Terça-feira, 20 de novembro de 2018
Ano XXX - Edição 1534
(55) 3535-1033
jsemanal@jsemanal.com.br
diagramacao@jsemanal.com.br

Em Favor da Democracia e do Voto Consciente

02/04/2015 - Por Jornal Semanal
Tweet Compartilhar
Antônio Ailton Torres de Paula*

Sou a favor dos movimentos sociais e da democracia, acima de tudo. Aproveito a ocasião para aplaudir as iniciativas da CNBB e OAB que lançaram manifesto nacional em defesa da democracia. Nós trabalhistas sentimos na carne e vivemos na prática o significado e os reflexos de um golpe de Estado, que desde 1964 o Brasil padece. Acho que tem muitas coisas erradas neste País, as quais precisam ser corrigidas para melhorar a vida do Brasil e de nosso Povo. Nos Jornais dos últimos dias, o renomado Jurista Ives Gandra Martins opinou "que existe base jurídica para a abertura de um processo de impeachment da Presidente Dilma, mas não há no momento clima político para tanto", cujo parecer foi rechaçado por outro gigante do Direito - Dr. Lenio Streck (ex-procurador de justiça e professor de Direito Constitucional da Unisinos), o qual, na pg. 9 do JZH de 1º/03/2015, diz que: "Não basta simplesmente dizer que a lei 1.079 está presente. Tem que dizer: em que momento, em que circunstância. Neste momento não existe nada concreto. Não há nenhum elemento objetivo para o impeachment."

- O finado Ulisses Guimarães - Deputado do PMDB (Líder da Constituinte/88), seguidamente citava o termo "Casuísmo", referindo-se às coisas que são ajeitadas para beneficiar ou prejudicar pessoas e instituições no "Tapetão".

Leonel Brizola do PDT - o maior líder civil do Brasil dos últimos 50 anos, segundo afirmações de Pedro Simon, apesar de ter sido a grande vítima do "Golpe de 64" e ter perdido as eleições de 1989 para o Collor e o Lula, de início não era muito a favor do "Impeatchment" do Collor, por temer cometer uma injustiça, ou seja, condenar alguém sem que existam provas robustas desse crime, o qual só apoiou o Processo depois que apareceram provas mais claras.

Fernando Lugo do Paraguai foi afastado da Presidência de seu País pelo Senado em 2012, num processo relâmpago de menos de 24 horas. Apesar do  Procedimento ter seguido o rito do Impeachment, o caso foi classificado pelos demais países Sul-americanos como golpe, pela falta de prazo para a defesa.

Temos que abrir os olhos para não embarcarmos no discurso dos que "estão com saudades dos milicos" e querem cessar o aperfeiçoamento democrático. Aliás, é oportuno lembrar que não ouvi nenhum militar dizendo que estejam pretendendo se afastar de suas imprescindíveis funções constitucionais.

Na mesma linha de raciocínio do Dr. Lenio, Ulisses e Brizola,  acho que temos que preservar a democracia e não banalizar o "Processo de Impeatchment", que nos últimos 23 anos já teve 61 pedidos arquivados. A Presidente Dilma foi eleita democraticamente pelo voto popular. As investigações do "LAVA JATO" estão andando bem, razão pela qual acho que é prudente aguardarmos o final dos trabalhos da Justiça para vermos se realmente a Presidenta tem culpa e se agiu com dolo, ou, se a culpa real é do LULA e/ou dos representantes do PT, PP, PMDB, PSDB e PTB citados na Mídia, e, em especial na Veja de 11/03/15.

   Também não podemos generalizar, dizendo que "a maioria dos representantes" desses Partidos não prestam. Temos que admitir que nos Partidos ora citados e nos Demais, tem muito mais gente boa e honesta do que pessoas desonestas, uma vez que acreditamos que apenas a minoria é safada, a qual, infelizmente gera grandes prejuízos à Nação, e, por conseqüência para a jovem democracia brasileira.

Queremos sim a Verdade. Doa a quem doer. Queremos sim que a PETROBRÁS, que foi criada pelo maior dos trabalhistas, o venerável Estadista Brasileiro - Dr. Getúlio Vargas, seja preservada de roubos, mas não podemos querer a privatização da nossa maior empresa, pois, caso não ficarmos vigilantes, na esteira de uma Condenação Emocional da Dilma, fatalmente não faltarão grandes capitalistas nacionais e internacionais interessados em privatizar a nossa maior empresa, que é orgulho nacional.

Diante disso, "smj", acredito  que não podemos condenar ninguém sem termos certeza de sua culpa, razão pela qual, entendo que se a Presidente Dilma é Presidente, foi porque o povo votou nela, sendo mais racional esperarmos pelo desenrolar do Processo em Andamento, ou, as eleições de 2018, para então tirarmos do Poder a Dilma e seus companheiros (as) no voto, democraticamente, pela vontade do povo, não através de Golpe, e/ou, Impeatchment, feito na base do alvoroço, cujo eventual Processo de Impedimento, no momento,  também é reprovado pelo ex - Presidente FHC.

O voto é um ato sério e importante na vida do povo. Por isso, na hora de votarmos em alguém, temos que ter certeza do QUE estamos fazendo. Não se pode votar e depois "desvotar". Não é possível votar e querer puxar de volta o voto já depositado na urna. POR ISSO, devemos aguentar as consequências de nossos votos, precisamos votar conscientemente. Para corrigirmos um voto mal dado num (a) candidato (a), acredito que teremos que esperar pela próxima eleição, a menos que exista prova inquestionável de crime praticado pelo (a) eleito (a) durante a sua campanha e/ou no exercício do mandato.

Como diz o adágio popular, "calma e caldo de galinha não fazem mal à ninguém".


*Coordenador Regional do PDT - Santa Rosa / RS




Indicar a
um Amigo

Comentários

Deixe a sua opinião

Veja Também

16/11/2018   |
09/11/2018   |
19/10/2018   |
11/10/2018   |
05/10/2018   |
28/09/2018   |




Todos os direitos reservados - Jornal Semanal - Três de Maio - RS