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Floração antecipada

04/09/2015 - Por Jornal Semanal
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El Niño interfere no ciclo natural do inverno
Mudanças climáticas trouxeram o florescimento antecipado de diversas espécies, mas a 'primavera no inverno' pode acarretar problemas. 

O mês de agosto de 2015 foi o segundo mais quente, desde 1916
Quem fica atento ao clima percebe:  o inverno deste ano  não parece o mesmo dos anos anteriores. O frio intenso, sempre marcante, deu lugar ao calor. Dias frios, foram poucos. Além disso, a beleza natural que o florescimento das plantas traz e que encanta os olhos na primavera está ocorrendo bem mais cedo neste ano.
Segundo o coordenador do Curso Técnico em Agropecuária da Setrem, Claudinei Schmidt, o fenômeno conhecido como El Niño foi um dos grandes causadores dessa confusão climática dos últimos meses. Inicialmente foi um inverno com menos chuvas, seco, e no mês de julho, uma maior intensidade de chuvas.
Impacto na produção agropecuária
Com o grande volume de chuvas, boa parte dos produtores teve dificuldades com as plantas forrageiras nas pastagens. "Os produtores de leite tiveram dificuldades para implementar as pastagens de inverno, e isso intensificou o que chamamos de 'vazio de outono'. As forrageiras de verão em fase final, já sem muita qualidade, e as de inverno ainda sem estarem prontas", aponta.
Conforme Claudinei, como no início do inverno não choveu, a implantação das forrageiras desta época atrasou ainda mais, o que prolongou o período de falta de pastagens com qualidade. "Depois veio a chuva em excesso, que também atrasou o desenvolvimento destas plantas e dificultou o acesso dos animais às pastagens. Com isso, o produtor teve que usar mais silagem, mais concentrado, para manter a produção, o que elevou os custos", revela.

Ausência de frio também prejudica lavouras
Agora que a estação está chegando a sua fase final, as temperaturas continuam mais altas que o normal. "Não ocorreram geadas. As plantas daninhas de primavera e verão que normalmente morrem com a incidência de geadas continuaram se desenvolvendo, formando sementes e infestando as áreas", avalia Claudinei.
Além disso, ele observa que em muitas lavouras caíram bastantes grãos que acabaram rebrotando. "Isso ocorreu porque estava muito seco e debulhou, aumentando as perdas. Como não houve geada essa soja não morreu. Temos muitas plantas à beira de estradas, na sarjeta das lavouras. Isso é ruim, pois essas plantas que ficaram do verão, chamadas de voluntárias, serão hospedeiras de doenças e pragas", explica.
Estes problemas aparecerão quando se iniciar a implantação da cultura da soja, nos meses de outubro e novembro. "Vamos ter no ambiente doenças e pragas do ciclo anterior, que não foi interrompido em função da falta de frio e geada, que eliminariam as plantas daninhas e diminuiriam a proliferação das pragas", aponta Claudinei.

Plantas frutíferas e flores tiveram florescimento antecipado
Algumas plantas que necessitam de clima temperado, como as macieiras, pessegueiros e videiras, precisam de um período de frio, segundo Claudinei. "Isso representa temperaturas menores que 7,2º. Cada uma dessas espécies precisa acumular um certo número de horas com esta temperatura. Superado isso ela sai da dormência e floresce", esclarece.
Porém, segundo Claudinei, como o inverno inicialmente foi seco por cerca de 30 dias, quando choveu essas plantas de clima temperado brotaram antecipadamente. "O que faz uma planta entrar em dormência é também o estresse hídrico. Como faltou água, ela adormeceu. Quando voltou a chuva ela saiu do estado de dormência. No pomar da faculdade, quando fomos fazer a poda na época correta, havia plantas com frutos do ciclo que ocorreu antecipadamente", observa.
Falta de geada e temperaturas elevadas em agosto anteciparam a floração

FOTO1: VILSON WINKLER
FOTO2: ALINE GEHM

Confira a matéria completa no jornal impresso





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