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Entrevista - Educação Financeira

17/04/2015 - Por Jornal Semanal
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"A Educação Financeira mostra-se cada vez mais necessária como meio eficaz para cuidar dos eventuais desequilíbrios financeiros e solucionar os problemas de inadimplência que afligem muitas famílias brasileiras", afirma a economista Jaqueline Nogueira de Sá, professora e coordenadora do curso de Ciências Econômicas da Faculdade Horizontina (Fahor)

Em entrevista ao jornal Semanal, a economista Jaqueline Nogueira de Sá, professora e coordenadora do curso de Ciências Econômicas da Faculdade Horizontina (Fahor) faz uma avaliação do número recorde de pessoas endividadas no Brasil, dos fatores que levam ao endividamento, e dá algumas dicas de como adotar a educação financeira no orçamento doméstico.

Jornal Semanal - Na sua avaliação, porque é tão grande o número de pessoas endividadas no Brasil?
Economista Jaqueline - Após a crise da economia, uma das estratégias adotadas para garantir o aumento da produtividade, do nível de emprego e da renda foi a facilitação da concessão de crédito ao consumidor, levando ao aumento no nível de consumo. A realização dos sonhos de consumo, tais como, compra de automóveis, apartamentos, eletrônicos e eletrodomésticos, gerou o comprometimento da renda familiar com o seu pagamento e, muitas vezes, a inadimplência.

JS - Quais os fatores que levam a este superendividamento? Há um perfil de pessoas que mais se endividam?
Jaqueline - A inadimplência não ocorre porque as pessoas não querem pagar as contas em dias, mas sim por algum fator específico, como a perda do emprego, um imprevisto financeiro na família, entre outros. Quando os consumidores comprometem mais de 30% da sua renda líquida em pagamento de dívidas, a situação pode se complicar e os números estão aí para confirmar. Ademais, o perfil de pessoas que comprometem grande parte da renda com o pagamento de dívidas encontra nas classes média e baixa.
 
JS - Quais as dicas para um inadimplente sair desta situação de dívidas?
Jaqueline - O primeiro passo para buscar o equilíbrio financeiro é tentar colocar as contas em dia, partindo-se daquela de maior prioridade, como aluguel, conta de luz e água.  Para isso, também será necessário a elaboração de um planejamento financeiro. O planejamento financeiro consiste na elaboração de um plano com todas as nossas receitas e despesas. Tendo tudo anotado, servirá para guiar as nossas decisões. Claro que nem sempre o que é planejado se realiza, mas, se planejando já é difícil, imagina sem nenhum planejamento.
 Com esse planejamento, é possível analisar as receitas e despesas atuais para direcionar os gastos àquilo que realmente se deseja. Envolve cortes de despesas desnecessárias, poupança e, por fim, gastos com o que realmente tem importância para cada um. Reservas devem ser feitas para eventuais imprevistos futuros e, também, para a concretização de objetivos.

JS - Qual a sua orientação para que uma pessoa não caia no risco do endividamento?
Jaqueline - Um dos maiores desafios de poupar é justamente a falta de um objetivo concreto para o dinheiro poupado. Se poupo pura e simplesmente para ter dinheiro, na verdade, não o tenho, pois acabo gastando de maneira supérflua e sem controle. Se tenho dinheiro guardado sem ter uma motivação concreta, no primeiro impulso consumista o dinheiro "poupado" vai embora - a famosa frase: "dinheiro na mão é vendaval". Agora, se ele está lá para cumprir um objetivo maior, os supérfluos ficam pelo caminho e o dedico apenas ao objetivo principal - incremento na aposentadoria, casa própria, um eletrodoméstico novo.

 O importante é ter um objetivo e ir em busca dele, não se precipitar, evitar o consumo imediatista, é saber esperar. Esse seria outro passo para o planejamento financeiro dar certo. Lembramos que o objetivo de poupar dinheiro não é apenas acumular cada vez mais, mas sim, pelo contrário, gastar com o que gostamos e com o que é efetivamente necessário - grande parte dos causadores das dívidas são as compras por impulsos. Nunca devemos ser escravos do dinheiro. Devemos saber é ser econômicos e racionais, tendo a consciência de que o dinheiro é o meio para atingirmos um fim maior, porque dependemos dele no mundo em que vivemos. É preciso muita disciplina, auto-controle e persistência sempre.
 
JS - Como adotar uma educação financeira em casa, com os filhos?
Jaqueline - A Educação Financeira mostra-se cada vez mais necessária como meio eficaz para cuidar dos eventuais desequilíbrios financeiros e solucionar os problemas de inadimplência que afligem muitas famílias brasileiras. A preocupação com a saúde financeira vai além da idade e da classe social, todos precisam de um planejamento para que nada nos pegue de surpresa ou desprevenidos. Por isso, o debate sobre a importância da educação financeira tem se intensificado. Projetos sobre a implantação dessa disciplina nas grades escolares, cursos e livros sobre esse tema em questão, entre outros, começam a fazer parte do dia a dia de todos nós.

Sem dúvida, a educação financeira nas escolas é muito importante, porém deve ser colocada em prática em casa e aderida por todos os membros da família para dar certo. Tudo na vida é questão de hábito. Se desde cedo a criança é ensinada sobre a necessidade de esperar e poupar para consumir o que deseja, a vida adulta fica bem mais fácil.

 Uma boa dica para inserir educação financeira em casa é através da mesada ou semanada, condizente com a realidade de cada família. Assim, a criança pode, desde cedo, aprender a lidar com o seu "orçamento" - eu quero comprar um brinquedo que custa 30 reais, mas só tenho 10 reais no meu cofrinho (orçamento); por isso, terei que esperar e guardar mais (poupar) para conseguir comprar o que realmente quero. Se usar os 10 reais para comprar outra coisa, para ter o que realmente quero demorará ainda mais. Ou seja, temos sempre que fazer escolhas, abrir mão de algo para ter outro. Esse conhecimento é um dos primeiros passos que nos leva a viver dentro do nosso orçamento, em equilíbrio financeiro e feliz.

Na foto: Economista Jaqueline Nogueira de Sá
 

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