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Levante a cabeça

20/02/2015 - Por Jornal Semanal
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Gustavo Griebler*
Estava voltando para casa caminhando, quando deparei-me, em duas casas, com pessoas em notebook e tablet. Não olhavam para o movimento da rua, olhavam para seus aparelhos eletrônicos. As únicas pessoas que encontrei no pátio de casa foram elas no curto trajeto que fiz. E ainda por cima com seus aparelhos eletrônicos. Conectadas com o mundo, mas totalmente desconectadas com o mundo ao redor. Certo, Pierre Lévy diz que podemos estar lado a lado com uma pessoa no metrô, mas cada um de nós com um aparelho que permite comunicação estando cada um de nós mais próximos com alguém que esteja a 500km dali graças a uma conversa que estamos tendo por meio do aparelho.

É só um exemplo dessas duas pessoas em suas casas. Mas vejo isso muito na rua e demais locais em que as pessoas não desgrudam o olhar de seus celulares, sem se importar com o que acontece ao redor. Algumas vezes até eu me pego assim. A Internet, que antes acessávamos somente no computador de mesa passou com o tempo para o notebook com o advento da tecnologia sem fio de Internet e agora para o celular com a tecnologia 3G e 4G, e ainda com diversos pontos na rua com acesso sem fio. Estamos conectados. O tempo todo. A era da ubiquidade. Somos seres ubíquos agora, podemos ser encontrados em qualquer lugar, a qualquer tempo. Exceto eu, neste exato momento, em que a bateria de meu telefone descarregou e não levei o carregador para o lugar onde digito estas linhas. Não estou ubíquo. Não estou conectado ao mundo.

O mundo evolui. Podemos ver o caso da fotografia. Quando de seu início em questões mais "evoluídas", lá pelos idos do século XIX, para que a foto fosse processada e revelada na então máquina de tirar fotografias, as pessoas tinham de ficar na frente do aparelho por aproximadamente 15 minutos. Já imaginou uma criança para tirar foto? Ela ficava parada? Certo que não. Daí a expressão Olha o Passarinho. Colocavam uma gaiola com um passarinho à frente e a criança ficava focalizando o animal para se distrair enquanto os longos 15 minutos passavam e a foto fosse processada.

Não sou contra a tecnologia da informação e da comunicação. Pelo contrário. Sou ferrenho defensor. Até porque ela é muito útil em diversos momentos. Em um curso que eu faço, somente com o livro à frente, necessitava pesquisar algumas coisas na Internet. Fiz isso com meu celular com a tecnologia 3G, algo impossível e impensado até há alguns anos atrás, mas que naquele momento facilitou e muito minha vida.

Para encerrar: Levantemos a cabeça. Desgrudemos um pouco o olhar do celular. Talvez encontremos o nosso amor nesta simples levantada de cabeça somente nos esperando para sorrir.

* Mestre em Educação nas Ciências. Professor de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico. Coordenador Geral de Ensino Substituto. Instituto Federal Farroupilha - Câmpus Avançado Uruguaiana




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