Domingo, 20 de agosto de 2017
Ano XXIX - Edição 1471
(55) 3535-1033
jsemanal@jsemanal.com.br
diagramacao@jsemanal.com.br

A herança bilionária de H. Stern...

21/09/2012 - Por Marcos Salomão
Tweet Compartilhar
Em 1945, o alemão judeu H. Stern abriu no Brasil sua primeira loja de pedras preciosas no Rio de Janeiro. Ele chegou aqui com 17 anos, fugindo do nazismo. O sucesso dos seus empreendimentos fez com que a rede de joalherias H. Stern se tornasse uma das cinco maiores do mundo com 150 lojas e 140 pontos de vendas, em 32 países. Sua sede ainda é em Ipanema, no Rio de Janeiro.
H. Stern teve quatro filhos do seu casamento. Reconheceu mais tarde uma filha, de outro relacionamento. Em 2007, H. Stern faleceu e deixou um testamento. As cifras são bilionárias...
Foi então que dois homens, Nelson de 54 anos e Milton de 52 souberam de sua mãe que também eram filhos do bilionário, já falecido. Ela contou que teve um relacionamento extraconjugal com H. Stern e então engravidou. Casada com outro homem, ela disse para ele que os filhos eram dele e assim foram registrados. Este homem morreu, achando ser o pai dos dois. Mais tarde, com a morte de H. Stern, a mãe contou a verdade. Os rapazes então pediram um exame de DNA aos outros quatro irmãos que se negaram. Então a Justiça autorizou a exumação do cadáver do bilionário. Os quatro filhos então mudaram de ideia e aceitaram fazer o exame. Bingo! Os dois rapazes são realmente filhos de H. Stern e querem sua parte na herança...
Agora é que vem a discussão bacana...
Como muito se tem falado que pai é quem cria, e a Justiça tem reconhecido isso como paternidade socioafetiva, os advogados de defesa dos quatro filhos levantaram esta tese. Para os advogados os outros dois filhos não tem direito a herança, pois foram criados por outro pai, que estava inclusive no registro de nascimento deles, e desta relação houve afeto. Inclusive este pai já faleceu e eles já receberam a herança. Não podem agora, querer receber uma segunda herança, mesmo que de um pai biológico, que nunca tiveram contato, pois o entendimento de hoje é que a paternidade socioafetiva vale mais que a biológica.
Os dois novos filhos não gostaram da ideia e argumentam que tem sim direito a bilionária herança do pai biológico H. Stern. Dizem ainda que somente souberam da paternidade verdadeira depois da morte do empresário e por isso nunca tiveram a oportunidade de conhecer e se relacionar com ele. Se for preciso podem inclusive abrir mão da herança que já receberam do outro pai, para então receber a herança do bilionário...
O caso tramita na 2ª. Vara de Família do Rio de Janeiro e agora é a Justiça que vai decidir se a paternidade socioafetiva (aquele que criou) exclui a paternidade biológica (de sangue)...
Vale a pena esperar para ver o desfecho, que poderá afetar inúmeros casos em todo o país...


Das minhas leituras da madrugada:
1 -"Os homens esquecem mais facilmente a morte do pai que
a perda dos bens"- Maquiavel
2-"Nem sempre é o pai rico que deixa a maior herança"- Ivan Teorilang

Um ótimo fim de semana a todos...



Indicar a
um Amigo

Comentários

Deixe a sua opinião

Veja Também

17/04/2015   |
13/04/2015   |
13/04/2015   |
27/03/2015   |
20/03/2015   |
13/03/2015   |




Todos os direitos reservados - Jornal Semanal - Três de Maio - RS