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Mulheres*...

06/03/2015 - Por Arlete Salante
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De uma forma ou de outra me identifico e compreendo as mulheres que encontro. Em maior ou menor intensidade já vivi, agi ou pensei do mesmo modo. Onde uma sofre a outra também sofre, onde uma erra as outras também erram, onde uma encontra a liberdade verdadeira, as outras também encontram, e assim vem a autorrealização.

A psicologia feminina, por ordem da natureza faz uma constituição diversa, com força peculiar e graça. São muitas as facetas que compõe cada mulher, além das exigências do meio externo, que potencializam a ambiguidade tornando-as um tema controverso, um mistério para os homens e para as próprias mulheres.

Filósofos como Aristóteles, Hipócrates, São Tomás e Santo Agostinho contribuíram para rebaixamento social da mulher ao inferir, cada um na sua época, a condição de inferior da mulher pelo tamanho dos músculos, incapacidade de raciocínio e até falta de alma. Tudo isso, sem falar da origem bizarra a partir de uma costela. Como se não bastasse à condição histórica de inferiorização, Adão se delicia com a maçã juntamente com Eva, mas ela carrega a culpa milenar. Mesmo relativizando o mito de origem, porque é sabido que a bíblia e dois mil anos de história foram até o momento escrito por homens, o estigma de culpa prevalece no inconsciente coletivo e se desloca para situações atuais. A exemplo disso, as mulheres que trabalham fora se culpam por não estar com os filhos.

 A riqueza feminina incompreendida pelas próprias mulheres as coloca ainda infantis diante dos homens, sem respostas para as infames acusações.  Muitas acreditam ainda que a razão de suas vidas seja apenas em função da família, de alguns homens, ou de um só. Estas não confiam na própria força ou não encontraram a sua alma, foram educadas para depender psicologicamente. O resultado é frustração e insegurança velada, passada de mãe para filha por gerações.

Qual a visão da mulher hoje? Se ainda há tantos resquícios de comportamento conforme a igreja determinou no período medieval, quando se determinaram regras de convivência entre os sexos: os homens comandando a sociedade em espaços públicos e as mulheres no plano da submissão doméstica (ok, agora contribuindo com orçamento doméstico).

O mundo mudou, mas o lugar subjetivo que é dado a cada mulher, ainda não mudou dentro das sociedades, empresas, famílias e religiões. A começar pelas próprias mulheres e a educação feminina. Por séculos se impõe os mesmos modos e  obrigações que as suas mães tiveram, repete-se o padrão sem compreender que antes de haver um sexo (feminino ou masculino) existe um ser de inteligência, e inteligência não tem sexo!

Continua na próxima semana.

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*Março Mulher- Edição Especial todo mês dedicado a Psicologia Feminina




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