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Três-maiense atua como monitora de direitos humanos na Palestina

13/03/2015 - Por Jornal Semanal
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Ana Bárbara Moreira Tesche, 25 anos, retornou em janeiro do Programa de Acompanhamento Ecumênico na Palestina e em Israel (EAPPI), onde vivenciou a realidade da ocupação militar israelense nos territórios palestinos

É fato, as mulheres estão ocupando cada vez mais o seu espaço. Na família, no mercado de trabalho e na sociedade, elas desempenham papel fundamental e são as únicas que conseguem conciliar tudo e realizar, ao mesmo tempo, várias tarefas. Mas é no voluntariado que elas se destacam ainda mais, pois a sensibilidade, o instinto maternal e o fato de ajudar o próximo, sem esperar algo em troca, são características predominantes da mulher.

Um exemplo de mulher voluntária é a jovem Ana Bárbara Moreira Tesche, 25 anos, bacharel em Relações Internacionais e mestre em Ciência Política. No fim de janeiro, ela retornou de um trabalho voluntário, de três meses, através do Programa de Acompanhamento Ecumênico na Palestina e em Israel (PAEPI/EAPPI), uma iniciativa do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). Pelo programa, voluntários de todo o mundo vivenciam a realidade da ocupação militar israelense nos territórios palestinos.

Ela contou ao jornal Semanal que seu primeiro contato com a Palestina ocorreu em 2011 quando foi voluntária em um campo de refugiados e conheceu alguns refugiados palestinos. "Depois disso, meu interesse pelo conflito só aumentou e em 2013, com o objetivo de compreender melhor a situação acabei fazendo um estágio em uma organização comunitária no Vale do Jordão, na Palestina", informou.

Em 2014, a três-maiense foi monitora de direitos humanos através do EAPPI. "O programa fornece presença protetiva para comunidades vulneráveis, monitora e reporta abusos de direitos humanos para organizações internacionais como a Cruz Vermelha e a Organização das Nações Unidas, com o objetivo de buscar um fim à ocupação militar israelense e respeito ao Direito Internacional".

Ela conta que os monitores ficam espalhados em sete localidades de norte a sul da Cisjordânia: Jerusalém, Belém, Hebron, Yanoun, Yatta, Jericó e Jayyous. "No meu caso, eu fui uma das cinco pessoas responsáveis por Yanoun e por cobrir a maior parte da região norte do território palestino ocupado. Fiquei do fim de outubro de 2014 e voltei agora, no final de janeiro".


Lições de vida e situações de risco
Ana enfatiza que o que se ouve no Brasil sobre a Palestina está longe de ser a história completa. "Na maioria das vezes, a mídia, em especial a brasileira, reporta apenas sobre um lado do conflito, definitivamente devemos buscar por mais de uma versão dos fatos", esclarece.

O que a impressionou foi a cordialidade do povo palestino. "Mesmo com a ocupação militar israelense, restrições de movimento, água e acesso a propriedade privada, não importa aonde você vá na Palestina, será sempre recebido com uma xícara de chá ou café, todas ao modo palestino, ou seja com mais de cinco colheres de açúcar".

Indagada se vivenciou situações de risco ou perigo, ela revela. "O  perigo está em como cada situação é imprevisível. Um protesto pacífico pode pode ser visto como uma ameaça pelo exército, que não exita em atirar bombas de efeito moral, bombas de gás lacrimogêneo ou balas de borracha", comenta, afirmando que não sentiu medo durante o período que desenvolveu o trabalho de monitora na Palestina.

Causas sociais
Como voltou recentemente de viagem, Ana está aproveitando para curtir a família e amigos. Ela é filha de Leomar Tesche e Maria Adelaide Moreira Tesche e atualmente mora em Porto Alegre.

Ela confessa que seu maior sonho é continuar a melhorar como pessoa e profissional, todos os dias. E, questionada se é engajada em causas sociais e voluntárias, ela responde. "Causas sociais são importante em qualquer área de trabalho, pois ajudam a ampliar a sua visão de mundo, quebrando paradigmas e preconceitos. O importante não é apenas fazer por fazer, o importante é entender o propósito por trás de qualquer causa social", conclui. 

O conflito entre Israelenses e Palestinos Disputa pela 'Terra Santa' tem raízes históricas
Os confrontos entre judeus e palestinos têm origem na ocupação da antiga Palestina a partir do final do século 19. A região então pertencia ao Imperio Otomano e era habitada por 500 mil árabes.

Os judeus começaram a chegar após decisão do primeiro encontro sionista, que estimulou a migração em massa para a região, onde deveria ser criado o Estado de Israel - o que aconteceu em 14 de maio de 1948, quando ali já viviam 600 mil judeus.

Antes disso, porém, os conflitos entre judeus e árabes já haviam começado e se intensificado à medida que a imigração judia aumentava.

Em 1947, a ONU tentou acabar com a tensão propondo que o território fosse dividido em dois, com a criação de um Estado judeu e outro árabe. Jerusalém seria um "enclave internacional". Os árabes recusaram a proposta.

Nos anos seguintes à declaração de independência de Israel houve uma sequência de guerras contra o Estado judeu, que sempre saiu vencedor.

A Guerra dos Seis Dias, em 1967, mudaria o mapa da região. Israel derrotou Egito, Jordânia e Síria e conquistou, de uma só vez, Jerusalém Oriental, as Colinas de Golan e toda a Cisjordânia - região de maioria árabe e reclamada pela Autoridade Palestina e pela Jordânia.

Os palestinos reagiram à tomada do território com as intifadas, quando milhares de jovens saíram às ruas para protestar contra a ocupação israelense - considerada ilegal pela ONU.

Em 1987, na primeira intifada, crianças que jogavam pedras nos tanques foram mortas por Israel, provocando a indignação da comunidade internacional.

Porém, com o apoio dos Estados Unidos, Israel segue nos territórios ocupados, ignorando uma resolução da ONU que determina a desocupação das regiões conquistadas na Guerra dos Seis Dias.

A postura de Israel de não deixar as áreas ocupadas, junto aos atentados e boicotes por parte de palestinos que não reconhecem o Estado judeu, impedem que os conflitos terminem - apesar de haver um processo de negociação de paz que já dura anos.


Ana registra o monitoramento de
soldados do exército israelense



Ana registrou momento em que
soldado revista criança a caminho
 da escola






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