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Irmão: um laço de amor além da vida

04/09/2015 - Por Jornal Semanal
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Seja biológico, adotivo, gêmeo ou até aquele amigo que vira um irmãozão, não importa. O que vale é incentivar a amizade e o respeito entre eles
Um ombro, um carinho, um abraço apertado. Aquele conselho na hora certa, uma roupa, o carro ou até uma grana emprestada. Quem tem um irmão ou uma irmã sabe a importância deste na sua vida. Passar os dias aprendendo a dividir, compartilhar, chorando, rindo, conversando, crescendo juntos e aprendendo que a vida é muito mais divertida e fácil de ser vivida quando temos a companhia de alguém, seja de laço de sangue ou do coração.
Nos tempos de infância, na casa de Elisângela Aparecida Werlang, 36 anos, em Três de Maio, a união e o amor prevaleciam na relação com seus quatro irmãos. "Meus pais Julieta Abreu de Oliveira e Santo Aurelino de Oliveira (em memória) sempre nos ensinaram que deveríamos respeitar as diferenças, porque através das nossas diferenças e particularidades, aprendemos a nos amar", recorda.
Elisângela é irmã de José Elizeu Abreu de Oliveira, 49 anos, gerente administrativo da Arthol; Amélia Elizete Noronha, 48, técnica em enfermagem; Maria de Fátima Abreu de Oliveira, 46 anos, atendente de farmácia e João Arlém Abreu de Oliveira, 43 anos, corretor da Bradesco Seguros.  
Com uma família numerosa, a auxiliar de escritório recorda que a lembrança mais marcante quando era criança é dos almoços de domingo. "Eram muito divertidos. Dávamos muitas risadas, contávamos piadas. Todos falavam ao mesmo tempo. Eu sempre gostei de fazer homenagens, fiz vários vídeos com fotos e apresentava em datas especiais. E, claro, sempre fazíamos uma oração para agradecer", lembra. 
Mais velhos cuidavam dos pequenos
Casa cheia" dava trabalho, e por isso, os mais velhos ajudavam nas tarefas da casa e cuidavam dos pequenos. Uma curiosidade, era a "ciranda de roupas e calçados" que passava dos mais velhos para os mais novos. 
Como era a mais nova, Elisângela sempre foi tratada com muitos mimos, mas também era bastante "cobrada", por todos. "Sobre a adolescência, tinha muita liberdade com minha mãe, conversávamos muito. Um fato curioso é de que adorava usar camisetas do João Arlém, mesmo ele dizendo que não era pra usar sempre me encontrava na rua usando. No final, ele acabava rindo de mim", relembra.
De uma relação de amizade e carinho que vem desde a infância, a boa convivência e o afeto entre Elisângela e os irmãos permanece até hoje. "Nossa relação é muito boa. Somos muitos unidos, mesmo com essa vida corrida, buscamos aproveitar o máximo quando estamos juntos", afirma.
Ela é casada com Cláudio Werlang, e são pais de Bárbara Luísa, 10 anos. Agora, estão "grávidos" novamente. "Sempre achei importante que ela tivesse um maninho ou maninha. Ela, inclusive, pedia muito e até chorou quando soube da gravidez. A Bárbara sempre diz que gosta de casa cheia, família grande".
Para Elisângela, a família é como um alicerce. "É o refúgio, é alegria. Claro, tem as angústias, algumas tristezas, mas que fazem parte, pois mesmo nas dificuldades do dia a dia, jamais deixamos de nos amar, de admirar cada um. Devemos tudo aos nossos pais", conclui.

E quem não tem irmão, como é ser filho único?
Willian Luís Raimann, 20 anos, e Patrícia Silveira Pinto Bruxel, 36 anos, tem algo em comum. Ambos são filhos únicos.
Filho de Marilei e Jeferson, Willian confessa que mesmo quando criança, nunca despertou a vontade de ter irmãos. "Como adoro jogar futebol, o esporte me deu muitas amizades. Assim como tive vitórias, tive também derrotas; orgulho de amigos e também decepções com alguns, mas o tempo cura tudo. Mas posso afirmar, não sinto necessidade alguma de ter irmãos", garante.
Questionado se, futuramente, quando constituir família, pretende ter filhos, ele responde. "Quando chegar a hora só Deus poderá ditar o meu futuro, mas se for possível, quero ter somente um(a) filho(a)", prevê.
Willian Raimann, 20 anos

Já Patrícia, filha única de Nair e Aládio Pinto, recorda que conviveu na infância com os primos, que eram muitos, e amigos (em especial da família Schumann) e acabava não se sentindo sozinha. Contudo, ela acredita que caso tivesse um irmão seria muito bom. "Não senti este gostinho, essa sensação, mas não cobro e nunca cobrei isso dos meus pais. Outros sentimentos supriram a falta e companhia de um irmão", diz.
Hoje, casada e mãe de Clara Elisa, 5 anos, Patrícia revela que a filha pede para ter um maninho ou maninha, e, às vezes, se sente sozinha para brincar. "Eu e meu marido, Mateus, já conversamos várias vezes sobre isso e pretendemos dar um maninho(a) para ela. Hoje em dia, as famílias estão menos numerosas em função das condições financeiras. Mas acho tão bonita a relação de famílias e irmãos, pois é importante para o crescimento pessoal das crianças a questão do dividir, não ser egoísta, pensar no outro", conclui.
Patrícia, Clara Elisa e Mateus Bruxel

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"Perdi meu único irmão. 
Nenhuma palavra descreve a sensação de tamanho 
vazio que ficou em minha vida 
após essa fatalidade"
Este ano, em 24 de setembro, faz sete anos que Daniela Lorenzoni não tem mais ao seu lado o seu melhor amigo, o irmão Daniel, que faleceu em um acidente de carro. "Nenhuma palavra  descreve a sensação de tamanho vazio que ficou em minha vida após essa fatalidade", conta. 
Daniela conviveu com o irmão 17 anos. Dividiu com ele, além "do pai e da mãe", o quarto por um tempo, os amigos, a casa, o cachorro, a televisão, os avós, os brinquedos, enfim, aprendeu a dividir e compartilhar a vida com ele.
Em suas lembranças, ela recorda que com o irmão aprendeu a amar as pessoas como elas são, com seus defeitos e qualidades. "Aprendi com ele a ter compaixão, sentir dor pelo fracasso e felicidade pelas suas conquistas, como se fossem minhas".
Ela afirma que construiu com o irmão uma verdadeira parceria, uma vida de sonhos e segredos trocados, uma história de cumplicidade. "Uma ligação que foi muito além de sobrenomes iguais e sangue do mesmo sangue".
Hoje, a fisioterapeuta dermato-funcional revela que vive sempre com ele no pensamento e no coração. "Tive um irmão muito querido, que com certeza, veio ao mundo para me ensinar muitas coisas. Sempre que me vem ele na cabeça a imagem é dele sorrindo e feliz", justifica.
Além dos ensinamentos deixados pelo irmão, como ser humilde e amar as pessoas, Daniela observa que com a morte dele, aprendeu que a vida pode ser breve.  "O dia de amanhã pode não chegar, e não precisa estar doente ou velho para morrer. Talvez seja sim o último abraço, o último até logo".
Se estivesse ao lado de Daniel no Dia do Irmão, ela declara: "se eu pudesse estar com ele presente, eu agradeceria por tudo e falaria o quanto o amo, e sempre vou amar".
Daniel (em memória) e Daniela Lorenzoni

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