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"Conhece-te a ti mesmo"

02/04/2015 - Por Arlete Salante
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O pensamento socrático de quatro séculos antes de Cristo compõe o Humanismo Clássico. É um excelente contraponto ao momento atual marcado pela civilização tecnológica que determina  o comportamento a partir do mundo externo. Assim, torna-se raro encontrar algo autêntico, algo que reflita a essencialidade das coisas.

Parece que o menos desejado é conhecer a nós mesmos. Porém, esta é a única base sobre a qual é possível construir algo e realizar a própria existência.

A jornada do autoconhecimento gera autoconfiança. Passa por parar de executar informações inconscientes recebidas desde o ventre materno, discernir necessidades dos outros das próprias e ser fiel a si.

Para Sócrates "só quem sabe não saber coloca-se na exata atitude de pesquisa, enquanto quem acredita já saber a verdade nada faz verdadeiramente para busca-la. Conhecer a si mesmo quer dizer cultivar a própria alma, que é a essência do homem" (Meneghetti, 2010).

A pessoa que não se conhece para além dos modelos familiares e máscaras sociais que vive, não promove a vida em si e menos ainda para os outros. Está se repetindo desde a infância. Vive com os mesmos padrões internos da criança, mas com aspecto de adultez. Então se manifesta a insatisfação, a falta, a ansiedade, a insônia, a compulsividade, a falta de sentido e tantos outros sintomas que caracterizam o adoecimento psicológico. Certezas e absolutismos podem ser meras defesas para não encarar a própria verdade. É inútil olhar para fora quando a resposta está dentro de cada um.

Conhecer os próprios condicionantes é um caminho para a lucidez. Passa por reavaliar a vida, compreender como estabelece relações, a forma como escolhe, quando é rígido, como censura a si e os outros. Enfim, conhecer a si mesmo é tarefa para os corajosos. Aqueles que se permitem encarar um espelho com honestidade na alma, sem máscaras de orgulho ou superioridade.

Sem conhecer seu mundo interno e a real motivação de suas ações, a busca de satisfação e felicidade é condicionada ao que aprendeu com os outros. Porém a estrada é única, o projeto é próprio. Viver ou copiar a vida dos outros não dá significado à existência.

É inteligente que dentro de cada escolha haja clareza e lucidez sobre a intenção, mas para haver assertividade a intenção que move suas ações não pode estar a serviço de manter os padrões adquiridos no passado. O modo de escolher deve necessariamente se atualizar.

"Conhece-te a ti mesmo para que teu modo de agir não ofenda teu modo de Ser"
Alécio Vidor.




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