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Pesquisa revela que mulheres empreendedoras abririam mão do próprio relacionamento em função da carreira

06/03/2015 - Por Jornal Semanal
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Maioria das empresárias brasileiras divide as contas da casa, mas 47% das empreendedoras ainda são as únicas responsáveis pelas tarefas domésticas

Dedicando-se cada vez mais à carreira profissional, as mulheres estão mais seguras de si quando o assunto é mercado de trabalho. Um estudo inédito realizado em 2014 pelo Serviço de proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em todas as capitais mostra a determinação de boa parte das mulheres empreendedoras de abrir mão do relacionamento afetivo caso ele se torne uma barreira ao seu sucesso profissional.

Mais de um terço (36%) das empresárias casadas admitiram à pesquisa que abririam mão do relacionamento conjugal caso o marido ou companheiro dissesse: "ou eu ou o trabalho". Outras 40% das entrevistadas afirmaram que precisariam pensar mais a respeito antes de tomar uma decisão - não descartando a possibilidade de romper com o relacionamento- e somente 25% das mulheres afirmaram que com certeza abririam mão do trabalho.

Na avaliação da economista do SPC Brasil, Luiza Rodrigues, a convicção detectada pelo estudo está diretamente ligada à maior participação das mulheres no mercado de trabalho, inclusive a frente de negócios. "Ainda que haja uma defasagem histórica na remuneração das mulheres na comparação com homens, é perceptível uma maior inserção delas nas atividades fora do lar", afirma a economista.

Em relação ao estado civil, destaca-se que quase a metade das entrevistadas (44%) não possui cônjuge, o que reforça o perfil de autonomia na vida pessoal e profissional entre as empreendedoras solteiras.

Acúmulo de responsabilidades

Entre as casadas ou que vivem em união estável, 70% disseram ter participação total ou parcial no pagamento das contas da casa, sendo que dessas, 14% se responsabilizam sozinhas pelo pagamento das despesas e 56% dividem os custos com o marido. "Esse alto percentual é um exemplo prático da participação marcante da mulher nas finanças da família, reforçando o perfil de autonomia e maior independência econômica por parte delas", destaca a economista Luiza Rodrigues.

Mesmo atuando fora de casa com o negócio próprio, as mulheres empreendedoras não abandonaram as atividades domésticas. O levantamento indica que em 47% dos casos elas são as únicas responsáveis pelas tarefas do lar, como cuidar dos filhos, lavar, passar e cozinhar. O percentual é maior entre as empreendedoras cujo negócio é informal (58%). "A pesquisa mostra que a ampliação de oportunidades no mercado de trabalho entre as mulheres não foi acompanhada por uma nova divisão de responsabilidades domésticas entre os gêneros. Novos papéis foram incorporados à rotina da mulher sem que ela deixasse de ser cobrada pelas funções tradicionais de ser boa mãe, boa dona de casa e boa esposa", conclui a economista Luiza Rodrigues.

Além de acumularem funções da carreira com as atividades domésticas, quase a metade (49%) das empreendedoras dedica mais tempo à profissão do que um trabalhador assalariado formal, ou seja, trabalham mais de oito horas por dia. Some-se a isso o fato de que quatro em cada dez (37%) não tiram férias, fator que torna a jornada de trabalho ainda mais pesada para as mulheres empreendedoras.





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