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Uma lágrima aos aproveitadores

26/06/2015 - Por Jornal Semanal
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Paulo Daniel*

Escândalos tomam as manchetes de todas as mídias! A corrupção lota nossa timeline, estampa as capas de jornais, chega a nossos ouvidos pelas rádios, é vista corriqueiramente na televisão e vira assunto em boa parte das rodas de amigos. Em que mundo estamos, afinal? Será que restaram tão poucas pessoas dignas de batalharem na vida para conquistar capital sem falcatruas, construir riqueza sem sonegação, alcançar o sucesso sem desrespeitar as pessoas... É soda no leite, amido de milho no queijo, favorecimentos e desvios na política, material de má qualidade na construção civil, drogas para se manter acordado no trânsito, fraude em concursos públicos, classe média recebendo bolsas assistenciais. Será tão difícil assim imaginar uma vida com honestidade? Está tão distante assim aceitar ser ético, respeitar a moral, viver dentro da lei e colher os frutos mais lentamente?

Lágrimas caem dos olhos dos honestos e molham as roupas compradas com o suor do trabalho digno. Não escrevo para os corruptos, pois estes não se comovem com palavras. Escrevo para o pai de família que trabalha intensamente para colocar o pão na mesa de sua esposa e filhos. Escrevo para o casal que luta bravamente para pagar a educação de seus amados filhos. Escrevo para o estudante que dedica sua vida ao estudo em busca de um futuro melhor para ele e seus entes queridos. Escrevo para todos que, mesmo diante de tantos aproveitadores, escolhem viver com dignidade e enfrentar de cabeça erguida as batalhas da vida. Estes, certamente, sabem que podem dormir todas as noites e acordar todas as manhãs na certeza de serem justos, de estarem fazendo o certo, de não prejudicar o outro em favorecimento próprio.

Imagino a tristeza de pais vendo filhos envolvidos em corrupção. Penso da tristeza de filhos vendo os pais serem presos por lesarem alguém. Reflito sobre a esposa sendo informada que seu companheiro arriscou a saúde e a vida de crianças para faturar mais dinheiro. Imagino, penso e reflito, mas nunca conseguirei aceitar essa necessidade tão imensa pelo favorecimento próprio. Será que não percebem que sua vida tem o mesmo valor de qualquer outra? Que o direitos e deveres regem a todos de forma igual? Em minha indignação, que sei não ser individual, apenas torço para que os que ainda não foram corrompidos permaneçam firmes e fortes em suas jornadas por uma vida com dignidade.
*Jornalista




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