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Remédios para as emoções: a sociedade controlada

22/05/2015 - Por Arlete Salante
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"O Doador de Memórias" é um filme de 2014, e traz uma excelente reflexão para o amadurecimento psicológico sobre o mito que se forma sobre os medicamentos. O filme reflete com inteligência, o modelo social para o qual a sociedade está sendo conduzida em larga proporção, ao negar suas emoções como forma de resolver os conflitos. Sabe-se que cada vez mais os medicamentos são prescritos para evitar, acalmar e até solucionar sofrimentos humanos como luto, depressão, ansiedade, fobia, emoções incompreendidas, conflitos familiares, crises profissionais e existenciais, além de compulsões, vícios, desejos suicidas ou autodestrutivos, e tudo mais que se possa imaginar. O critério é não sofrer e ser feliz, mesmo que artificialmente.

Embora o filme traga à cena um modo extremo (todos tomam, normalmente, doses matinais para inibir o cérebro de trazer à consciência as emoções que vivem), busque lembrar quantas pessoas você conhece, ou talvez, leitor(a), até  você mesmo, se já não usa ou pensou que precisava um remédio para depressão, ansiedade ou insônia, em vez de procurar um psicólogo para tratar o que sofre?

Os bons cineastas trazem as realidades humanas de forma exagerada para a sociedade refletir suas escolhas, mesmo que os próprios nem sempre tenham consciência disso.

Na comunidade fictícia do filme tudo é aparentemente é perfeito, todos são criados em iguais condições financeiras e culturais, aboliram cor, raça, sobrenome e religião: não há diversidade. Escolheram a uniformização da população como solução para inveja, raiva, dor, ressentimento, etc. Acreditam que os humanos escolhem de forma errada e por isso, precisam ser controlados. O sistema escolhe suas profissões conforme suas habilidades. Há o total controle climático, as pessoas vivem em habitações, palavras como amor foram abolidas pela imprecisão de linguagem. Assim, o amor de pais pelos seus filhos foi substituído pelo orgulho em seguir de modo obediente o sistema, sem questionar.

Meryl Streep atua como Anciã-Chefe e escolhe um jovem, pelas suas habilidades em ver mais que os outros, a receber as memórias secretas da humanidade. Elas serão transmitidas por um ancião da comunidade. O doador de memórias é um homem inconformado com o rumo que a comunidade tomou e espera por alguém de coragem para mudar a realidade.  À medida que o jovem recebe as memórias do mundo real, este também compreende a hipocrisia do sistema de controle das emoções e memórias. Percebe que falta vida nas pessoas.

Com a ajuda do doador de memórias o jovem receptor vai ao encontro da liberdade e busca o retorno da consciência humana para a comunidade.

Assistam ao filme, percebam o mundo a sua volta e salvem os inconformados! Estes trabalham para o amadurecimento dos problemas psicológicos sem camuflar a realidade, enxergam a possibilidade do resgato dos valores humanos e sabem que não há felicidade negando ou controlando as emoções.




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