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Autonomia Existencial

19/06/2015 - Por Arlete Salante
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Eu sou eu
Você é você
Eu faço minhas escolhas e você faz as suas
Não estou neste mundo para viver de acordo
com suas expectativas,
e você não está neste mundo para viver
de acordo com as minhas.
E se por acaso nos encontramos, é lindo.
Se não, nada há a fazer.
Fritz Perls*


O poema acima é considerado uma síntese da visão sobre as relações interpessoais pautadas na autonomia e no respeito total pela individualidade, pela aceitação das diferenças individuais e pelo reconhecimento e aceitação plenos dos limites que fazem parte de qualquer relacionamento. O valor está na interdependência que existe entre todos os seres humanos.
 
 "Eu sou eu": o primeiro pré-requisito para qualquer relacionamento maduro e saudável é que eu saiba quem sou, que eu reconheça e aceite todas as partes que compõem minha individualidade (tanto minhas qualidades e recursos, quanto meus defeitos e limitações), e que eu assuma totalmente a responsabilidade por tudo que sinto, penso e faço.

"Você é você": o segundo pré-requisito (que depende do primeiro) é ser capaz de ver o outro, reconhecer o outro como outro, diferente de mim. Temos a tendência de projetar nossos sentimentos, expectativas, conflitos, significados, na outra pessoa. Interpretamos muitos comportamentos das outras pessoas como algo dirigido a nós, quando, na maior parte das vezes, esses comportamentos têm a ver com o referencial delas, não tem nada a ver conosco.

"Eu faço minhas coisas, você faz as suas": cada pessoa tem seu espaço individual, em que desenvolve seus próprios interesses e preferências, e existe o espaço comum aos dois, em que fazem coisas juntos e compartilham experiências.

"Não estou neste mundo para viver de acordo com suas expectativas, e você não está neste mundo para viver de acordo com as minhas": cada pessoa é um projeto existencial que se realiza a partir de si mesmo, do empenho diário, da busca da autorrealização e do autorreconhecimento. Abrir mão de projetos pessoais e profissionais em função de uma relação, leva a uma forma de anulação, criando expectativas de receber do outro aquilo que se abriu mão, porém de outra forma. Temos uma ideia errônea de que seremos tratados da mesma maneira como tratamos o outro e, na verdade, somos tratados pelo outro da mesma maneira que nós nos tratamos.

"E se por acaso nos encontramos, é lindo. Se não, nada há a fazer: Ninguém pode se obrigar a querer aquilo que não quer, a ser aquilo que não é, a passar por cima dos seus limites, a ceder onde não dá para ceder. E, por mais que duas pessoas tenham afinidades e gostem uma da outra, as necessidades e a intensidade são diferentes. Mas, as cartas sobre a mesa, facilitam um consenso, um acordo, cada um cedendo um pouco, sem se anular. O afeto genuíno, um verdadeiro respeito e aceitação pela individualidade do outro, favorecem nos relacionarmos. Se, no entanto, constatarmos que o abismo entre as minhas expectativas e as do outro é muito grande, talvez seja melhor reconhecer isso, nos despedirmos com gratidão e cada um trilhar o seu caminho.

Adaptado de Alina Purvinis (CRP: 06/1828-1) www.nucleogestalt.com.br

  *A  "Oração da Gestalt" é um poema escrito por Frederick Perls, um dos criadores da Gestalt-terapia 
uma abordagem psicológica humanista-existencialista.



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