em fuga da realidade quando suas vidas não estão em sintonia com a autorrealização. Assim, a máscara do feliz embriagado pode até convencer socialmente, mas no íntimo, cada um que repete o padrão da embriaguez sabe que isso lhe serve para abafar suas dores.

Os modelos sociais não são garantia de felicidade, são apenas modelos para uso quando servem a vida, quando fixos viram máscaras que se sobrepõem a alma. Esse dilema da humanidade é dito por diversas linguagens artísticas, do cinema à poesia, como se pode ler no fragmento abaixo da poesia "Tabacaria":

...Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era
                                               e não desmenti, me perdi.

Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó
                                                       que não tinha tirado.

Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
                                                            Fernando Pessoa

As pessoas de uma sociedade reproduzem os padrões que receberam pronto por comodidade, adaptação ou medo. Na relação com o meio que as máscaras e os papéis aparecem. O grande perigo para o indivíduo é acreditar ser o que representa ou perder-se dentro do papel que desempenha. Acontece quando indivíduo desconhece seu projeto de alma ou quando o valor está no que os outros vão pensar ou dizer, e não no ganho de vida para si mesmo.

As sociedades e seus modelos geram um paradoxo à existência humana: nesta mesma sociedade que impõe como cada um deve ser é o lugar onde o ser pode encontrar sua autorrealização vencendo as inseguranças.

Só tirando as máscaras se resgata a alegria em existir, fazer e acontecer conforme a própria verdade interior.

Uma vida sem festas é como uma longa caminhada sem paradas. Celebre,  brinde e responsabilize-se pela sua existência, só você pode tornar sua vida plena!




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