Segunda-feira, 12 de novembro de 2018
Ano XXX - Edição 1533
(55) 3535-1033
jsemanal@jsemanal.com.br
diagramacao@jsemanal.com.br

Procura-se

12/06/2015 - Por Jornal Semanal
Tweet Compartilhar
Gustavo Griebler*

Procura-se um amor. Não para recordar. Pois não é somente de uma noite, um fim de semana, ou de um verão. Um amor para dividir momentos, ouvir e ser ouvido. De antemão, já adianta-se que a contraparte não é perfeita. Muito longe disso. Está cheia de defeitos. De fábrica não. A lataria está boa, talvez somente alguns engasgos no motor de vez em quando, mas nada que uma ida à oficina não resolva. Mas os defeitos a que me refiro são de comportamentos. As pessoas são diferentes. Cada uma pensa de uma maneira, o que faz com que haja uma miscelânea de pensamentos e de ideias. Mas talvez em muitos pontos as partes pensem igual. Seria o máximo daí.

Procura-se um amor para dividir, somar, multiplicar e subtrair. Dividir uma pizza, um chocolate, um espaço no sofá. Somar carinhos, felicidades, amor. Multiplicar bons momentos. Subtrair incertezas, desconfianças, maus momentos (mas inevitáveis algumas vezes).

Procura-se um amor que entenda a contraparte, que faça dar sentido à sua vida, que faça com que a contraparte tenha alguém pra pensar quando acorda, quando vai dormir, quando está triste, quando está feliz, enfim, em diversos momentos de seu dia e noite.

Procura-se um amor cujos olhos brilham quando você o enxerga. Procura-se um amor que não lhe deixe você desligar o telefone, pois sempre tem mais alguma coisa a contar. Procura-se um amor que não diga tchau, que diga "Eu te amo. Até logo." Procura-se um amor que entenda meu silêncio e que procure me animar mesmo quando o que menos quero é falar, é dar risada. Procura-se um amor que me faça sentir o cara mais amado do mundo, o mais especial do mundo, o mais tudo do mundo.

Procura-se um amor que não invente desculpas, que me queira sempre junto mesmo não podendo isso. Procura-se um amor que me ligue quando estou dormindo para ouvir minha voz sonolenta. Procura-se um amor com quem se possa brigar também, para no momento seguinte pedir mil desculpas. Procura-se um amor que até pode ser idealizado, mas não é, é puro, é bonito em sua essência.

Procura-se um amor que não me abandone nem por um minuto. Que não seja chiclete, mas que se importe comigo a toda hora mostrando que não estou sozinho, que tenho alguém com quem contar. Que mostre que está a fim de mim, de ficar comigo, não por minha beleza, por meu dinheiro, mas pelo prazer de estar comigo.

Não espero um amor que faça serenatas, que coloque outdoors me homenageando, que grite para todo mundo ouvir que me ama. Quero um amor que no meu ouvido, para ninguém mais escutar, fale que me ama e sente muito em partir, mas tem de ir dormir, para no reencontro seguinte dizer que sentiu saudades.

Procura-se um amor para dar mais sentido aos meus sábados à tarde e à noite, aos meus domingos sonolentos, com quem eu possa passear e ver todas as lojas fechadas e o povo na rua fazendo a mesma coisa, andando daqui pra lá e de lá pra cá em seus carros.

Procuro um amor espontâneo. Que se sinta bem em minha companhia. Que nunca force. Se não está bem que diga. Que não esconda.

Eu procuro. Sei também que muitos procuram este amor. Não sei se todos o encontram. A questão é: Você está preparado para quando este amor chegar? Eu penso que estou. Talvez já topei com ela por aí e não me dei conta por estar distraído. Mas sou daqueles que, quando a encontrar, meu coração vai tremer e dizer que é ela. Pode vir, amor. Espero.

* Mestre em Educação nas Ciências. Professor de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico
 e Coordenador Geral de Ensino Substituto do Instituto Federal Farroupilha - Câmpus Avançado Uruguaiana





Indicar a
um Amigo

Comentários

Deixe a sua opinião

Veja Também

09/11/2018   |
19/10/2018   |
11/10/2018   |
05/10/2018   |
28/09/2018   |
21/09/2018   |




Todos os direitos reservados - Jornal Semanal - Três de Maio - RS