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Três de Maio perde líder comunitário

07/08/2015 - Por Jornal Semanal
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Armindo Radies sempre será lembrado como o grande idealizador da Associação do Corpo de Bombeiros Voluntários

Faleceu na terça-feira, 4 de agosto, por volta das 17h, o três-maiense Armindo Radies, aos 83 anos de idade. Ele era casado há 60 anos com Eleonora, pai de Roseli Adames, avô de Josiane, Fabiano, Ana Paula e Eduardo, bisavô de Isadora, 14 anos e Arthur, 12 anos.

Seu Armindo, como era conhecido, estava enfermo há cerca de 10 anos. Lutava contra a demência vascular, que progressivamente, foi prejudicando sua memória e raciocínio, tirando-lhe também as forças físicas.
Os atos fúnebres reuniram família, amigos e comunidade. Várias foram as demonstrações de carinho, em especial, dos bombeiros do Corpo de Bombeiros Misto de Três de Maio, dos amigos da Legião Evangélica Luterana e comunidade evangélica São Paulo.

Certamente, a comunidade três-maiense perdeu um grande líder, que deixou legados que ficarão para sempre na história do município.

Profissão fotógrafo
Música, pescaria e construção. Essas eram as três grandes paixões de Armindo Radies.

Fotógrafo de profissão, ele e a eposa moraram em Três Passos logo depois que casaram. Depois, retornaram a Três de Maio e abriram um comércio no ramo de fotografia na década de 70, fundando a Foto Avenida. Junto a isto, abriram uma loja de artigos musicais, criando A Musical. Trabalharam com fotografia até meados do ano de 1981 e com A Musical até por volta de 1992.  As empresas continuaram com outros proprietários, e as marcas permanecem consolidadas até hoje.

Como hobby, a pescaria era que o deixava muito feliz. "As pescarias eram no rio Uruguai, às vezes de 8 a 10 dias, onde reunia a turma de amigos. Ele comprou até um ônibus e o transformou em um motorhome para cultivar esta paixão", reelembra a filha.

Na adolescência, ele aprendeu violino, o que despertou a paixão para os clássicos. "Ele tinha uma sala de música, com mais de mil CDs e centenas de discos de vinil, com clássicos e grandes orquestras, Ray Conniff, James Last, entre outros. Mas também gostava de samba, gauchescas e outros ritmos. Além disto, ele cantava no coral da igreja", lembram os familiares.
A filha revela que quando criança, era acordada aos domingos de manhã, ao som de música clássica. "Na época, não gostava muito. Mas quando comecei a frequentar aulas de balé, passei a gostar. E ele ficou realizado. Um dia me disse: ah filha, finalmente, tu criou gosto por música! Isto é música!", relembra Roseli.

Sobre a outra paixão, as construções, Roseli ressalta que se ele tivesse uma formação acadêmica, seria engenheiro. "O quartel dos bombeiros voluntários foi 'projetado' por ele. O pai adorava obra. Projetava, desenhava. Por exemplo, a casa deles foi desenhada por ele", informa a filha, que completa. "Ele tinha isso no seu íntimo, porque representava crescimento. Com espírito empreendedor, ele gostava de fazer, realizar, conquistar. Era detalhista, crítico, exigia tudo bem feito".

Idealizador do Corpo de Bombeiros

Armindo também foi presidente da comunidade evangélica São Paulo, presidente da Paróquia, membro fundador da Legião Evangélica Luterana e encabeçou vários movimentos dentro da igreja, como a construção de pavilhão e a revitalização do cemitério da comunidade.
 
A ideia de criar uma corporação de bombeiros voluntários foi após um sinistro de uma residência em abril de 1997. Na época, o corpo de bombeiros mais próximo era em Santa Rosa. Ele ficou comovido com a situação e junto com os membros da Legião Evangélica, decidiu fazer algo por Três de Maio.

Eleonora lembra que Armindo lançou a ideia no Jornal Semanal, através de uma carta onde conclamou a comunidade. "O fato era muito triste, porque o casal de idosos havia perdido tudo que tinha no incêndio, não somente os pertences, mas toda a história, as fotografias, os documentos, tudo foi consumido pelas chamas".

Então, por conta própria, ele começou a pesquisar, buscar informações e a iniciativa foi nascendo. Ele mobilizou a comunidade para entender que era tão necessário esse corpo de bombeiros em Três de Maio. "Ele era teimoso no seu sonho. Muita gente barrou, não entendeu o propósito. Muitos acharam que era um plano mirabolante e foi difícil as pessoas despertarem para a doação. Nem todos têm recursos e nem todos têm vontade. Foi uma causa bem difícil dele. Ele persistiu, era chato, batia várias vezes nas portas das pessoas, implorando para ajudar", conta.

Ele alugou uma sala comercial (onde atualmente funciona o CRVA) e lá começou a corporação voluntária, com doações de materiais e equipamentos. O primeiro Jipe foi comprado com recursos próprios do seu Armindo e o primeiro caminhão foi comprado por parceiros e doado a corporação. Inicialmente, tudo foi conseguido por parcerias, doações. Na época, o prefeito era Luiz José Lena, cedeu funcionários da prefeitura para a corporação voluntária.

Em Três de Maio o trabalho de bombeiro iniciou oficialmente no dia 9 de julho de 1997 com a fundação da Sociedade Civil Corpo de Bombeiros Voluntários de Três de Maio. Seu Armindo Radies foi o primeiro presidente e permanecerá sendo presidente de honra da corporação
.

FOTO: ARQUIVO JS / ANDERSON BAUER

No dia 2 de julho, Armindo Radies (sentado) foi homenageado na solenidade que
marcou o  16º aniversário da Associação do Corpo de Bombeiros Voluntários


Culto em memória
Neste domingo, será realizado um culto em memória de Armindo Radies, às 9 horas, na igreja evangélica luterana São Paulo.


Armindo Radies com a esposa Eleonora

Na foto: Família Radies. Em julho, o casal completou 60 anos de casamento.

FOTO: ÁLBUM DE FAMÍLIA




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