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Um conselheiro argentino

08/05/2015 - Por Jornal Semanal
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Gustavo Griebler*

Estava distraído no SESC lendo jornais, quando um senhor aproximou-se de mim falando em espanhol. Iniciou perguntando se ele vendeu a casa em três prestações e lhe pagaram somente duas, a casa era dele ainda. Eu confirmei, por mais que eu seja totalmente leigo nestas questões. Em meu entendimento, a casa ainda era dele, pois a quitação não havia sido feita. Mas a conversa não parou por aí. Ele deve ter sentido confiança em mim ou estava querendo mesmo era conversar. Eu com meu Espanhol sempre em aprendizado e formação, prestava muita atenção ao simpático senhor para procurar entender perfeitamente o que ele queria dizer. Na hora de dar alguma resposta, esforçava-me para pronunciar um Espanhol entendível ao senhor.

A conversa evoluía. A esse ponto eu já havia desistido da leitura do jornal, por mais que continuasse o segurando nas mãos. O assunto era interessante. Chegamos à questão de confiar nas pessoas, que já escrevi e que continuo com os mesmos ideais. Confiança na pessoa até a prova em contrário. Notei um sentimento de desengano na pessoa dele, algo não muito bem resolvido. Ele me disse com todas as letras para não confiar nas mulheres. Elas enganam o cara. Opa! Pensei comigo. Como assim? Eu confio numa série de mulheres. Elas me enganam sempre e eu não sei. Ele continuou, mas, por respeito, eu não quis opinar sobre este ponto. Fui e sou enganado? Continuarei a ser enganado? Não pode ser.

A conversa tomou outro rumo, indo para uma finalização. O senhor desejou três coisas para mim, perguntando qual seria a mais importante: Paz, saúde ou dinheiro? Eu disse na mesma hora e sem muito pensar: Saúde. Errado, disse o senhor. A paz é muito mais importante que tudo. Pensei na hora e fiz que sim com a cabeça. Fazia sentido na hora. Um tempo depois, após o senhorzinho ter se despedido rapidamente de mim e sumido para um lugar que talvez eu nunca o reencontre, comecei a pensar mais profundamente na paz e não na saúde. Realmente, quando estamos em paz tudo contribui para a nossa saúde estar bem. Dinheiro não foi considerado e nem falado por ele e por mim, porque não é o mais importante. É importante, claro que é, mas não é a coisa mais importante, afinal. Saúde, paz, uma boa conversa e a confiança passam na frente. Como um praticante de yoga, dirijo-me a vocês para finalizar em profundo sinal de respeito e confiança: Namasté!

* Mestre em Educação nas Ciências. Professor de Ensino Básico,
Técnico e Tecnológico e Coordenador Geral de Ensino Substituto do
Instituto Federal Farroupilha - Câmpus Avançado Uruguaiana



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