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Nossas prisões caseiras

10/04/2015 - Por Jornal Semanal
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Gustavo Griebler*

Estive observando o prédio onde moro. Temos grades e muros altos, cerca eletrônica, portas e vidros com grades. Quanta coisa! Parece que estamos em um bunker muitas vezes. Estamos nos aprisionando internamente. Criamos prisões para nós mesmos. Para que tudo isso? Claro, se não for assim, podemos ser roubados, perder nossos bens materiais conquistados com o suor do nosso trabalho. Criamos nossas prisões para nos protegermos. Por que isso? Por que tem que ser assim?
Não somente na nossa casa. Na rua também há perigo. Podemos ser assaltados. Muitas vezes, isso pode ser evitado com alguns cuidados, mas o risco sempre existirá. De algumas coisas não estamos livres. Muitas vezes sabemos que o motivo do roubo e do assalto é unicamente para um único fim: a compra de drogas. Prazer momentâneo. Que logo se vai, e lá estão os bandidos novamente roubando, assaltando, furtando.

A violência é algo presente em nossa realidade. Saber conviver com ela pode ser difícil, mas necessário, apesar de que, como escrevi há algum tempo atrás, continuo confiando no ser humano. Continuo acreditando que o humano é bom. Vamos aos exemplos recentes.

No Carnaval fora de época deste ano de Uruguaiana, Cova da Onça, Ilha do Marduque e Os Rouxinóis, algumas das principais escolas de samba da cidade, tinham representantes na torcida lado a lado na avenida, cada um cantando o samba-enredo da outra, na maior tranquilidade, sem brigas, sem encrencas um com o outro. Outro caso: gremistas e colorados, no último Grenal, conviveram pacificamente em uma torcida mista. Por que não acreditar que é possível? Claro que é. A Inglaterra já nos ensinou isso. Os fanáticos torcedores de futebol, que destruíam, faziam arruaças, abolidos, agora dão lugar a uma torcida que fica praticamente junto com o banco de reservas. E em uma convivência totalmente pacífica e harmônica.
Eu vou continuar confiando no ser humano sempre, acreditando no nosso melhor sempre, mas vou continuar mantendo a porta de casa chaveada e a janela fechada ao dormir. Além do mais, deixarei o carro trancado e o alarme ativado. Poderia ser diferente poderia. E seria muito melhor.

* Mestre em Educação nas Ciências. Professor de Ensino Básico, Técnico e
Tecnológico e Coordenador Geral de Ensino Substituto do Instituto Federal
Farroupilha - Câmpus Avançado Uruguaiana.






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