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Importantes aliados no combate, tratamento e recuperação

10/07/2015 - Por Jornal Semanal
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CAPS e Amor Exigente, em Três de Maio, e Avipae em Santa Rosa,
atuam na reabilitação dos dependentes químicos
Dando continuidade à reportagem especial sobre a dependência de drogas lícitas e ilícitas, nesta edição abordaremos o trabalho dos centros de atendimento e apoio e a importância da família na reabilitação destas pessoas

A importância da família na recuperação
dos dependentes químicos

"A cada dia um monte de gente cai e são poucos que levantam",
diz jovem de 21 anos, há seis meses em recuperação pela dependência em cocaína
Aos 21 anos, um dependente químico em recuperação participa do grupo terapêutico do CAPS. A porta de entrada para o mundo das drogas lícitas foi o cigarro e a bebida alcoólica, aos 12 anos. Em pouco tempo, aos 13 anos, passou a usar cocaína. "Maconha eu usei três vezes. Não gostei. Queria algo que me acelerasse. Usei duas vezes cocaína e já virei dependente. Daí comecei a usar cada vez mais".
Ele conta que começou usando cocaína dentro do pátio da escola, com amigos mais velhos, de outras séries. "Eles levavam, me ofereciam e eu usava. Dei uma parada aos 17 anos, depois voltei mais forte. Usava quase todos os dias", recorda, dizendo que a cocaína o deixava eufórico. "Além da cocaína usava vodka ou uísque com energético, e ficava fora do ar. Perdia a noção de realidade. Daí tinha amigos, parcerias. Tudo ilusão."
Até que no ano passado, depois de perder a confiança da família que o afastou de casa, o jovem se conscientizou e buscou ajuda. "Ano passado tive três internações e na última, que foi no final do ano, me conscientizei e disse pra mim mesmo: agora chega. E desde então parei. Comecei a frequentar o CAPS e parei totalmente, inclusive de fumar cigarro".
Ele está desde dezembro do ano passado em recuperação. "Sei que é difícil. Tenho que ter muita força de vontade pra vencer. A cada dia um monte de gente cai e são poucos que levantam. Aqui no CAPS eu venho e converso com pessoas que tem os mesmos problemas que eu e isso me conforta. É uma troca de informações, todos lutam contra o vício, e um ajuda o outro", conta.
Longe da droga, o jovem faz planos para o futuro. "Quero voltar a estudar e trabalhar. Começar uma vida nova, do zero", afirma.


"Aqui no CAPS eles estendem a mão, orientam e auxiliam o dependente químico a dar a volta por cima".

declara esposa de dependente em álcool em recuperação
*Ana é companheira de um dependente químico de álcool. Desde que estão juntos, há oito anos, ela sabe do vício dele, que iniciou na adolescência e permanece até hoje, aos 51 anos. "A maior parte da vida dele foi convivendo com a dependência de cachaça e vodka", conta.
Agora, em recuperação, ele frequenta o CAPS, onde tem atendimento de assistente social, enfermeiro, psicóloga e médico. "Eu e a mãe dele o apoiamos para que ele largue o vício. Estou com boas expectativas desde que estamos frequentando o CAPS, que nos dá uma segurança muito grande", avalia.
Ela conta que tem um filho e que ele não mora com o casal devido a luta pela recuperação do companheiro.  "Ele tem recaídas. Mas estamos tentando ser firmes em busca de recuperação e dispostos a ir em frente no tratamento", revela.
Para Ana, o acompanhamento do CAPS é fundamental na recuperação da dependência química. "Aqui ele fez amigos, é como se fosse um membro da família. Aqui eles estendem a mão, orientam e auxiliam o dependente químico a dar a volta por cima", afirma.

"Temos que ser firmes no que combinamos, mesmo que às vezes dói e custe lágrimas, mas se abrirmos mão, a recuperação pode não dar certo",

alerta a mãe de jovem de 21 anos em tratamento
*Maria é mãe de um jovem de 21 anos, dependente químico em cocaína que está em recuperação. Ela conta que o primeiro contato
do filho com a droga foi por volta dos 13 anos na escola. Mas que há mais ou menos um ano, ele se abriu para uma terapeuta ocupacional e isso foi definitivo para a família conseguir ajudar ele.
Segundo a mãe, o comportamento do filho oscilava entre sociável e agressivo e em função disto, a família tinha praticamente certeza de que ele usava drogas, mas não sabia qual. "Até efetivamente ele contar que era usuário de cocaína, além das drogas lícitas como cigarro, vodka e energético. Ele usou cocaína em praticamente toda a adolecência. Mas acho que não era de uma forma muito intensa e frequente, era mais eventual. E o problema se agravou quando ele começou a trabalhar, ter colegas e salário certo no fim do mês. Aí saíam para festa, misturavam cocaína, vodka e energético, e, inclusive, ele teve três comas alcoólicos feios".
Atitude radical
Quando os pais tiveram a certeza da dependência, e em função de ver que o filho estava caindo cada vez mais, além do fator da agressividade e das ameaças de morte à família, eles decidiram tomar uma atitude mais radical. "Tiramos ele de casa e encaminhamos medidas protetivas da Lei Maria da Penha. E não aceitamos a volta dele antes que se tratasse. Aí ele foi morar com amigos, que também eram usuários, e viu o lado negro da questão do uso, do tráfico, dos furtos pra sustentar o vício. Ele pediu ajuda da madrinha dele, do Amor Exigente, porque nós não aceitamos ele em casa de volta antes dele aceitar a internação".
Este momento, a mãe recorda que foi crucial, porque ele se deparou com o que é o lado da rua e foi definitivo para ele se internar e assumir o tratamento. "Aí o CAPS teve uma contribuição decisiva", recorda.
Liberdade vigiada
No ano passado, o jovem teve três internações. "Quando ele voltou da última internação, foram estabelecidas normas bem claras do que ele deve seguir em casa e se não for assim: rua. Ele ficou três meses sem celular, sem computador, sem poder acessar as redes sociais. E, inclusive até hoje, ele mantém o tratamento, e não sai de casa sozinho. Somente com um familiar ou com uma pessoa de extrema confiança". Para Maria, isso é fundamental, porque ela sabe que as "antigas parcerias" estão de olho. "Vemos que eles estão em cima e no momento em que a gente largá-lo, se ele não estiver bem firme, pode cair novamente", comenta.
O jovem está em recuperação desde 3 de dezembro. "Faz mais de meio ano que ele não faz uso de cocaína e percebemos a melhora progressiva. Num primeiro momento, ocorreu a desintoxicação e ele continuou com o cigarro. Mas em fevereiro, ele largou este vício também. Hoje, ele usa medicação controlada pelos pais e o lazer dele também é monitorado. É uma liberdade vigiada. Pelo menos neste primeiro ano de tratamento".
Firmeza no 'contrato familiar'
* Maria relata que é uma situação muito complicada. "O uso de drogas hoje se naturalizou na sociedade e o jovem acaba entrando neste mundo para ser aceito no grupo de amigos. Sabemos que ele nunca pegou nada de dentro de casa, mas o dinheiro que ganhava gastava tudo em cocaína".
Atualmente, o jovem frequenta o CAPS, participa de todas as atividades do centro e vai no grupo de jovens da igreja luterana. "Vamos continuar ajudando ele. O apoio da família e a firmeza nas condições - no contrato familiar que fizemos com ele na recuperação é muito importante. Temos que ser firme naquilo que combinamos, mesmo que às vezes dói e custe lágrimas, mas se abrirmos mão, a recuperação pode não dar certo", conclui.

* os nomes das pessoas entrevistadas foram trocados para preservar a identidade delas

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Sobre o CAPS
Endereço: Rua Horizontina, 2520.  Fone: (55) 3535-1943.
Atendimento: Segunda a sexta-feira, das 7h30 às 11h30 e das 13h às 17h. Nas quintas, atende das 7h às 15h.
Equipe multiprofissional: enfermeiro Douglas Hammes, médica Renata Delta, psicólogas Kátia Goelzer e Juliana Trevisan, assistente social Márcia de Moura, educador físico Júlio Zamberlan, técnica de enfermagem Carla Balke, artesã Gene Cassol, auxiliar administrativa Bruna Monteiro, funcionária de higienização  Márcia Vargas e funcionária da cozinha Geneci Ribeiro.

Contatos da Avipae
Endereço: Rua Guaíra, 1100 Vila Esperança, Santa Rosa
Fone: (55) 3512-3810
Horário comercial : 8h às 12h e 13h30 às 18h
Site: www.avipae.org.br
Facebook: http://www.facebook.com/avipae

Amor Exigente
Endereço: Travessa Pedro Garrafa, na Sala da Pastoral da Sobriedade
Reuniões: Todas as segundas-feiras
Horário: 19h30 às 21h30min
Informações: (55) 9946-6751

FOTO: ALINE GEHM

Confira a matéria completa no jornal impresso.





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